Gosto de maçã no seu beijo
Gosto do beijo e gosto da maçã
do gosto de tanto gostar
gostando de tanto gosto
gosto de gostar de você
e gosto do seu beijo
com gosto de maçã

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Gosto de maçã no seu beijo
Gosto do beijo e gosto da maçã
do gosto de tanto gostar
gostando de tanto gosto
gosto de gostar de você
e gosto do seu beijo
com gosto de maçã

Quando você pensa já ter visto de tudo, lido todas as formas de poesia, vem mais surpresa.
Há alguns meses Ana Maria Tourinho com seu “Desfolhando Aldravias”, colocou-me frente a essa nova forma de poesia, inovação trazida por Andreia Donadon Leal. De imediato eu me apaixonei. E tornei-me, eu também, aldravista.
Agora, quando a aldravia já estava incorporada no meu cotidiano de poeta, Andreia Donadon Leal surge com outra novidade – a “Quinta”.
Variante da Quintanilha, a Quinta – poema autônomo de uma estrofe composta por cinco versos, com rima obrigatória do 2º com o 5º, e formada por nove palavras. Os quatro primeiros versos com duas palavras e o quinto contendo apenas uma, a qual rima com a segunda. Complicadinho, não?
Mas delicioso de escrever, tal como a aldravia.
Necessário ter nexo e poesia. Não apenas palavras soltas, jogadas no papel ou na tela. A poesia é a essência da Quinta.
Estreei hoje no grupo de quintanistas, com três Quintas.
Vamos praticando…
Nº 03
sem perfume
colhida flor
fenece triste
igual velho
amor
Aqui estamos, no – 10º – décimo dia do novo ano. Que já começa a amadurecer.
Acabou a profusão de abraços de tamanduá, sorrisos amarelos e votos falsos de felicidade.
Todos, agora, nas filas dos bancos pagando ipva, iptu, e outros iii.
A abundância agora é de boletos e contas a pagar.
E sobra muito mês no fim dos salários.
Mas insistimos. Temos carros, casas, um monte de coisas absolutamente dispensáveis mas não nos imaginamos vivendo sem elas… e paga-se caro para ter.
Ter. O verbo dominante desde os anos 80.
A ordem do dia é ter coisas. Possuir pessoas. Amar somente as coisas.
E, a partir dessa mesma época, iniciou-se a cultura do descartável.
Desde absorventes e fraldas até utensílios de cozinha.
De repente, estendemos a utilidade dos descartáveis para as pessoas.
Esposas, em especial, se tornaram totalmente descartáveis na segunda metade do século passado. Depois maridos. E agora até filhos.
Com um diferencial – antes eram abandonados e agora são simplesmente assassinados.
Aberta, assim, há uns vinte anos, a temporada de caça às mulheres.
Mas, em razão das ideias de igualdade entre os sexos, as mulheres também matam. Nem vou entrar na teoria lombrosiana porque discordo de suas conclusões, fruto de ideias e não de vivência.
Não há intenção de se assassinar somente familiares.
Hoje em dia há uma desesperada tentativa de se eliminar definitivamente a família tradicional da sociedade.
Estamos vivendo em um mundo virado do lado do avesso e as pessoas estão se acostumando com o avesso da vida. E aceitam. E toleram. E morrem.
Resta uma indagação, somente: “o que ainda está por vir?”
Já dizia a canção que “recordar é viver”…
Com toda razão.
Remexendo antigos papéis, encontro um caderno de poesias feito pela minha amiga Raquel. Comecei a reler poesia por poesia.
Dentre elas, uma que sempre “me inspirou”, da qual não sei o título e desconheço a autoria. Mas trouxe-me de volta à memória o tempo de colégio, quando – Raquel e eu – líamos todos os livros que conseguíamos (e não eram poucos, líamos vorazmente), líamos poesias, copiávamos aquelas que mais nos agradavam. E com toda essa recordação veio a saudade.
Saudade de um tempo que jamais voltará, da amiga hoje distanciada, da leveza dos tempos de adolescentes. A nostalgia por ver que tudo passou, ficou no tempo… Mas o amor pela leitura e em especial pela poesia não acabou. Esse a tudo resiste.
Deixo, aqui, esse texto para dividir com vocês:
“Dos restos de um amor igual ao nosso
Não pode uma amizade florescer,
É justo que tu o queixes, não o posso
Depois de tanto amar-te, apenas te querer
Embora terminássemos sem briga,
Sem um gesto ou palavra de rancor
Como posso chamar-te meu amigo,
Se já te chamei de meu amor?
Como posso apertar indiferente,
Sem sentir uma forte emoção
As mãos que apertei apaixonadamente,
As mãos que esmaguei em minhas mãos?”
Foi quando eu chorei que pude, através das lágrimas,
enxergar mais claramente as ruínas de nós dois:
Foi quando eu tentei engolir em seco que as palavras
não ditas mais me fizeram engasgar e responder;
Foi quando eu busquei seu abraço e você já havia
partido que meus braços mais estreitamente se encontraram;
Foi quando eu precisei de um carinho que não existiu que
minhas mãos mais ternura quiseram levar até você;
Foi quando eu quase desisti de tudo que mais alto
minha vida gritou que ela valia a pena ser vivida;
Foi quando meu corpo vacilou no vazio da separação
que não mais encontrou o aconchego do seu corpo;
Foi, então, através da cortina de lágrimas que me turvavam
a vista, que pude ver que havia sido abandonada…
Em razão da tensão política internacional, lembrei-me dessa triste canção, então inovo aqui postando um vídeo. No final, depoimento da mãe de “um soldadinho”. Abaixo, a letra da canção:
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Vamos senhor pensativo
Olhe o cachimbo a apagar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Senhora de olhos cansados
Porque a fatiga o tear
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
Anda bem triste um amigo
Uma carta o fez chorar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar
A lua que é viajante
É que nos pode informar
O soldadinho já volta
Do outro lado do mar
O soldadinho já volta
Está quase mesmo a chegar
Vem numa caixa de pinho
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar