A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Linda, soberana, instigante, surge a luz em seu esplendor.
Há quantos milênios ela se apresenta no firmamento, e sempre tão bela, tão jovem, com tanto esplendor. Qual será seu segredo para nunca envelhecer, jamais aparentar cansaço, nunca perder o brilho?
Olho maravilhada para a Lua. Há quantas décadas ela me fascina, me atrai, praticamente me obriga a procurá-la no céu a cada anoitecer, a cada madrugada?
Nós, míseros seres humanos, imperfeitos, feiosos, desbrilhados… Tentamos ajudar a natureza com tratamentos, roupas, disfarces, mas não conseguimos enganar nem a nós mesmos.
Quando em nosso outono o vento da vida vem e nos espalha como folhas secas que se desprendem dos galhos, temos a certeza da decadência física. Não importa o que fomos na juventude, envelhecemos monstros.
No entanto, ao final cada entardecer, a Lua volta a seu ponto máximo. E brilha.
A cada noite mais brilha, orgulhosa de sua beleza eterna, rejuvenescida a cada anoitecer.
E, quando amanhece, um pouco pálida, ela se retira, desaparece, para surgir ainda mais exuberante no começo da nova noite.
A Lua está sempre sozinha. Linda, fascinante, a todos atrai, mas a ninguém pertence.
Solitária, quiçá celibatária, marcando presença e deixando saudade, parece que a Lua é feliz.
Estou pensando nas maiores descobertas e invenções da humanidade – do meu estrito e pessoal ponto de vista. Para muitos – quase unanimidade, as maiores descobertas foram os movimentos da Terra, as leis do movimento, a seleção natural, dentre outras. Já as maiores invenções foram as ferramentas básicas, a roda, a bússola etc. e tal. Não concordo nem discordo, mas tenho minha própria lista a respeito.
Acho que as maiores descobertas – aquelas que mais benefícios trouxeram à humanidade são, em primeiro lugar, o domínio do fogo. Como imaginar a vida sem um macarrão ou uma pizza, com o queijo derretendo do calor do fogo?Daí decorre que, dominado o fogo, nada melhor que a descoberta da pipoca – até o nome “pipoca” já induz à ideia de alegria. Impossível viver sem.
Depois, vem a descoberta do ciclo da lua – o que possibilitou inventar a semana (não muito interessante) mas, principalmente, o FIM DE SEMANA. O que seria de nós, meros mortais, sem sábados e domingos?
Para alegrar nosso fim de semana, a descoberta da possibilidade de banho de mar – sábado que se preze, se passa à beira-mar, com longas caminhadas e alguns mergulhos.
Mas, sozinho não tem graça, então, depois da paixão, e para a existência dela, a maior descoberta foi que dar flores é garantia de uma companhia para os fins de semana. Porque namorar é muito bom, e não há namorada que não ame receber flores.
De outro lado, quais seriam, para mim, as maiores invenções da humanidade?
Vamos lá:
De início, a maior de todas invenções foi a rede. Uma rede resume tudo o que precisamos para viver preguiçosamente – ela nos balança como um berço, ela nos acolhe e nos abraça, na rede dormimos, lemos, bebemos nosso whisky em paz e, para quem tem sorte, da rede dá para ver o mar.
Para o segundo lugar, acho que a maior invenção da humanidade foi o indispensável e ultrademocrático chinelo havaiano. Porque são bárbaros, confortáveis, coloridos, leves, calçam todos igualmente – ricos e pobres, feios e bonitos, altos e baixos… maravilha do mundo moderno.
Temos, ainda, na minha lista, a bola. Não a roda nem o círculo (cuja invenção eu louvo, mas acho a bola mais importante). A bola é objeto usado desde o berço até os últimos dias no hospital. Seja para brincar, correr atrás, fazer ginástica, até uma pequena para cuidar de artroses e movimentos. É o brinquedo-utilidade que acompanha a humanidade sempre.
Outra invenção maravilhosa foi o livro. Não só a escrita, mas o livro físico, aquele “amarrado” de papel que levamos para todo lado. Quer ser feliz? Una a rede, a pipoca e o livro… nada mais é preciso. Um livro pode ser muita coisa na nossa vida – viagem, conhecimento, descoberta, paixão, romance, drama, terror, suspense… nada mais poderoso que um livro para abrir a mente.
Há ainda o cinema – ou filme – que também nos transporta para outro mundo e dá um sabor todo especial ao dia.
Aí está a minha lista. Nem todos concordariam, mas avisei que era lista pessoal.
E você? Na sua opinião, quais as maiores descobertas e invenções da humanidade?
O “Catecismo do Revolucionário”, elaborado por Nietcháiev e seu grupo, exige que o revolucionário “coíba com a paixão fria da causa revolucionária” os sentimentos normais da pessoa humana, inclusive o sentimento de honra, porque “nossa causa é a destruição terrível, implacável, completa e geral”. Aos militantes cabe lançar mão de “atitudes brutais” com o fim de levar o povo a “uma rebelião inelutável”, para o que é necessária a união “com o selvagem mundo dos bandidos, esse único e verdadeiro revolucionário na Rússia”. O “Catecismo…” sugere ainda o comprometimento permanente de um grande número de “canalhas” de alta projeção política e social, para transformá-los em “nossos escravos e com suas mãos desestabilizar o Estado”. (Um romance profecia – Paulo Bezerra, em “Os Demônios”, de Dostoiévski, pág. 689, 1ª ed., 2004, Editora 34, tradução de Paulo Bezerra)
A utopia da igualdade entre os homens jamais morrerá. Se bem resolvida, sempre há de levar à melhoria nas condições de vida dos menos favorecidos, fomentando o bem comum.
Porém o que vemos é seu uso para o mal comum e o bem particular. Assim aconteceu em todos os países em que o comunismo já se tornou governo, sempre instalado através da força e mantido através de ditadura violenta e sangrenta.
No Brasil não conseguiram através da força, ainda que tenham tentado – mas a indolência atávica do povo nem sequer foi capaz de dar sustentação às – tão cantadas – pretensões de estabelecer o regime do povo e realizar o bem comum.
Tentaram na guerrilha urbana, tentaram na guerrilha rural, tentaram, tentaram, mas desistiram de lutar. Preferiram o caminho moderno da mentira, do marketing, da enganação, do puro engodo.
Para tanto, nada melhor que um bom publicitário, bem treinado para enganar a população, levando o povo a consumir o que não quer, a comprar o que não precisa. E seu principal instrumento, claro, é a TV. Entram, assim, descaradamente e sem convite em todos os lares. E mentem.
E mentem.
E mentem.
Para eleger o eterno candidato sempre derrotado inventaram-lhe até uma família feliz, deram-lhe uma esposa dedicada (nas trocentas campanhas anteriores ninguém viu família, ninguém viu esposa – apenas uma filha exposta pelos adversários de maneira desrespeitosa e atrevida).
Pintaram o diabo de cor-de-rosa e o fizeram passar por anjinho-de-procissão.
Mas, uma vez tomado o poder, os meios de agir se mostraram logo que a única intenção era o caminho para a ditadura e havia apenas e tão-somente um projeto de poder. Não um projeto de governo.
Navegando em calmos mares com muito vento a favor, resultado de uma conjuntura dos astros que poupou o mundo, por mais de seis anos, de qualquer crise econômica mais séria e aqui, particularmente, resultado de uma política séria adotada pelo governo anterior, em parte mantida descaradamente por seus opositores, para quem os fins justificam todos os meios, conseguiram alguns resultados.
Instituída a esmola governamental, fizeram os miseráveis se sentirem apenas pobres. Levaram ao maior endividamento privado da história.
Mas há um grande obstáculo: resultado da constituinte de 88, encontraram as instituições fortemente solidificadas.
Uma a uma necessitam demolir. Para isso, usam todos os meios.
O parlamento já foi desmoralizado, através da compra de parte de seus integrantes baratos, os quais estavam à venda.
Dezenas de milhares de cargos de confiança foram criados e se adonaram de todas as grandes empresas públicas e mistas, num aparelhamento sem paralelo.
Mas duas Instituições bravamente resistem: o Judiciário e o Ministério Público.
Seus membros não estão à venda. Ainda que a maior corte do país se encontre atualmente semi-aparelhada, uma vez que seus ministros ali são colocados por critérios estritamente políticos, não necessitando sequer de maiores conhecimentos jurídicos, não é o que acontece fora da “corte”.
Isso porque, cá embaixo, somente através de sério concurso público de provas e títulos dá-se o acesso a essas carreiras. E aqui não tem afilhado. Não tem compadre. Não tem política. Embora o dono-da-pátria anterior tenha dito que concurso público não é justo porque só aqueles mais bem preparados conseguem passar (ele desconhece a finalidade do concurso, exatamente de filtrar os mais bem preparados para o exercício das funções relevantes), é de ser reestudado o modelo atual, pois ainda vigente a vergonha do quinto constitucional nos Tribunais, mero resquício da Constituição de 1934, do milênio passado, e mais que ultrapassada.
Então só resta uma saída: vendo que esses vocacionados e inteligentes eles não cooptam, enquanto que os tolos nos quais cavalgam não conseguem penetrar nessas carreiras, o único jeito é criar leis espúrias de destruição das instituições, através da retirada imoral de suas prerrogativas e cassação de seus poderes de agir.
Claro que, para tanto, contam com a ignorância da população, assim mantida através de programas de (des)ensino básico e (des)educação sistemática.
Aparentemente conseguimos uma discreta virada de rota, mas ainda é cedo para acreditar que nos livramos dessa praga da esquerda. Talvez só estejamos numa pausa técnica, entre a marola e onda furiosa que dará outro rumo a nosso país.
Caminha, ainda hoje, minha amada pátria para um abismo escuro e profundo, de onde – estremeço ao pensar – não sairá jamais…