Insensatez

A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O meu amor
Um amor tão delicado

Ah, porque você foi fraco assim?
Assim tão desalmado
Ah, meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não
Pede perdão
Não é nunca perdoado

Um dia você será um “tanto faz”

Pensa bem o que representas dentro desta casa. De um modo geral. Teus amigos te estimam, muitas vezes és, para eles, motivo de alegria e prazer, e ao teu coração parece que não poderias viver sem eles; no entanto, se partisses, se fosses arrancado desse círculo, por quanto tempo sentiriam o vazio que tua perda haveria de provocar nas suas vidas? Por quanto tempo? Ah! O ser humano é tão efêmero que até mesmo onde está verdadeiramente seguro de sua existência, onde sua presença produz uma impressão genuína, ou seja, na lembrança, na alma das pessoas que ama, mesmo aí ele se apaga, desaparece, e isso num espaço de tempo tão curto! (J. W. Goethe – Os sofrimentos do jovem Werther)

Arquivos esquecer alguém -

Quanta importância as pessoas se dão a si mesmas, mas não conseguem perceber se lhes é dada, pelos outros, tamanha importância.

Cada um tem uma imagem e uma dimensão de si mesmo, sem apreender o mundo exterior, para que possa enxergar sua exata imagem e sua exata dimensão no olhar do outro. Isso é intrigante.

Ninguém é. Ninguém tem. Ninguém pode. Porque esses verbos são transitivos. Necessitam de um complemento para que façam sentido ao leitor. Não há como interpretar qualquer um deles sem que se lhes dê um significado pelo complemento.

Assim são as pessoas. A importância que cada um tem em determinado momento ou circunstância não se transmite para toda a existência e muito menos para sua descendência. Tudo muda em questão de momento. Nada fica. Nada permanece. E, neste caso, os verbos são intransitivos.

Ou seja, para o positivo, necessita-se de complemento. Para o negativo, cada um se basta a si mesmo.

Alguns sentimentos que movem a humanidade servem, na verdade, para a destruição de todos e de cada um.

A arrogância, a altivez, o sentimento de superioridade demonstram, quando vistos com isenção e lucidez, um complexo de inferioridade invencível. Porque pretender ser melhor que o outro mostra que a sensação é que se é bem pior.

A inveja destrutiva pelo que não se tem leva à derrocada da personalidade, a ganância pelo que o outro tem mostra o desespero de não se sentir capaz de construir.

E, o pior, o sentimento de dominação, de que o outro não sobreviveria sem sua presença, é a perdição de muitos.

Porque o ser humano é resiliente e sua própria existência vem em primeiro lugar e deve ser defendida a todo custo. A perda do outro – para a vida ou para a morte – pode provocar algum sofrimento, mas que será superado.

Ninguém morre porque perdeu uma pessoa. Pode chorar. Pode gritar. Pode até querer morrer. Mas não morre. Sobrevive.

E um dia, com grata surpresa, perceberá até que pode ser feliz mesmo sem aquele que se foi.

Do outro lado, não sei se com surpresa ou com desespero, o que se foi perceberá que o abandonado voltou a ser feliz. Que todo o sofrimento, as lágrimas, a saudade, tudo se esgarçou com o tempo. E que foi completamente esquecido.

Quem muito se afasta, em um momento perde o fio para conseguir voltar. E se torna um “tanto faz” na vida do outro.

Fique perto, porque a distância, seja real, seja afetiva, leva ao esquecimento.

Post-it

Sobre a mesa, um bloquinho “post-it”. Que é de máxima utilidade.     

Mas nenhuma mensagem anotada.      

Há tanto a fazer, mas nada ali escrito.      

Não adianta. O tempo não permite sequer uns minutos para anotar as tarefas do dia. Que, na verdade, nem há necessidade de se anotar, pois que se repetem tristemente iguais.      

Às vezes a vida se torna um tédio.

Na verdade, a vida oscila entre o caos e o tédio.       

E não há como dar conta de tudo. Por isso tanto se corre e pouco se faz. Talvez o tempo esteja passando muito depressa, ainda que tenhamos a sensação de que não está nem passando.     

Porque estamos desmotivados depois de tanto isolamento, tantas falências, tanta falta de sensibilidade daqueles que deveriam olhar para e pelo povo.    

O aumento notável de moradores de rua e pedintes nas esquinas causam sofrimento. É triste ver que famílias estão nas ruas, que a fome e a miséria continuam avançando sobre a população desvalida.   

Mas os interesses políticos estão acima de tudo.     

Provavelmente esses políticos olham para o povo e pensam: “Que morram de fome”; e serão enterrados como vítimas de covid.     

Isso é o que interessa.     

Ontem subi no elevador do hospital com duas funcionárias que saíam da “cerimônia” (ou palhaçada?) do governador que fez questão de estar presente no início da vacinação.

Ambas se dando a maior importância, achando que estavam salvando o mundo. Talvez nem o próprio emprego esteja salvo…       

E assim caminha a triste humanidade que voltou a olhar para o céu e esperar o maná. Sem perceber que, na nossa vida, o máximo que cai do céu é chuva. E, às vezes, ácida.  

Vou pegar uns lápis e fazer desenhos gregos nesse bloquinho. Distrair mente e a mão.

Texto de Erma Bombeck – Se eu pudesse viver de novo

Correção – recebido como se fosse de Gabriella Kormann, na verdade esse texto é de autoria da americana Erma Bombeck.

Eu teria ficado na cama quando estava doente em vez de achar que o mundo iria desabar se eu não fosse trabalhar naquele dia.

Eu teria acendido a vela cor-de-rosa esculpida em forma de flor antes que ela derretesse por estar guardada.

Eu teria falado menos e escutado mais. Teria convidado amigos para jantar mesmo que meu tapete estivesse manchado ou que o sofá estivesse desbotado.

Eu teria comido pipocas na sala “boa” e me preocupado bem menos com a sujeira quando alguém quisesse acender a lareira.

Eu teria escutado com mais atenção as histórias que meu Pai contava sobre a sua juventude.

Eu teria dividido mais responsabilidades com meu marido.

Eu jamais iria insistir para que as janelas do carro fossem fechadas num dia de verão porque meu cabelo estava bem penteado.

Eu teria gargalhado e chorado menos na frente da televisão e mais enquanto observava a vida.

Eu teria me sentado na grama mesmo que ficasse com a roupa manchada.

Eu jamais teria comprado algo apenas por ser prático, disfarçar a sujeira ou com garantia de duração por toda a vida.

Em vez de desejar que passassem logo os nove meses de gravidez, eu teria apreciado cada momento e compreendido que a maravilha que estava crescendo dentro de mim era minha única chance na vida de ajudar Deus a fazer um milagre.

Quando minhas crianças me beijassem impetuosamente, eu jamais iria dizer: “Depois. Agora, vá lavar as mãos para o jantar”.

Haveria mais “Eu te amo”. Mais “Desculpe”.

Porém, mais do que tudo, se eu tivesse outra chance, aproveitaria cada minuto, prestaria realmente atenção, viveria intensamente.

Pare de preocupar-se com coisas insignificantes.

Não dê importância a quem não gosta de você, a quem tem mais, ou quem está fazendo o quê. Em vez disso, aprecie e valorize os relacionamentos que você tem com aqueles que lhe querem bem.

Vamos pensar sobre as bênçãos que recebemos, e o que fazemos todos os dias para melhorarmos mentalmente, fisicamente, emocionalmente.

Texto atribuído a Frida Kahlo – Não vou te pedir nada

Eu não vou te pedir que me dê um beijo. Nem que peças perdão quando acredito que o que você fez foi mal ou que tenha se equivocado. Tampouco vou pedir que me abraces quando isso seja o que mais necessito, ou que me convide a jantar no dia do nosso aniversário.

Não vou te pedir que venhamos a recorrer o mundo, a viver novas experiências, e muito menos vou te pedir que me dê a mão quando estejamos na metade dessa cidade.

Não vou te pedir que me digas o quão bonita estou, ainda que seja mentira, nem que me escrevas nada belo. Tão pouco vou te pedir que me chames para contar como foi o seu dia, nem que me diga que sente a minha falta.

Não vou te pedir que me agradeças por tudo que faço por ti, e que se preocupes comigo quando os meus ânimos estão no chão, e claro, não pedirei que me apoie em minhas decisões. Tão pouco vou pedir que me escutes quando tenho mil histórias para lhe contar.

Não vou pedir que me faças nada, nem sequer que fique ao meu lado para sempre.

Porque se tenho que lhe pedir, já não o quero!

Tempo

O tempo, atemporal, nada nos pergunta nem nos concede

Apenas, inexorável, nos vê passar

O tempo é passado, é presente, é futuro

É tudo e é nada, nos busca e nos leva

Ah tempo, não quero passar

Quero ficar, permanecer, estagnar

Não quero as noites sucedendo os dias

Não quero marcar anos em calendários vividos

Traz de volta, tempo, meus dias, meus anos

Passei sem viver, sem ver, sem gozar

Onde está minha vida, minha juventude?

Traz de volta, tempo, minha vida

Foi muito rápido, não vivi tudo o que queria

Deixa-me voltar, tempo, aos anos já idos

Deixa-me viver mais devagar uma vida nova

Tempo, sua crueldade me assusta

Eu passei, tempo, e você, impassível,

Não me alertou que o fim se anunciava

Deixa, tempo, que eu volte

Não vivi tudo o que pretendia…