De novo, na praia

Depois de mais de sete meses ausente, aguardando a reabertura da vida, ontem consegui ir à praia. Encerrei meu involuntário isolamento. Saí na estrada. E ninguém mais vai me segurar.     

Cheguei na praia, fiz minha saudação ao mar, amor maior na minha vida. E perguntei: sentiu minha falta? O que você tem para mim? E ele me mandou o primeiro presente.   

  

A praia sem a fedentina dos fritadores de pastel e camarão estava bem mais agradável. Continua proibida a permanência com cadeiras, barracas, guarda-sol… então as pessoas caminham, algumas se sentam na areia, mas há uma outra dinâmica. E a limpeza da água é algo que faz pensar que, de certa forma, essa peste ajudou em alguma coisa.     

Não há mais montanhas de lixo na areia no final do domingo. Infelizmente, porém, alguns abestalhados não entenderam e levam seus fedidos cães para a praia, para o mar. E vemos cocô de cachorro na areia.       

Esse povo precisa de fiscalização e penalização. Não basta a regra. Só o chicote funciona.     

Fiz uma longa caminhada.       

Sem usar máscara. Coloquei essa indecência para descer no elevador e atravessar a rua. Chegando na praia, tirei. RESPIREI! Vi pessoas caminhando de máscara. Nada tenho contra. Tem bobo para tudo na vida. Mas minha rinite alérgica praticamente desapareceu em dois dias. 

Arrastei cinco quilômetros esse mar, até sentir a musculatura reagir. Aí caminhei o restante pela areia. Em seguida, para encerrar, tomei um longo banho de mar – que, curiosamente, mesmo sendo inverno, não está gélido, mas agradável. Em alguns pontos até quentinho.   

Renasci.     

Hoje, voltei à praia, o sol mais forte, bem menos pessoas, tudo mais bonito.     

E o mar, feliz de me ver, trouxe vários presentes: 

Faltam dois, com os quais presenteei duas garotinhas – um de cerca de um ano e meio que abriu um lindo sorriso quando passei perto dela. E outro, dei para Giovana, uma morena que mais parecia uma boneca se mexendo, por volta de três anos de idade que encontrei perdida e a ajudei a encontrar a mãe.       

Depois fui para o mar.      

E lá fiquei até cansar.      

A areia me acolheu, o mar me aquietou, o sol me aqueceu e Deus me abençoou. Porque aqui, nesta praia, é o único lugar do mundo onde me sinto realmente abençoada. Onde meu corpo e minha alma ficam em paz.     

Um dia eu voltarei a morar aqui. O mar sabe disso. E vai me esperar.

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