Vivendo

Un impulso en la empresa a la economía colaborativa | Sentidos | Cinco Días

Viver é ir. Lançar-se. Em todas as direções. Alcançar outras dimensões. Literais ou figuradas. Não é possível viver sem sair do lugar. Ainda que o corpo não possa se mover, que a mente se desloque. Conheça novas realidades. Outros cantos do mundo.

Voando rumo ao norte, alcançar a costa leste da Europa, e ver o sol nascer atrás da África, na direção do fim do deserto. Vermelho, como se pusesse fogo no céu do outro lado do mundo. Não existe espetáculo mais lindo. Tantas vezes quantas se avista esse amanhecer, tantas outras desejamos ver. Porque aquele nascer do sol abrasador, magnífico, é um nascer da vida que ficará eternamente gravado em nossa memória.

E de grandes e pequenos momentos as viagens enriquecem nosso viver. Um colar de pérolas de luz aos pés do vulcão, em noite clara do golfo sorrentino. Uma cerveja espetacular em um entardecer na linda Praga. A alegria e hospitalidade da família cigana que nos recebe para um típico jantar em Budapeste. E a neve atapetando Paris na noite de Réveillon.

As meninas armadas andando despreocupadas pelas ruas de Jerusalém. E as tâmaras frescas colhidas diretas da árvore nos jardins do hotel no Cairo…

E Portugal? Terra linda, acolhedora. Sentar no penhasco que ficava no fim do mundo, local no qual, segundo Camões, em Os Lusíadas, canto III, “Eis aqui, quase cume da cabeça da Europa toda, o Reino Lusitano,  onde a terra se acaba e o mar começa (…)*, ponto este localizado no Cabo da Roca…

E sentir a vida no mesmo idioma, ainda que em outra linguagem, pelas ruas da linda Lisboa…

São tantos países, tantos lugares acolhedores, maravilhosos.viver não cansa se a vida é vivida por aí, entre descobertas e viagens, novas cores, novas paisagens… Basta ir. Leve e de alma aberta. E ver a cor do sol e dos telhados. E ver a chuva mansa e a neve fria nas ruas. E receber o sorriso de tantas pessoas diferentes. Andar pelo mundo. Sem compromisso. Sem preconceito. Apenas para conviver. Experimentar as comidas, brindar com as mais diferentes bebidas. E simplesmente andar nas ruas vendo a vida de outro ângulo.

Mas também viajar mesmo sem se deslocar no espaço.

A imaginação é mais forte do que a realidade. E podemos ir longe dentro de nós mesmos. Isso se chama sonhar. Soltar as cordas da fantasia e navegar.

Atravessar fronteiras e barreiras. Chegar em outros mundos, outros planetas.

Se possível, viajar fisicamente.

Se não, viajar através dos livros.

E, ainda e sempre, viajar nos sonhos que nos é dado sonhar…

Quem está parado não está vivendo.

A vida é não ficar. Não permanecer.

Viver é movimento.

(Imagem: banco de imagens Google)

Memória do blog – Escrevendo 2020

Pouco ou nada mudou. Muita coisa piorou. Insegurança. Fome. Miséria. Desemprego. Falências. Moléstias. Quase todos vacinados. Praticamente todos doentes… Volto a essa publicação de 24.07.2020

Por que foi que cegamos. Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão. Queres que te diga o que penso. Diz. Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que, vendo, não veem. (Ensaio sobre a cegueira, José Saramago)

Ler junto - A Crítica de Campo Grande Mobile

Se, atualmente, alguém me perguntar sobre um livro que explique ou retrate nossa realidade, terei dificuldade em apontá-lo.     

Talvez faça um “mix”.     

O mundo foi alterado. O nosso “modus vivendi” desapareceu para sempre.

Depois de escrita a História, alguns fatos sempre são destacados como causadores de mudanças graves e notáveis. Na minha opinião, os futuros historiadores grafarão “depois do atentado das torres gêmeas” que foi o primeiro fato mais catalisador do curso da História depois do final da Segunda Guerra. Teve consequências no mundo todo.

Alguns anos de neurose com relação à segurança, sustos, e então vêm os “naufrágios com morte maciça dos refugiados e imigrantes no Mar Mediterrâneo”, sacudindo o mundo de seu comodismo e mostrando o horror que acontecia do outro lado da civilização.

A par disso, terríveis e violentas manifestações da natureza causando mortes e danos.     

E, depois, eles dirão: podemos apontar como fato que marcou o fim de uma era, a “pandemia pela peste chinesa no ano de 2020 – o ano que não existiu”.     

Quando o mundo parou, os aviões pousaram definitivamente, as pessoas foram trancafiadas em suas casas, passaram a andar mascaradas em todos os países do mundo, inegavelmente algo mudou. E para bem pior.

Olhando para trás, não só estes últimos 129 dias em que fomos brutalmente atingidos, mas desde cerca de duas décadas atrás, quando o Brasil começou a caminhar sem rumo, para chegar nesse caos, entendo que posso apontar alguns autores que viram ou previram a realidade atual.

Tudo começa com “A revolução dos bichos”, de George Orwell. Difícil acreditar que foi escrito na década de 40, por um inglês, e não no Brasil depois de 2003.       

Passamos por Tomasi de Lampedusa, com toques de Marcel Proust e Leon Tolstói.     

A situação política vai-se complicando. Entramos em Jorge Amado e Eça de Queiroz.      

Aldous Huxley e seu “Admirável Mundo Novo” surgem no horizonte próximo.     

De repente, simultaneamente somos jogados nas páginas de Garcia Marquez, por um neo-alienista de Machado de Assis, e passamos a viver um pesadelo de Franz Kafka, com pinceladas de Albert Camus, Daniel Defoe e José Saramago.     

E, diante de tudo isso, acredito que voltamos a Orwell, e, que, finalmente, “1984” chegou.     

Basta escolher. Todos nos trazem a 2020.

Dia de poesia – Castro Alves – Beijo eterno

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormindo em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

Diz tua boca: "Vem!"
Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

(Imagem – Foto de Maria Alice)

Dia de poesia – Sol Holanda – Quando te encontrar

Vibe Positiva ! — Abraçar é encontro de almas e mentes ! #abraço...
Quando te encontrar, não vou falar nada 
Vou olhar nos seus olhos 
Vou cair no seu abraço, 
Vou chorar nos seus braços 
Quando te encontrar, não vou falar nada , vou deixar você tocar meu rosto, pra enxugar as lágrimas que rolam.
Quando te encontrar não vou falar nada, vou deixar que nossas Almas se falem, se toquem
Quando te encontrar não vou falar nada, vou segurar sua mão e andar de mãos dadas
Quando te encontrar, não vou falar nada, vou rir pra você e me encantar com o seu riso
Quando te encontrar, não vou falar nada vou sentir a emoção de estar contigo 
Quando te encontrar, não vou falar nada, 
Vou deixar que nossas almas se falem, que Nossas almas finalmente se acalmem, se alegrem, por finalmente estarem juntas
Quando te encontrar, não vou falar nada, pois nenhuma palavra será capaz de expressar o que sentimos 

Memória do blog – Sonhar acordada


Je voudrais que tu sois là / que tu frappes à la porte et tu me dirais c’est moi / Devine ce que j’apporte Et tu m’apporterais toi.
(Boris Vian – Berceuse pour les Ours qui ne sont)



An Old Wooden Door is Arkivvideomateriale (100 % royaltyfritt) 8929027 |  Shutterstock

Leio essa estrofe, e sonho. 
Sonho que pode ser verdade. 
Quando você batesse em minha porta, 
e simplesmente me trouxesse você,
com que amor essa porta seria aberta,
com que paixão eu diria para você entrar...

Sonho com a felicidade
que seria ver você voltando
a alegria de saber de sua volta
trazendo você de volta para mim...

Atire a primeira flor quem nunca sonhou com essa cena. Com essa chegada ou com esse retorno.

Vivemos na eterna espera da realização da paixão, essa força vital que nos mantém vivos e respirando.

Quando tudo naufraga, tudo afunda dentro e em redor de nós, a que nos agarramos? À paixão que segura nossa cabeça fora d’água e nos faz querer continuar vivendo. Para que? Para realizar essa mesma paixão.

A mais leve esperança de viver plenamente a paixão é a senha para o sonho, para a realidade, para a motivação vital.

A potência motriz de nossa existência é, simplesmente, a paixão.

Por tudo e por alguém.

E não existe o lado negativo em tudo isso?

Claro que existe.

A paixão nos torna saudosos, fantasiosos, gulosos, impacientes, destemidos, atrevidos, por vezes insones ou angustiados. Tudo bem. Faz parte.

Talvez a pior parte seja, mesmo, a saudade. Porque é a única que não depende exclusivamente de nós para ser aniquilada. E, pela saudade que corta mais do que faca afiada, nos tornamos sonhadores.

Sonhamos acordados com o momento encantado do reencontro.

Apaixonar-se é encantar-se. E encantar-se é ser enfeitiçado. Paixão é feitiço.

Tudo o que se quer é ter, frente a frente, ao alcance do abraço, a pessoa pela qual nos apaixonamos. A distância é a tortura do apaixonado.

Então, a cena modelo da realização de nosso sonho está nas palavras de Boris Vian, “Eu queria que você estivesse ali, que você batesse na porta e você me diria Sou eu. Adivinha o que te trago. E você me traria você”

(Imagem: banco de imagens Google)