Recordações

Já dizia a canção que “recordar é viver”… 

Com toda razão.

Remexendo antigos papéis, encontro um caderno de poesias feito pela minha amiga Raquel. Comecei a reler poesia por poesia.

Dentre elas, uma que sempre “me inspirou”, da qual não sei o título e desconheço a autoria. Mas trouxe-me de volta à memória o tempo de colégio, quando – Raquel e eu – líamos todos os livros que conseguíamos (e não eram poucos, líamos vorazmente), líamos poesias, copiávamos aquelas que mais nos agradavam. E com toda essa recordação veio a saudade.

Saudade de um tempo que jamais voltará, da amiga hoje distanciada, da leveza dos tempos de adolescentes. A nostalgia por ver que tudo passou, ficou no tempo… Mas o amor pela leitura e em especial pela poesia não acabou. Esse a tudo resiste.

Deixo, aqui, esse texto para dividir com vocês:

 

“Dos restos de um amor igual ao nosso

Não pode uma amizade florescer,

É justo que tu o queixes, não o posso

Depois de tanto amar-te, apenas te querer

 

Embora terminássemos sem briga,

Sem um gesto ou palavra de rancor

Como posso chamar-te meu amigo,

Se já te chamei de meu amor?

 

Como posso apertar indiferente,

Sem sentir uma forte emoção

As mãos que apertei apaixonadamente,

As mãos que esmaguei em minhas mãos?”

Votos de Ano Novo

Todo dia 31 de dezembro há uma intensa troca de votos alvissareiros através das redes sociais. Tenho a maior preguiça do mundo em participar disso.

Entretanto, em nome da boa convivência, para que ninguém se sinta excluído do meu carinho, transcrevo um poema de Drummond, com os desejos mais simples, mas que reflete exatamente o que desejo a vocês, leitores desse blog:

Desejos
Desejo a vocês…
“Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu”