Dia de Poesia – Machado de Assis – À Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro. 

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro. 

Trago-te flores, – restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados. 

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

Dia de Poesia – Cecília Meireles – Tu tens um medo

Tu tens um medo:

Acabar.

Não vês que acabas todo o dia

Que morres no amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que te renovas todo o dia.

No amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que és sempre outro.

Que és sempre o mesmo

Que morrerás por idades imensas.

Até não teres medo de morrer.

E então será eterno.

 

Aldravias

Ontem a querida amiga Ana Maria Tourinho apresentou-me às Aldravias. Apaixonei-me.

Leio e releio seu lindíssimo Desfolhando Aldravias – e deleito o olhar – a fotografia primorosa do livro é simplesmente maravilhosa.

Penso nos Lusíadas e outros poemas épicos. Penso em Castro Alves e outros poetas clássicos.

Penso nos sonetos e em Vinicius de Morais.

Lembro-me dos haicais e Guilherme de Almeida.

Agora são as Aldravias, nova forma poética, trazida pela poetisa Andrea Donadon Leal…

“O máximo da poesia, no mínimo de palavras”

Seis palavras. Um poema:

                   conto

                   poema  

            prosa – poética

                   trova

                 aldravia

               inspiração

 

E ainda:

 

                 caneta

                    na

                  mão

                ideias

              brotam

              escrevo

 

Desafiou-me. Apresentei minha primeira Aldravia. Apaixonei-me.

                aldravia

                  verso

                  ideia

                poema

                 nova

                poesia

Não sei o que será de meus poemas e sonetos. O que será de meus haicais e trovas…

 

 

 

Despedida

A outra face da moeda do encontro – as mãos que um dia se encontraram e agora se separam.

A roda da vida que não para. E o que esteve junto já não mais permanece unido.

Tudo o que era já não é.

E suavemente as mãos se separam. Sem ódio nem rancor. Com o mesmo carinho com que se uniram e a mesma ternura que as ligaram.

Apenas agora cada uma seguirá sozinha e levará consigo o perfume da lembrança da outra.

 

 

 

 

 

Quando eu te deixar

Um dia hei de me cansar e me irei

E a ti, eu te deixarei para sempre

Quem te amará quando eu desistir de te amar?

Quem olhará nos teus olhos com tanto amor

Como sempre viste nos meus?

E ficará a teu lado em todos teus dias

E te esperará todas as noites e madrugadas?

Quem haverá de segurar tuas mãos nos momentos de dor

E nunca te dirá – mais tarde,  pois agora ocupo-me de mim?

Quem te enviará versos falando

De uma paixão ardente que abrasa a vida

Rompe o tempo e apaga a distância?

Quem mais te fará os versos que eu te fiz?