Dia de Poesia – Pippo Bunorrotri – Ecos

En los ecos

de la noche,

cuando la luna

ilumina ilusiones

y anodinas promesas,

que cuelgan del hilo

de las horas que pasan,

destellos de adrenalina

hostigan la pasión

de la fantasía

de un deseo mortecino

en las brasas de una añoranza

que fue un sueño,

y en el universo apagado

de la razón de la mente

buscas esa lejanía

donde quizás el velero

de la certidumbre

navegue en el rumbo

que conviene

a las estaciones

de un destino

que desconoces.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de Poesia – Virginia Victorino – Renúncia


Fui nova, mas fui triste… Só eu sei
Como passou por mim a mocidade…
Cantar era o dever da minha idade,
Devia ter cantado e não cantei…

Fui bela… Fui amada e desprezei…
Não quis beber o filtro da ansiedade.
Amar era o destino, a claridade…
Devia ter amado e não amei…

Ai de mim!… Nem saudades, nem desejos…
Nem cinzas mortas… Nem calor de beijos…
Eu nada soube, eu nada quis prender…

E o que me resta?! Uma amargura infinda…
Ver que é, para morrer, tão cedo ainda…
E que é tão tarde já, para viver!…

(Imagem: banco de imagens Google)

Memória – Um dia, você será um “tanto faz”

Pensa bem o que representas dentro desta casa. De um modo geral. Teus amigos te estimam, muitas vezes és, para eles, motivo de alegria e prazer, e ao teu coração parece que não poderias viver sem eles; no entanto, se partisses, se fosses arrancado desse círculo, por quanto tempo sentiriam o vazio que tua perda haveria de provocar nas suas vidas? Por quanto tempo? Ah! O ser humano é tão efêmero que até mesmo onde está verdadeiramente seguro de sua existência, onde sua presença produz uma impressão genuína, ou seja, na lembrança, na alma das pessoas que ama, mesmo aí ele se apaga, desaparece, e isso num espaço de tempo tão curto! (J. W. Goethe – Os sofrimentos do jovem Werther)

Arquivos esquecer alguém -

Quanta importância as pessoas se dão a si mesmas, mas não conseguem perceber se lhes é dada, pelos outros, tamanha importância.

Cada um tem uma imagem e uma dimensão de si mesmo, sem apreender o mundo exterior, para que possa enxergar sua exata imagem e sua exata dimensão no olhar do outro. Isso é intrigante.

Ninguém é. Ninguém tem. Ninguém pode. Porque esses verbos são transitivos. Necessitam de um complemento para que façam sentido ao leitor. Não há como interpretar qualquer um deles sem que se lhes dê um significado pelo complemento.

Assim são as pessoas. A importância que cada um tem em determinado momento ou circunstância não se transmite para toda a existência e muito menos para sua descendência. Tudo muda em questão de momento. Nada fica. Nada permanece. E, neste caso, os verbos são intransitivos.

Ou seja, para o positivo, necessita-se de complemento. Para o negativo, cada um se basta a si mesmo.

Alguns sentimentos que movem a humanidade servem, na verdade, para a destruição de todos e de cada um.

A arrogância, a altivez, o sentimento de superioridade demonstram, quando vistos com isenção e lucidez, um complexo de inferioridade invencível. Porque pretender ser melhor que o outro mostra que a sensação é que se é bem pior.

A inveja destrutiva pelo que não se tem leva à derrocada da personalidade, a ganância pelo que o outro tem mostra o desespero de não se sentir capaz de construir.

E, o pior, o sentimento de dominação, de que o outro não sobreviveria sem sua presença, é a perdição de muitos.

Porque o ser humano é resiliente e sua própria existência vem em primeiro lugar e deve ser defendida a todo custo. A perda do outro – para a vida ou para a morte – pode provocar algum sofrimento, mas que será superado.

Ninguém morre porque perdeu uma pessoa. Pode chorar. Pode gritar. Pode até querer morrer. Mas não morre. Sobrevive.

E um dia, com grata surpresa, perceberá até que pode ser feliz mesmo sem aquele que se foi.

Do outro lado, não sei se com surpresa ou com desespero, o que se foi perceberá que o abandonado voltou a ser feliz. Que todo o sofrimento, as lágrimas, a saudade, tudo se esgarçou com o tempo. E que foi completamente esquecido.

Quem muito se afasta, em um momento perde o fio para conseguir voltar. E se torna um “tanto faz” na vida do outro.

Fique perto, porque a distância, seja real, seja afetiva, leva ao esquecimento.

Dia de poesia – Cecília Meireles – Canção

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.

(Imagem: Foto de Maria Alice)