Névoa

Quando me dei conta, ela já havia passado

Eu, pensando que a esperava chegar, não a vi

Só pressenti, intui, pensando haver chegado,

Mas ela já se fora quando enfim a percebi

 

Como uma névoa, que tudo cobre, onde se avança

Vendo os vultos a cada metro então vencido

Fui devagar, e a me guiar, só a esperança

Sem perceber que assim morria sem ter vivido

 

Ah, tempo, tão ingrato e sempre apressado

Que nesta alma provocou tanta erosão

Traga de volta aquela que não tem passado

 

Que, fugidia, se vai sem despedida

E a busco, e procuro, sempre em vão

Essa louca a quem chamo “minha vida”

De um passado

Quando pele contra pele em perfeita concha adormecemos,

Almas felizes, paixão satisfeita, tudo mais que perfeito;

A Terra girava em seu exato eixo, o mundo se acalmou,

A mansa chuva lavava os céus, o ar, nossas almas sedentas,

Tudo, todos e cada um ocuparam seu devido lugar,

A felicidade se fez e inundou a noite com sua paz.

O tempo, passou, cruel, separando quem se queria junto,

A vida, implacável, seguiu seu curso de angústias e dores

Como um rio cujas águas não podem ser contidas nem represadas,

E consigo tudo arrasta, separa, esparrama e desfaz…

Pouco a pouco apenas recordações se fazem presente

Nessa vida de repente tão sem brilho, tão vazia de você,

Meus braços, agora, só encontram o vazio para enlaçar.

Somente as lembranças hoje se deitam a meu lado

E tenho, por única companhia, apenas a sua ausência.

Por aí

Antologia - A voz da esperança

Quero a beleza do amanhecer na floresta, com o ruído das folhas ao vento

Misturados à algazarra animada dos pássaros e às cores do dia que surge.

Não posso ficar indiferente a tanta beleza, a tanta alegria da natureza

Que nesse altar se revigora todas as manhãs, e renova a vida, o céu e a terra.

Mas também quero o silêncio longo do anoitecer no lago da montanha

Com suas cores exóticas, brisa amiga, longos pios ao longe dentre as árvores

E a água se vestindo de ouro, de azul, de prata, de cinzas vários até enegrecer

E a noite, cálida e amiga, despertando os corações para novas paixões.

E não quero viver longe da cidade grande, com seu caos organizado, sua vida

Pulsante que nos provoca sempre – sobreviver é a proposta, viver é o desafio

Onde tudo é difícil, mas maravilhoso, tudo longe, mas compensador e vibrante

E ali, na madrugada que se esvai, então dormir com a certeza de um novo dia.

Mas preciso do mar, meu amado mar, de tantas vestes diferentes e humor variado

Nas horas sem fim, que passo a mirar as águas, as ondas vadias que me chamam

Ouvir seu canto infinito, sua eterna canção de me ninar nas noites insones

Apenas estar. Sentir. Não pensar, não sofrer, voltar às origens da vida sem dor.

Tudo isso eu quero, ver a vida de tantas e diferentes janelas, nunca ficar parada

Saber que em algum lugar alguém me espera com ansiedade, sabendo que irei

Porque nunca estou, sou vento, sou chuva – apenas passo e não me detenho.

Voltarei pelo seu amor: não posso parar, sou ave de arribação, espere por mim.

Dentro do seu abraço

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Dentro do seu abraço há um mundo inteiro

Todas as luzes e todas as cores que existem

Da mais pura paz do branco ao branco-azulado,

ao azul esverdeado alusivo a tantos mares acolhedores

Cores frias, cores quentes, tantas são as cores,

do veemente amarelo que acende todas as outras

aos mais intensos tons da paixão do vermelho e do roxo

E o repouso do preto total e aconchegante.

Dentro do seu abraço há um mundo inteiro

Todos os sons e notas musicais que existem

Da harpa celestial dedilhada por anjos do céu

quando me recosto em você no aconchego da paz

às melodias que cantam e choram amores idos e perdidos

 e aos mais estridentes e dissonantes acordes do rock

passando pelos convites do Bolero, tão fortes

à paixão dos acordes da Fantasia Improviso e ainda

aos mais intensos sons dos gemidos da paixão em brasa.

Dentro do seu abraço existe um mundo

Mais que apenas um simples mundo, mas muitos mundos

Mundos desconhecidos, sonhados, mundos conhecidos e vividos

da criança que um dia fomos e ainda a procuramos dentro de nós

dos jovens sonhadores esmagados pela dura realidade da vida

dos adultos que se pretendiam onipotentes e invencíveis

E hoje, já no nosso outono existencial, apenas conscientes

do nada que somos e do pouco que fizemos por nós.

Dentro do seu abraço existe um mundo

O mundo que nos resta neste final de vida

Que traz aconchego, reacende brasas adormecidas

Espalha as cinzas que cobriam o coração

E reaviva a paixão que ainda existe em nós.

Basta, para tanto, braços abertos e um sorriso verdadeiro

Que dizem: “vem” na acolhida apaixonada que

Cria todo esse mundo de encanto, que só existe

Dentro do seu abraço.

Sem palavras

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Quando você chegar

Na hora mágica do nosso encontro

Não diga nada. Absolutamente nada.

Deixe que seus olhos digam o quanto me procuraram

E que sua boca sacie, na minha, a sede da caminhada

E que suas mãos em meu corpo demonstrem o tamanho

Da saudade que você sentiu de mim

Mas não fale nada. Absolutamente nada.

Apenas sorria pela felicidade do reencontro

Esse seu sorriso maroto e de garoto arteiro

Olhe nos meus olhos com seu olhar profundo

Que atravessa meu ser e chega à minha alma

Abrace-me com sofreguidão de quem nunca

Foi abraçado com paixão nessa vida

Beije-me com todo o desejo contido no universo

Não quero palavras vãs, não quero explicações frágeis.

Por isso, quando você chegar

Na hora mágica do nosso encontro

Não diga nada.

Nada precisará ser falado.

Aos pares

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Pássaros livres, voando aos pares

Que assim escolheram viver, a dois.

A paixão que os liga e mantém juntos

Vive o agora, não pensa no depois

 

Fiéis um ao outro e a si mesmos

Voam leves e fugazes no infinito

Brincam com a vida, sempre felizes

 

Nada os preocupa nem tolhe

Suas asas lhe garantem o viver

Até que os separa a cruel pontaria

 

E vê cair, indefesa, de inopino

A companheira, no voo abatida,

Pela pedra do moleque do destino