Franciane Costa – De vez em sempre você vai lembrar de mim!

Você vai lembrar de mim seja quando passar em frente a alguma livraria e ver o livro que eu sempre dizia ser muito bom, seja quando você abrir o jornal e lá estiver uma crônica da Martha Medeiros, ou quando veres algum livro do Érico Veríssimo.

Seja pelo som de algum riso calmo e fácil, seja quando seu telefone tocar no meio da tarde ou em plena madrugada, seja pela minha fixação em português.

Quando você estiver na locadora, ou quando passar na televisão aquela comédia romântica que eu tanto gostava, você vai lembrar de mim. E não adianta negar, nós dois sabemos que neste momento é em mim que você vai estar pensando.

Você vai lembrar de mim nas sextas à noite te esperando no portão, ou quando alguém te oferecer um chimarrão e você tomar só para agradar.

Você vai lembrar de mim abrindo a porta do seu carro, você vai pensar em mim quando alguém se atrever a te dar ‘um beijo de esquimó’, você vai rir e quem sabe quase sussurrar meu nome.

Você vai lembrar de mim quando no rádio tocar “porque eu preciso dela, sou dela…”, quando você escutar algum pagode, vai lembrar de mim tentando converter teu gosto musical, ou quando alguém preferir lacta branco a qualquer outro tipo de chocolate, você vai tentar disfarçar, mas meu sorriso vai ecoar no seu pensamento e de vez em sempre, você vai lembrar da menina que te perguntava indignada: O que tu ta me olhando?!

Você vai lembrar de mim, não adianta. E sabe como eu sei que você vai? Porque eu tô aqui assistindo um vídeo do seriado Guerra e Paz, e não consigo fazer outra coisa, a não ser pensar em você!

(Imagem: banco de imagens Google)

Parei (autoria desconhecida)

Parei de insistir onde não havia o que estava procurando.

Parei de esperar em cadeiras ocupadas.

Parei de colocar minhas expectativas em pessoas ocupadas.

Parei de fingir que o outro entendia.

Parei de colocar meus olhos e esperança em corações que não queriam bater ao meu lado.

E então…magia aconteceu…

Voltei para mim, como o único destino possível.

Voltei para mim, como a única maneira disponível.

Voltei para mim, como a única reunião pendente.

Voltei para mim e pude ver as feridas, as cicratrizes, as dores e minha alma desidratada, pedindo água.

E eu me aceitei.
Eu acariciei.
Eu me perdoei.
Deitei no meu ombro.
Eu me nomeei com minha própria voz.
E eu me encontrei diferente.
Eu me tenho de novo.

E então…magia aconteceu…

Eu tenho as chaves das portas que quero abrir.
Aqui dentro.
Lá fora, existem apenas os bloqueios.
Mas eu decido onde e como isso depende de mim.

Eu decido para onde.
Eu escolho como …
Eu escolho com quem …
Eu decido o que eu quero …
Eu decido o que mereço … e o que não!

E a magia aconteceu para mim, porque ela nunca partiu, porque ela sempre viveu em mim, mas ela não me permitiu vê-la, por rejeita-la e então desci às minhas sombras e me levantei novamente, me abracei, me aceitei e ainda estava viva.
Com força e fé.

(Créditos: WitchWolf _ Lua de Panô)

Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 14 – Manoel de Barros

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, no dia 19 de dezembro de 1916. Filho de João Venceslau Barros e de Alice Pompeu Leite de Barros passou a infância na fazenda da família localizada no Pantanal.

Na adolescência estudou em colégio interno na cidade de Campo Grande, época em que escreveu suas primeiras poesias.

Manoel de Barros foi um poeta espontâneo, um tanto primitivo, que extraía seus versos da realidade imediata que o cercava, sobretudo a natureza, apesar da formação cosmopolita.

Mostrava-se distante do rótulo de “Jeca Tatu do Pantanal”, que lhe tentaram impingir. Gostava de invenções verbais e neologismos como “eu me eremito”.

Sua consagração como poeta se deu ao longo das décadas de 80 quando recebeu o “Prêmio Jabuti” com a obra “O Guardador de Águas” (1989).

(Fonte: eBiografia)

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

O apanhador de desperdícios

Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Para meu pai, no seu aniversário

Pai, hoje é seu aniversário. Sempre foi um dia sagrado no calendário da nossa família, que já não tem mais o senhor aqui para comemorarmos juntos. Não podemos visitá-lo nem abraçá-lo. Mas, onde quer que o senhor esteja, envio de presente sua música favorita. Ouça-a e nossos corações estarão batendo num mesmo compasso, vencendo a morte e a separação.

sem dor

Doeu. Doeu muito. Doeu demais.
Ainda que quebrasse todos os ossos do corpo ao mesmo tempo
Esmagasse todos os músculo
Se lhe arrancassem todos os órgãos
Ou lhe tirassem a pele em vida,
Nada
Absolutamente nada
Doeria tanto quanto essa ausência
Por isso agora parte
Já não chora – as lágrimas secaram
Já não dói – esgotou a capacidade de sentir dor
Já não sofre – exaurido na dor já sentida
Parte. 
Apenas parte.
Sem lamento. Sem sofrimento.
Sem bagagem. Sem adeus.

(Imagem: banco de imagens Google)