Mar e Paixão

 

Escalando rochedos marítimos

Era um mar

Um grande e sereno mar

Um leve balanço

E uma imensidão

E era um rochedo

Ancorado no meio do mar

À espera de marinheiros incautos

Um porto ou um perigo?

Um descanso ou ameaça?

Um lugar para chegar

Ou de onde fugir?

E era um amor

Um grande e sereno amor

Uma promessa de calma

E uma esperança

E era uma paixão

Ancorada no meio da vida

À espera de amantes incautos

Um porto ou um perigo?

Um descanso ou ameaça?

Um lugar para chegar

Ou de onde fugir?

 

(Poesia classificado em 2º lugar no CONCURSO LITERÁRIO VIRTUAL RELÂMPAGO AJEB-RJ/ 2020)

Para esquecer você

Amantes doces abraçam a silhueta - Baixar PNG/SVG Transparente

Um dia eu quis esquecer você…

Para tentar esquecer, comecei a lembrar

tudo aquilo que eu precisava esquecer.

Lembrei-me então desse seu olhar

que sempre me atravessava e enxergava

o que ninguém mais via em mim.

Esses olhos profundos, esse olhar firme

esse brilho de paixão que nenhum outro tem.

E então eu me lembrei do seu sorriso, tão meigo

tão amigo, animador. E lembrando agora essa boca

como não pensar naquele primeiro beijo

e na paixão que explodia como estrelas de fogo.

Para esquecer sua boca, pensei em seus braços,

em suas mãos, no abraço apertado em seu peito…

e me lembrei de noites de amor, de manhãs floridas

de tantas loucuras sonhadas, de verdades confessadas, 

de alguns segredos partilhados, de desejos realizados

de muitas risadas e até de algumas lágrimas…

e assim, ao tentar esquecer, mais e mais eu me lembrava

E senti saudade, muita saudade, de tudo que vivemos

Lembrando de você ao tentar esquecer, eu percebi

o quanto, para mim, você é inesquecível…

Cascata

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Nascido em uma pequenina fonte,

O pequeno fio d’água se libertou

E seguiu seu caminho de liberdade,

em busca de um mundo desconhecido

sonhando a grande vida que teria.

Juntou-se a outros pequenos e iguais

Tornou-se forte, líder poderoso.

Chegando na ponta de um penhasco

Não temendo a queda, atirou-se

E desceu formando linda cachoeira

Enquanto brilhava na vertiginosa descida

Sentiu-se grande, feliz, realizado

Mas tragado no grande rio que havia

Ao pé da cascata de prata e espumas

Não sobreviveu para realizar

Seus sonhos dourados de grandeza.

Pois seu destino não era ser grande

Mas apenas correr sobre os montes

E morrer em sua gloriosa queda…

Sobreviver

A Árvore da Vida

Não, eu não morri.

Mesmo que tenha desejado morrer quando te perdi

Ainda que tenha perdido a vontade de continuar a viver,

Eu não morri.

No momento em que todas as forças me faltaram

E eu me entreguei à fatalidade do destino

Como a ave que voa, não por necessidade

Mas pelo simples prazer de voar.

Como a árvore que cresce, não por querer ser grande

Mas apenas por ser seu destino crescer

Eu deixei de lutar. Eu deixei de ser eu.

Mas não morri.

A tenacidade da vida é mais forte que a vontade

E faz com que se continue vivo por fora

Mesmo estando, assim como eu, morta por dentro.

De amar

 

Naquele Segundo.: AMAR TE FAZ MAIS AMAR 09/01/2019

Seus olhos me atraem e meus olhos procuram os seus

Seus carinhos me cativam e despertam todas as sensações

Sua voz me chama docemente e eu vou até você

Sua boca me cala em um beijo intenso, sem fim

Seus braços me enlaçam, me prendem, acorrentam

Seu corpo me possui com tanta paixão e eu correspondo

Sua sede de vida me encanta, por isso amo tanto você.

E me sinto amada, esperada, desejada e querida.

Paixão, encanto, feitiço, desejo, loucura… não sei…

Meu sentimento não tem rótulo, não precisa de nome

Basta-me que exista. Esteja vivo. Tire meu chão e me dê asas

Eu sinto. Sou feliz. E isso é o que importa: simplesmente

Amar e ser amada. Plenamente. Nada mais. Nada menos.

Por que?

Se não era para ficares, por que chegaste tão cedo?

Se era para partires, por que vieste um dia?

Igual uma chuva, tão desejada, mas que não dura,

Porque vem o sol que apaga todos os sinais

Ou um céu estrelado por mais lindo e admirado,

Vem o amanhecer, o dia que a faz desaparecer

Se era para acabar e causar tanta dor, por que começou?

Se era para caíres em seguida, por que alçaste esse voo?

Da mesma forma que as marcas deixadas na areia

São em seguida desfeitas pelas ondas do mar

E os frutos, tão caprichosamente concebidos na natureza

São derrubados e destruídos pelo vento insensível

Se não pretendias amar, por que o juraste em falso?

Se não era para ser amor, por que surgiu esta paixão?

Como nuvens formando as mais lindas figuras

Que não permanecem, somem à primeira brisa?

Tudo que temos são as brancas espumas do mar

Que se desfazem quando se deitam em sua amada areia

Se não era para beijares, por que me deste este abraço?

Se não pretendias me levar, por que me chamaste?