
Dia de Poesia – Débora Zanon

Sabe o que eu mais amo em você.
Não é o seu rosto.
Não é o se corpo.
É sua voracidade.
Tudo é violentamente verdadeiro
Profundo
Exato e caótico ao mesmo tempo.
Tudo é paradoxo.
Tudo é a flor da pele.
Tudo quer ser contido.
Por ser dolorosamente vivo
De tão visceralmente profundo
É quase impossível de existir.
Amo este seu complexo labirinto
De razões
Tão brilhantemente construídas
De sentimentos tão infinitos.
De frieza, de raiva, de dor, de doçura
De paixão, de asco, de indiferença
Nada é raso em você
Nada é óbvio
Por ser tudo em excesso.
Violento.
Abissalmente
Belo como um enigma.
Absolutamente lindo como a vida.
Em suas contradições e mistérios.
(Direitos autorais reservados. Imagem retirada da Internet.)
Resistir

As noites, de insônia, são longas e sofridas
Os sonhos não vêm, porque não há sono
Os pensamentos dominam e não são dominados
Ainda que sejam penosos e tragam dores.
Somente as lembranças ruins estão presentes
Nessas horas em que a saudade aumenta
Até atingir o impossível ponto do total.
Não há lágrimas – de há muito já secaram
Apenas a tristeza infinita de continuar vivendo.
Em breve já não haverá amanhãs
Tudo é passado, tudo se transforma em lembranças
E, mesmo sem crime, há sempre a pena imensa
De cumprir a vida, sem gosto, sem futuro.
Quando enfim o cansaço vence a insônia
E por minutos adormeço buscando o repouso
Por instantes o descanso se faz presente
Mas logo vem despertar o novo dia raiando
Eu me deixo no passado das lembranças
E tento, dia após dia, recomeçar a vida,
Essa é minha resistência, meu elo vital,
Como o sol que brilha depois da tempestade,
Como a flor que insiste em abrir no asfalto
Como o fruto que desafia a pedrada e amadurece
Eu consigo, a cada alvorecer, voltar à vida;
Entendo, nessa hora, que, a cada amanhecer,
Simplesmente eu não desperto – eu renasço
Texto de Jenario de Fatima

Poesia da casa – Renascer

Na manhã em que o jardim voltou a se colorir
E as flores, orgulhosas, exibiram suas cores,
Depois daquele longo, frio e cinzento inverno
Tanta solidão, tanta saudade, lágrimas de tristeza
Quando os abraços cessaram e os sorrisos sumiram
Quando as famílias se separaram e a música se calou
As paixões esmaeceram e os amores perderam o viço
O mundo todo se recolheu em angustiado retiro
E as almas, tristes, se amiseraram em desesperança
E além do silêncio, nada mais se ouviu.
Nem gritos de dor nem sussurros de amor
O silêncio, intenso, era concreto e perturbador
Que se confundiu com lágrimas, com amargores
Os jardins, entristecidos, desapareceram
E não havia mais a vibração dos sons nem a das cores
E a esperança desaparecia a cada dia que não nascia
De repente, as raízes da vida e do amor brotaram
E as flores anunciaram a nova estação que chegava
Nessa manhã quando vi tantas cores no jardim
Acreditei que a vida poderia, enfim, recomeçar
Dia de Poesia – Cora Coralina – Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.