Texto de Diego Engenho Novo – Casamento – modo de usar

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Case-se com alguém que adore te escutar contando algo banal como o preço abusivo dos tomates, ou que entenda quando você precisar filosofar sobre os desamores de Nietzsche.


Case-se com alguém que você também adore ouvir. É fácil reconhecer uma voz com quem se deve casar; ela te tranquiliza e ao mesmo tempo te deixa eufórico como em sua infância, quando se ouvia o som do portão abrindo, dos pais finalmente chegando. Observe se não há desespero ou  insegurança no silêncio mútuo, assim sendo, case-se.


Se aquela pessoa não te faz rir, também não serve para casar. Vai chegar a hora em que tudo o que vocês poderão fazer, é rir de si mesmos. E não há nada mais cruel do que estar em apuros com alguém sem espontaneidade, sem vida nos olhos.


Case-se com alguém cheio de defeitos, irritante que seja, mas desconfie dos perfeitinhos que não se despenteiam. Fuja de quem conta pequenas mentiras durante o dia. Observe o caráter, antes de perceber as caspas.


Case-se com alguém por quem tenha tesão. Principalmente tesão de vida. Alguém que não lhe peça para melhorar, que não o critique gratuitamente, alguém que simplesmente seja tão gracioso e admirável que impregne em você a vontade de ser melhor e maior, para si mesmo.


Para se casar, bastam pequenas habilidades. Certifique-se de que um dos dois sabe cumpri-las. É preciso ter quem troque lâmpadas e quem siga uma receita sem atear fogo na cozinha; é preciso ter alguém que saiba fazer massagem nos pés e alguém que saiba escolher verduras no mercado. E assim segue-se: um faz bolinho de chuva, o outro escolhe bons filmes; um pendura o quadro e o outro cuida para que não fique torto. Tem aquele que escolhe os presentes para as festas de criança e aquele que sabe furar uma parede, e só a parede por ora. Essa é uma das grandes graças da coisa toda, ter uma boa equipe de dois.


Passamos tanto tempo observando se nos encaixamos na cama, se sentimos estalinhos no beijo, se nossos signos se complementam no zodíaco, que deixamos de prestar atenção no que realmente importa; os valores. Essa palavra antiga e, hoje assustadora, nunca deveria sair de moda.


Os lábios se buscam, os corpos encontram espaços, mas quando duas pessoas olham em direções diferentes, simplesmente não podem caminhar juntas. É duro, mas é a verdade. Sabendo que caminho quer trilhar, relaxe! A pessoa certa para casar certamente já o anda trilhando. Como reconhecê-la? Vocês estarão rindo. Rindo-se.

Dia de poesia – Vinicius de Moraes – O mais-que-perfeito





 
 Ah, quem me dera ir-me
           Contigo agora
 Para um horizonte firme, comum
            (comum, embora...)
 Ah, que me dera ir-me 
 
 Ah, quem me dera amar-te
          Sem mais ciúmes
 De alguém em algum lugar
          Que nem presumes
 Ah, quem me dera amar-te!
 
 Ah, quem me dera ver-te
          Sempre a meu lado
 Sem precisar dizer-te
          Jamais cuidado....
 Ah, quem me dera ver-te!
 
 Ah, quem me dera ter-te
          Como um lugar
 Plantado num chão verde
          Para eu morar-te
 Morar-te até morrer-te... 

Hoje é dia da saudade…

Hoje, 30 de janeiro, Dia da Saudade. Saudade, minha essência, razão de minha existência. Vou replicar um texto antigo sobre saudade. Quantos textos escrevi por saudade… Há muitos. Escritos e por escrever. Porque a saudade é uma companheira fiel – chega por último, depois que o amor, a paixão, a alegria, todos já se foram. Mas nunca mais irá embora: ela chega para ficar…

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Saudade 
«É uma mania que a alma tem
De ouvir o que não é dito.
De sentir o que não se toca,
de ver o que não pode ser visto.
saudade,
é um pedacinho da gente,
Que alguém sem pedir permissão,
Leva para bem longe.»

(Marcelo Vico)

Frases de la vida para superar una perdida

Quantas vezes eu já escrevi sobre saudade.

E quantas mais sobre saudade eu li…

Saudade, essa presença incômoda de uma ausência que não nos abandona.

Esse sentimento de gosto amargo que adoça a vida com doces lembranças.

Essa presença invisível que nos acompanha dia-a-dia, hora-a-hora.

Esse fio mágico que não conhece distâncias e nos mantêm unidos a quem se foi.

Ah, saudade, eu peço, me deixe em paz. Procure outra alma para fazer seu ninho.

Quero viver sem pensar, sem lembrar, quero viver sem ter saudade.

Mas, imagino, sem saudade, a vida seria um deserto onde somente se avança

Onde não há um velho porto à nossa espera para voltarmos

As portas se trancam à nossa passagem e impedem o regresso

Porque sentir saudade é voltar um pouco e encontrar quem se foi

É trazer de volta sensações, cheiros, toques, abraços que se foram

Viver sem saudade é viver sem lembranças doces

É trilhar o atalho até à morte sem se ter vontade de ficar

Então eu peço: Saudade, fique! Não me deixe nunca!

Dia de poesia – Renata Pallottini – Noite afora

  A quem devo dizer que em tua carne
 se sobreleva o tempo e o duradouro,
 mancha de óleo no azul, alaga e intensifica
 o contratempo a que chamei amor?
  
 A quem devo dizer dos meus perigos
 quando, o corcel furioso olhei ao longe
 e não vi mais limites que o oceano
 nem mais convites que o das ondas frias?
  
 Como antepor o corte nas montanhas
 – Liberdade – ao dever que a si mesma impõe a terra 
 de estender-se conforme o espaço havido?
  
 Malícia do destino, ardil composto outrora...
 Arde a grama da noite em que te vais embora,
 e essa chama caminha, essa chama, essas vinhas,

 essas uvas, cortadas noite afora. 

Poesia da casa – No mar

Acordo na madrugada,

quando o mar

aos gritos, chama por mim.

Ele sabe que um dia eu irei.

Entrarei em suas águas

desmanchando-me nas espumas

e levada por suas ondas,

eu o seguirei. Para sempre.

A paixão então explodirá.

Embriagados e loucos,

tal como amálgama,

para sempre, eternamente,

estaremos juntos.

Não retornarei.