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Poesia da casa – Renascer

Na manhã em que o jardim voltou a se colorir
E as flores, orgulhosas, exibiram suas cores,
Depois daquele longo, frio e cinzento inverno
Tanta solidão, tanta saudade, lágrimas de tristeza
Quando os abraços cessaram e os sorrisos sumiram
Quando as famílias se separaram e a música se calou
As paixões esmaeceram e os amores perderam o viço
O mundo todo se recolheu em angustiado retiro
E as almas, tristes, se amiseraram em desesperança
E além do silêncio, nada mais se ouviu.
Nem gritos de dor nem sussurros de amor
O silêncio, intenso, era concreto e perturbador
Que se confundiu com lágrimas, com amargores
Os jardins, entristecidos, desapareceram
E não havia mais a vibração dos sons nem a das cores
E a esperança desaparecia a cada dia que não nascia
De repente, as raízes da vida e do amor brotaram
E as flores anunciaram a nova estação que chegava
Nessa manhã quando vi tantas cores no jardim
Acreditei que a vida poderia, enfim, recomeçar
Dia de Poesia – Cora Coralina – Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Poesia da casa – Oração à poesia
Que a poesia esteja entre nós em todos os momentos
E venha até nós em cada dia que se inicia
Entre em nossa casa e dela faça sua eterna morada
Seja o som do canto do pássaro no alvorecer
Esteja entre as folhas das árvores onde o vento em brincar
Se mostre no azul do céu e nas nuvens de algodão
E na cor de cada pétala de flor que se abre nas manhãs
Esquente a Terra desde o amanhecer como se fosse o sol
E fulgure depois do anoitecer junto com o claro luar
Seja a bebida em cada copo que se ergue para um brinde
Apareça no brilho dos olhos dos apaixonados
E possa amainar a dor no coração dos abandonados
Adoce a lágrima dos que choram por amor
Acalme o coração dos que sofrem por desesperança
Venha em palavras para ajudar os que querem se declarar
Cole as mãos dos que seguem juntos pela vida
Vele o sono e filtre os sonhos de todos que adormecem
Cure as feridas nas almas lanhadas pela tristeza
Seja a música que leva alegria aos que amam
E traga o canto na voz dos alegram a existência
Nunca falte nas noites frias, chuvosas e solitárias
Que a poesia desça sobre nós e permaneça para sempre.
Amém.
Chegando o verão…

Estamos a menos de uma semana do verão. A estação mais esperada do ano em terras tropicais.
Tempo de calor, sol, sorvete, férias, praia, esportes e paixões.
Pelo menos era assim antes dessa maldita peste chinesa que teima em atrapalhar, tira tudo da ordem em que sempre esteve, dispõe da nossa realidade e aniquila nossos sonhos.
O verão não sabe ser discreto. Não sabe chegar de mansinho, quando todos estão preparados para sua entrada. O verão é estrondoso. Chega arrebentando. Invade os últimos dias da primavera, trazendo tempestades terríveis, grandes chuvas, vendavais, granizo e tudo o que acha que tem direito.
E a doce primavera, que resiste esperando sua data de saída – o solstício de verão – se vê empurrada para fora do palco, entre raios e trovões.
Até a noite tem medo de começar no verão. Os dias ficam mais compridos, adentram no horário noturno, sendo o dia 22 de dezembro o mais longo do ano – será que têm direito à hora extra? E a noite, tão linda, tão querida, se encolhe e quase não vem…

Assim é nosso “verão austral”, originado do latim veranu – de ver, veris – que vai durar até o equinócio de outono.
Talvez, das quatro estações do ano, seja o verão aquela que tem o nome mais áspero, menos melodioso, menos poético.
Hoje tivemos temporais notórios. E muitos, muitos raios. Depois da primeira tempestade, no meio da tarde, com direito a céu escuro durante o dia, quando pensamos que anoiteceria, uma estranha luminosidade tomou conta do céu. E não anoiteceu.

Até começar a segunda tempestade.
Que não quer passar.
Coisas de verão…
(Fotos tiradas nesta data – 15.12.2020, às 18h50)
Poesia da casa – Alma

Tecida em fina renda, do mais delicado fio
A trama de minha alma suporta esses abalos
Magicamente ela resiste, não se rompe
Enfrenta tantas amarguras, tantas desventuras
E se vai deixando lapidar a cada tormento
Alma lapidada, foi forjada a ferro e fogo
No amor, no sofrer, na paixão, na desilusão
E segue, impávida, sem se deixar dominar
A alma bruta não é formosa nem é gentil,
Tal como a pedra original, que não tem fulgor
Ou ainda as brancas nuvens, disformes e sem graça
Por isso é preciso sofrer, transformar, lapidar
Aparar as arestas, e eliminar as sobras,
Encontrar a forma perfeita para então polir
Quando então surge a alma bela e afetuosa
Como as mãos hábeis do lapidador que encontra
As melhores facetas da pedra e a transforma
Trazendo o mais belo e fulguroso diamante
O céu recoberto de nuvens amontoadas
Que escondem o sol, a lua e as estrelas
Quando, em silêncio vem o vento carinhoso
Lapidando as nuvens com cuidado e com capricho
Desnudando um céu recortado ou estrelado
Mostrando a beleza e o esplendor do infinito
Também minha alma, tão carente e tão sofrida
Se torceu na dor, no desespero, na saudade
E se tornou melhor, açoitada em sofrimento
Ela – essa alma lapidada – é tudo o que hoje
Eu tenho a ofertar, junto desse amor infindo.