Poesia da casa – Oração à poesia

L'écriture sensorielle : créer sa vie par le ressenti | Spa Eastman

Que a poesia esteja entre nós em todos os momentos

E venha até nós em cada dia que se inicia

Entre em nossa casa e dela faça sua eterna morada

Seja o som do canto do pássaro no alvorecer

Esteja entre as folhas das árvores onde o vento em brincar

Se mostre no azul do céu e nas nuvens de algodão

E na cor de cada pétala de flor que se abre nas manhãs

Esquente a Terra desde o amanhecer como se fosse o sol

E fulgure depois do anoitecer junto com o claro luar

Seja a bebida em cada copo que se ergue para um brinde

Apareça no brilho dos olhos dos apaixonados

E possa amainar a dor no coração dos abandonados

Adoce a lágrima dos que choram por amor

Acalme o coração dos que sofrem por desesperança

Venha em palavras para ajudar os que querem se declarar

Cole as mãos dos que seguem juntos pela vida

Vele o sono e filtre os sonhos de todos que adormecem

Cure as feridas nas almas lanhadas pela tristeza

Seja a música que leva alegria aos que amam

E traga o canto na voz dos alegram a existência

Nunca falte nas noites frias, chuvosas e solitárias

Que a poesia desça sobre nós e permaneça para sempre.

Amém.

Chegando o verão…

A imagem pode conter: céu, árvore, piscina, nuvem e atividades ao ar livre

Estamos a menos de uma semana do verão. A estação mais esperada do ano em terras tropicais.

Tempo de calor, sol, sorvete, férias, praia, esportes e paixões.

Pelo menos era assim antes dessa maldita peste chinesa que teima em atrapalhar, tira tudo da ordem em que sempre esteve, dispõe da nossa realidade e aniquila nossos sonhos.

O verão não sabe ser discreto. Não sabe chegar de mansinho, quando todos estão preparados para sua entrada. O verão é estrondoso. Chega arrebentando. Invade os últimos dias da primavera, trazendo tempestades terríveis, grandes chuvas, vendavais, granizo e tudo o que acha que tem direito.

E a doce primavera, que resiste esperando sua data de saída – o solstício de verão – se vê empurrada para fora do palco, entre raios e trovões.

Até a noite tem medo de começar no verão. Os dias ficam mais compridos, adentram no horário noturno, sendo o dia 22 de dezembro o mais longo do ano – será que têm direito à hora extra? E a noite, tão linda, tão querida, se encolhe e quase não vem…

A imagem pode conter: planta, céu, árvore, flor, atividades ao ar livre e natureza

Assim é nosso “verão austral”, originado do latim veranu – de ver, veris – que vai durar até o equinócio de outono.

Talvez, das quatro estações do ano, seja o verão aquela que tem o nome mais áspero, menos melodioso, menos poético.

Hoje tivemos temporais notórios. E muitos, muitos raios. Depois da primeira tempestade, no meio da tarde, com direito a céu escuro durante o dia, quando pensamos que anoiteceria, uma estranha luminosidade tomou conta do céu. E não anoiteceu.

A imagem pode conter: planta, árvore e atividades ao ar livre

Até começar a segunda tempestade.

Que não quer passar.

Coisas de verão…

(Fotos tiradas nesta data – 15.12.2020, às 18h50)

Poesia da casa – Alma

Close-up de Ferreiro forjando machado na oficina — fogo, moinho de martelo  - Stock Photo | #178849132

Tecida em fina renda, do mais delicado fio

A trama de minha alma suporta esses abalos

Magicamente ela resiste, não se rompe

Enfrenta tantas amarguras, tantas desventuras

E se vai deixando lapidar a cada tormento

Alma lapidada, foi forjada a ferro e fogo

No amor, no sofrer, na paixão, na desilusão

E segue, impávida, sem se deixar dominar

A alma bruta não é formosa nem é gentil,

Tal como a pedra original, que não tem fulgor

Ou ainda as brancas nuvens, disformes e sem graça

Por isso é preciso sofrer, transformar, lapidar

Aparar as arestas,  e eliminar as sobras,

Encontrar a forma perfeita para então polir

Quando então surge a alma bela e afetuosa

Como as mãos hábeis do lapidador que encontra

As melhores facetas da pedra e a transforma

Trazendo o mais belo e fulguroso diamante

O céu recoberto de nuvens amontoadas

Que escondem o sol, a lua e as estrelas

Quando, em silêncio vem o vento carinhoso

Lapidando as nuvens com cuidado e com capricho

Desnudando um céu recortado ou estrelado

Mostrando a beleza e o esplendor do infinito

Também minha alma, tão carente e tão sofrida

Se torceu na dor, no desespero, na saudade

E se tornou melhor, açoitada em sofrimento

Ela – essa alma lapidada – é tudo o que hoje

Eu tenho a ofertar, junto desse amor infindo.

Poesia da casa – Do que é feita a saudade?

Menina Mulher &Mulher Menina: Coração De Cristal...
   
 A saudade é feita de pequenos retalhos
 De momentos felizes já passados e vividos
 De beijos antigos ainda tão lembrados
 De mãos que não nos tocaram, mas desejamos.
  
  
 A saudade é feita de variados cacos
 De recordações de olhos que nos viram
 De tantas vozes que já não mais ouvimos
 De muitos carinhos que agora já não temos
  
  
 A saudade é feita de tantas lembranças
 De pessoas que não ficaram em nossa vida
 De algumas paixões ardentes que já esfriaram
  
  
 A saudade é feita de todos esses pedaços 
 De nossa alma que ficaram pelos caminhos
 E agora, recolhidos, estão guardados no coração. 
(08.12.2019)

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:8.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:107%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,sans-serif;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-fareast-language:EN-US;}

A
saudade é feita de pequenos retalhos

De
momentos felizes já passados e vividos

De
beijos antigos ainda tão lembrados

De
mãos que não nos tocaram, mas desejamos.

 

 

A
saudade é feita de variados cacos

De
recordações de olhos que nos viram

De
tantas vozes que já não mais ouvimos

De
muitos carinhos que agora já não temos

 

 

A
saudade é feita de tantas lembranças

De
pessoas que não ficaram em nossa vida

De
algumas paixões ardentes que já esfriaram

 

 

A
saudade é feita de todos esses pedaços 

De
nossa alma que ficaram pelos caminhos

E
agora, recolhidos, estão guardados no coração.

Centenário de Clarice Lispector

Hoje se completam cem anos de seu nascimento. Ela nos deixou foi em 1977. Mas nunca partiu, porque é imortal. Sua arte é eterna.

Amar os outros é a única salvação individual que conheço:

Ninguém estará perdido se der amor

E às vezes receber amor em troca.

Para escrever o aprendizado

É a própria vida se vivendo em nós

E ao redor de nós.

Amar eu posso

Até a hora de morrer.

Amar não acaba.

Na hora de morrer eu queria ter

Uma pessoa amada por mim ao meu lado

Para segurar a mão.

(Clarice LispectorAs palavras. Rio de Janeiro: Rocco, 2013, p. 257)

E, ainda:

Uma prece…
Clarice Lispector

“… alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,  faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e  no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.

[Clarice Lispector em “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, Editora Rocco, página 56]

Gratidão

Não sou “messiânica”, mas sou otimista. E acredito na força do pensamento, da gratidão e da palavra. Por isso sempre guardei esse texto, cuja autoria desconheço:

GRATIDÃO e BEM ESTAR: A gratidão pode melhorar nossa vida. (e sua saúde  também!)

Obrigado Senhor pelos meus braços perfeitos…
Quando há tantos mutilados.

Pelos meus olhos perfeitos…
Quando há tantos cegos.

Pela minha voz que canta…
Quando tantas emudecem.

Pelas minhas mãos que trabalham…
Quando tantas mendigam.

É maravilhoso Senhor!
Ter um lar para voltar…
Quando há tantos que não tem onde ir.

Sorrir…quando há tantos que choram.

Amar…quando há tantos que odeiam.

Sonhar…quando há tantos que se
revolvem em pesadelos.

Viver… quando há tantos que
morrem antes de nascer.

É maravilhoso Senhor, ter tão pouco
a pedir e tanto para agradecer…

Obrigado Senhor!!!