56 anos sem Cecília

Aos 09 de novembro de 1964 morria a poeta Cecilia Meireles. Poetisa única, deixou um legado de valor inestimável – uma mulher moderna, solitária, que escrevia com a alma, sobre o amor, a paixão, a finitude da vida, a solidão…

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MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada
.

Poesia da casa – Voo livre

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No infinito em que as paralelas se encontram

Um dia estaremos reunidos no amor

Nossas vidas se entrelaçarão

E seguiremos juntos um mesmo caminho

Remando um mesmo barco

Quero ser a vela que te impulsiona

E não a âncora que te limita

Partilharemos as grandes e pequenas alegrias

Dividiremos as dores, as mágoas e as lágrimas

Pássaros livres, sempre poderemos voar

Seguindo juntos na mesma direção

Pousaremos sempre juntos em um mesmo galho

E faremos ali novo ninho para nos abrigarmos

E estaremos juntos, voando um mesmo voo,

Voltando ao mesmo nosso ninho

Não por covardia ou medo de se estar sozinho

Mas apenas pelo imenso prazer de estarmos juntos

Porque terá sido nossa escolha pousarmos lado a lado

E ali permanecermos na alegria da liberdade partilhada

Sonhar

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Dormir…

Sair de um mundo ruim e mergulhar no desconhecido.

Sem medo.

Entregar-se plenamente como ao mais adorado amante.

Com ardor.

Simplesmente deixar, por algumas horas, de existir.

Não estar.

E adentrar num mundo fantástico e encantador.

E sonhar.

Ir até o âmago da própria e triste existência e viver,

Nessa noite,

A alegria de encontrar outra, em outra realidade,

Seu lugar.

Realizar suas vontades, conhecer a plenitude de

Ser feliz.

Então, depois das aventuras e do êxtase conhecido

Acordar…

Vencendo mais um desafio

Escrever à mão nos torna mais inteligentes | Guia do Estudante

18 de abril de 2020. Completavam-se os primeiros trinta dias de isolamento. Era preciso algo para que ainda me sentisse viva. Resolvi lançar-me em um auto desafio – postar cem dias seguidos aqui no meu blog.

Não era a primeira vez que eu usava o Alinhavando letras para me testar. Já fizera isso há alguns anos e conseguira.

Assim, meio de brincadeira, mas levando a sério, comecei as postagens diárias. E a quarentena se eternizava. Cada um dentro de seu quadrado, mantido em casa por absoluta falta de ter onde ir.

Em um de repente qualquer, chegou o dia 27 de julho e estava vencido o desafio – conseguira postar por cem dias seguidos. E ainda imersa em um estúpido isolamento por causa da peste chinesa. E, para piorar, a imposição do uso da horrível máscara (os donos de fábricas de batom deveriam processar quem inventou essa indecência de todos, ou melhor, todas, andarem mascaradas).

Dobrei o desafio para 200 dias – sem trégua.

Difícil, complicado. Mesmo porque ainda não vi a quarentena que todos viram e reclamam do tédio. Aqui foi bem animadinho, movimentado.

Hospitais, cirurgias (exatamente nos dois membros da família que são do grupo de risco), internações, a reforma de uma casa. Uma mudança.

E a quarentena não acabava.

Uma pequena flexibilização, que permitiu uma rápida viagem a São Paulo.

E volta para o isolamento…

E, aproveitando a maré de ares de liberdade, uma festa linda em um casamento maravilhoso, pura alegria, todos celebrando a vida e agradecendo ao corajoso casal que proporcionou uma noite de sonho a todos.

Um livro publicado, ainda que sem a pretendida noite de autógrafos.

E os políticos soltando as rédeas do isolamento total, com vistas às eleições que se aproximam.

Novos problemas familiares, hospitais, correrias. Ainda de máscara, com muita alergia, mas uns laivos de normalidade aparecendo no horizonte.

E hoje, 04 de novembro, completo os 200 – DUZENTOS – dias consecutivos de postagens, aqui no Blog de Alice.

Alguns dias, por absoluta falta de tempo ou de inspiração, publiquei outros autores, outros poetas. Mas na maioria absoluta dos dias, os posts foram de minha autoria.

Sei que os cronistas têm colunas semanais ou mesmo quinzenais. Porque uma crônica por dia não é fácil… principalmente em tempos de monoassunto nos jornais, de falta de um bar para sentar e ouvir novidades e ver a vida passar…

Mas consegui.

Lançar-se um desafio e vencer dá uma sensação estranha de poder.

E, neste 200º post, eu posso afirmar: VENCI. Por isso, cuidado comigo. Não me desafie.

Talvez descanse um dia ou outro daqui para frente. Mas com a certeza que tenho condições de chegar onde eu quiser. De sempre conseguir.

De dizer, com orgulho: Sim, eu posso!