Da mesma forma que a solidão é uma bênção, os amigos também o são. Sou de poucos amigos. Mas aqueles a quem chamo amigos, são realmente amigos. Relacionamentos afetuosos, antigos, recíprocos, atenciosos. Não é possível amizade de mão única.
Tenho um amigo fiel. A toda prova.
Estamos juntos desde minha juventude. Sempre juntos.
Ele esteve comigo quase diariamente. Estivemos juntos em todos os bares, em todas as festas.
Fez-me companhia nas grandes alegrias. Viu-me chorar nas tristezas e separações.
Noites e madrugadas era minha única companhia. Estava comigo no maior porre da minha vida. Está sempre ao lado, prestativo e dedicado. Nunca me faltou nem se ocupou de outros, deixando-me de lado.
É aquele amigo com quem posso contar nas noites de insônia.
Nos finais das longas tardes, quando é preciso calma e meditação.
Nas noites em qualquer lugar do mundo, se o chamar, ele está comigo.
Para ouvir música, ler poesias, ver um filme.
Chorar, desabafar, pensar nos problemas e procurar soluções.
E ele ali, a minha melhor companhia. Nunca me abandonou, nunca me deixou falando sozinha.
Meu freio nos desvarios e meu gatilho para me atirar.
Silenciosamente, ele está a meu lado. Sempre.
Meu melhor amigo, o whisky.
