Abraço

As nossas mãos se encontraram e se entrelaçaram

mas não foram apenas minhas mãos que você tocou,

como também não foram apenas suas mãos

que apertei entre as minhas mãos

naquele intenso, eterno e breve momento

em que nossos olhos se viram e nossos olhares se cruzaram.

 

Entramos dentro da alma, um do outro. Então

suavemente nossos corpos se tocaram

e no ritmo do desejo se enlaçaram

em um abraço de amor e rendição.

Na paz do instante em que fomos apenas um:

dois corpos unidos no abraço acontecido.

 

Senti meu coração bater junto do seu.

Seu sangue corria tentando se misturar ao meu.

Momento divino, anjos aplaudiram,

estrelas surgiram para nos ver.

A noite chegava aos poucos,

prometendo a lua dos namorados.

 

Todos os sons mundanos cessaram, só ouvimos nossa respiração.

Então a magia cessou, os corpos se afastaram;

os olhares, constrangidos, se voltaram a outras direções

e as mãos se soltaram, tímidas e envergonhadas

por terem proporcionado aquele abraço infinito

que durou eternamente por alguns segundos.

 

Um breve, fugaz e infinito momento nos uniu novamente

Antes que a nova separação se impusesse entre nós dois.

Mas aqui na minha alma você permaneceu,

deixando um rastro de querer dentro de mim.

E arrancou um pedaço de meu ser

e o levou consigo, para sempre, em sua alma

Arte

Desde sempre convivi com arte.

Arte no sentido clássico. Arte como atividade humana que desperta uma emoção.

Estética, beleza, harmonia…

Assim foi durante a infância e adolescência, quando estudava música e fazia conservatório musical, com aulas de história da música e história da arte.

Também pelo interesse e estudo sobre a matéria. Sou fascinada pela música e pela escultura, as quais considero a expressão máxima da capacidade humana de tocar a alma de outro ser humano.

Admiro as outras artes, como a pintura – não sei desenhar nem o elefante dentro da cobra do Pequeno Príncipe. Admiro quem desenha, quem escreve, quem pinta, quem encena, quem canta, quem dança…

Ao mesmo tempo, infelizmente, presenciamos uma nova era artística. De onde o belo foi banido.

Nada de bonito, nem de harmônico, nem de sentimento estético.

A arte foi desconstruída para dar espaço a pessoas completamente sem talento.

Imagino, aqui, os museus do futuro …

No dia em que nos separamos

No dia em que nos separamos o sol brilhava

E pássaros inundavam o ar com seu canto delicado.

Naquela noite a lua, insensível, surgiu radiante

E reinou soberana liderando o séquito de estrelas brilhantes.

E as flores da noite se abriram e perfumaram os caminhos.

As aves, amantes, aos pares se recolheram aos ninhos,

E o vento soprou mansinho,

apenas leve brisa a acalentar as folhas.

Nada nem ninguém viu meu desespero, tanto sofrimento;

Lágrimas escondidas misturadas ao sangue

corriam em minhas veias,

Não houve dentro de mim qualquer alegria,

qualquer alívio ou bálsamo

Somente a dor aguda de mais uma separação,

que me inundava toda

E ocupava os lugares onde até então era só alegria,

sorriso e êxtase.

Amanheceu um novo dia.

A natureza não se abala com a dor alheia.

Como se tudo estivesse bem, o sol brilhou novamente.

Dia de Poesia – Encontro das águas

Encontro das Águas

(Quintino Cunha – poeta cearense e amazonense de coração)

Vê bem, Maria aqui se cruzam: este
É o Rio Negro, aquele é o Solimões.
Vê bem como este contra aquele investe,
como as saudades com as recordações.

Vê como se separam duas águas,
Que se querem reunir, mas visualmente;
É um coração que quer reunir as mágoas
De um passado, às venturas de um presente.

É um simulacro só, que as águas donas
D’esta região não seguem o curso adverso,
Todas convergem para o Amazonas,
O real rei dos rios do Universo;

Para o velho Amazonas, Soberano
Que, no solo brasílio, tem o Paço;
Para o Amazonas, que nasceu humano,
Porque afinal é filho de um abraço!

Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto.

Aquela outra parece amarelaça,
Muito, no entanto é também limpa, engana:
É direito a virtude quando passa
Pela flexível porta da choupana.

Que profundeza extraordinária, imensa,
Que profundeza, mais que desconforme!
Este navio é uma estrela, suspensa
Neste céu d’água, brutalmente enorme.

Se estes dois rios fôssemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!…

 

Anotações de viagem _ Pompeia

11/01/2011 

 

Pompéia! Um sonho de infância conhecer Pompéia e o Vesúvio! 

Valeu a pena sonhar tanto, porque é maravilhoso estar neste lugar. 

Chuvisca, nada que atrapalhe o caminhar pelas ruelas desta cidade tão interessante.       

A erupção foi no ano 79 d.C. e já havia fast foods em Pompéia. 

Importante porto marítimo da época, cidade de comerciantes e tripulações variadas, vendiam comida pronta em lojas. Algumas resistiram ao tempo. Moderno, não? 

           

O curioso é que a lava do vulcão não atingiu a cidade para destruí-la. Apenas a intensa nuvem de cinzas a atingiu e cobriu, matando as pessoas asfixiadas.             

Os corpos permaneceram na posição em que as pessoas estavam, buscando fugir da chuva de cinzas ou ao menos proteger o nariz para conseguir respirar.            

                

 A cinza se solidificou e a cidade permaneceu adormecida – literalmente adormecida sob as cinzas do vulcão.  

No fim do século XVI, ao ser aberto um canal de irrigação no vale do rio Arno, ao escavarem sob o monte Civita foram descobertas algumas construções soterradas. 

Posteriormente no ano de 1748 começaram a investigar o que existiria no local, sob patrocínio do rei Charles de Bourbon, de Nápoles. 

Depois de cerca de quinze anos de investigações chegaram à conclusão que se tratava da lendária Pompéia, que teria existido de verdade. Somente em 1864, sob a batuta do arqueólogo Giuseppe Fiorelli todo o trabalho foi terminado e surgiu a encantadora Pompéia, silenciosa, preservada e trazendo farta história. 

E ali passamos quase um dia, visitando casas – desde as mais simples até a mais suntuosa que está aberta, com seus mosaicos, várias salas e inúmeros dormitórios, uma das únicas da época a possuir dois jardins, o que mostra a opulência de seu proprietário. 

Voltei no tempo, recordando os livros que já li sobre o fim de Pompéia. 

Vi um pouco de seu povo, que morto por asfixia, teve seu espaço vital preservado sob as cinzas, possibilitando fosse o corpo moldado em cera líquida, vários corpos expostos, mostrando a posição em que foram surpreendidos pela morte. 

As pedras das ruas de Pompéia… testemunha de um tempo passado que não voltará.

As placas de ruas com sinais, em razão do afluxo de marinheiros de muitas línguas que ali permaneciam esperando embarque… 

         

E a luminosidade única da cidade que um dia o vulcão, tão lindo, tão imponente e aparentemente inofensivo, pensou conseguir aniquilar…

Pedro, meu amigo

Tenho milhares de conhecidos. Tenho muitos colegas. Tenho alguns amigos.

Dentre esses poucos amigos, tenho o Pedro. Mais que conhecido, mais que colega e muito mais que um amigo. É como um irmão. Podemos conversar horas a fio e o assunto não acaba. 

Antigamente fumávamos juntos, hoje ele fuma sozinho, mas eu fico junto.

Bebemos juntos. Brigamos juntos.

Rimos juntos, cantamos juntos, choramos juntos.

E, sempre que podemos, estamos juntos.

Essa amizade é um esteio para minha vida. 

Publico, hoje, poema do Pedro, meu mais que amigo:

Chagas

(Pedro Hideite de Oliveira)

Silêncio e solidão,

Que habitam o meu ser.

Ferindo o coração,

Cansado de tanto sofrer.

Sofrimento e dor,

Faz sangrar os ferimentos.

Trazidos de um amor,

Vividos só de momentos.

Momentos que não se esquece,

Por mais não se queira lembrar.

Vem a noite e amanhece,

Tudo vai recomeçar.

Recomeça com a saudade,

E com ela a solidão.

Mas no dia em que forem embora,

Restará, cicatriz no coração.