Poesia da casa – Do que é feita a saudade?

Menina Mulher &Mulher Menina: Coração De Cristal...
   
 A saudade é feita de pequenos retalhos
 De momentos felizes já passados e vividos
 De beijos antigos ainda tão lembrados
 De mãos que não nos tocaram, mas desejamos.
  
  
 A saudade é feita de variados cacos
 De recordações de olhos que nos viram
 De tantas vozes que já não mais ouvimos
 De muitos carinhos que agora já não temos
  
  
 A saudade é feita de tantas lembranças
 De pessoas que não ficaram em nossa vida
 De algumas paixões ardentes que já esfriaram
  
  
 A saudade é feita de todos esses pedaços 
 De nossa alma que ficaram pelos caminhos
 E agora, recolhidos, estão guardados no coração. 
(08.12.2019)

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:8.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:107%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,sans-serif;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-fareast-language:EN-US;}

A
saudade é feita de pequenos retalhos

De
momentos felizes já passados e vividos

De
beijos antigos ainda tão lembrados

De
mãos que não nos tocaram, mas desejamos.

 

 

A
saudade é feita de variados cacos

De
recordações de olhos que nos viram

De
tantas vozes que já não mais ouvimos

De
muitos carinhos que agora já não temos

 

 

A
saudade é feita de tantas lembranças

De
pessoas que não ficaram em nossa vida

De
algumas paixões ardentes que já esfriaram

 

 

A
saudade é feita de todos esses pedaços 

De
nossa alma que ficaram pelos caminhos

E
agora, recolhidos, estão guardados no coração.

Centenário de Clarice Lispector

Hoje se completam cem anos de seu nascimento. Ela nos deixou foi em 1977. Mas nunca partiu, porque é imortal. Sua arte é eterna.

Amar os outros é a única salvação individual que conheço:

Ninguém estará perdido se der amor

E às vezes receber amor em troca.

Para escrever o aprendizado

É a própria vida se vivendo em nós

E ao redor de nós.

Amar eu posso

Até a hora de morrer.

Amar não acaba.

Na hora de morrer eu queria ter

Uma pessoa amada por mim ao meu lado

Para segurar a mão.

(Clarice LispectorAs palavras. Rio de Janeiro: Rocco, 2013, p. 257)

E, ainda:

Uma prece…
Clarice Lispector

“… alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,  faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e  no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.

[Clarice Lispector em “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, Editora Rocco, página 56]

Gratidão

Não sou “messiânica”, mas sou otimista. E acredito na força do pensamento, da gratidão e da palavra. Por isso sempre guardei esse texto, cuja autoria desconheço:

GRATIDÃO e BEM ESTAR: A gratidão pode melhorar nossa vida. (e sua saúde  também!)

Obrigado Senhor pelos meus braços perfeitos…
Quando há tantos mutilados.

Pelos meus olhos perfeitos…
Quando há tantos cegos.

Pela minha voz que canta…
Quando tantas emudecem.

Pelas minhas mãos que trabalham…
Quando tantas mendigam.

É maravilhoso Senhor!
Ter um lar para voltar…
Quando há tantos que não tem onde ir.

Sorrir…quando há tantos que choram.

Amar…quando há tantos que odeiam.

Sonhar…quando há tantos que se
revolvem em pesadelos.

Viver… quando há tantos que
morrem antes de nascer.

É maravilhoso Senhor, ter tão pouco
a pedir e tanto para agradecer…

Obrigado Senhor!!!

Vivendo na madrugada

O doce som de um mensageiro do vento me acorda. A brisa da madrugada vem dar seu passeio em minha varanda. E, como vozes de anjos, os sons de sinos chegam até mim.

Madrugada. A hora mais escura na noite, que precede o amanhecer. A hora em que o mundo se cala. Ouço o silêncio, às vezes quebrados pelos metais e pedras se chocando. Como um chocalho a embalar a criança que resiste dentro de mim.

Madrugada não foi feita para dormir. Mas para pensar. Sonhar acordada.

São vários conjuntos, nem todos sonoros, ao redor da varanda. De todas as formas – golfinhos, sinos, borboletas, pedras, pássaros, mandalas, estrelas; feitos de pedras variadas, de cobre, de madeira, de vidro… cada um com sua beleza.

Quando um deles vem me chamar na madrugada e me transporta para meu outro mundo, saio de mim e o sigo numa jornada única, partilhada entre mim e minha alma.

E atravesso o portal do tempo, da distância, da vida e do querer.

Por algumas horas, antes que o sol quebre esse encanto, renasço na alegria de existir, na companhia da solidão amiga, no regresso a mundos onde nunca fora antes.

Meus mensageiros trazem até mim quem está longe, quem partiu, quem não está. E vozes, e luzes, e cantos e carinhos há tanto já perdidos.

Brincamos de roda, cantamos ritmos, tudo dentro do mais absoluto e solene silêncio da madrugada. Nessas horas, em que estou mais viva do que durante o dia, sinto o prazer da vida, envolto pelo escuro e pelo silêncio.

E, quando a brisa os avisa que está partindo antes que a aurora a flagre desarrumando a ordem da noite, eles se calam, minha alma volta para mim, e então adormeço, até o raiar do novo dia.

Poesia da casa – Gotas de mar

Trazia em si o encanto da imensidão
Nos olhos inundados de mar
Se movia no ritmo de ondas
Como se vivesse em um barco
                               
Trazia na alma uma imensa paixão
Alimentava-se de amor, luz e alegria
Amava a espuma frágil da vida
Como se fosse personagem de romance
                              
Trazia uma esperança de felicidade imbatível
Acreditava que o amor venceria tudo e todos
Até o momento em que viu seu mundo cair e
Sentiu a tristeza do abandono e solidão
                              
E quando de seus olhos brotaram
As gotas do mar que trazia em si
Pela face tristemente correram,
Lágrimas salgadas como água do mar



Sons de dezembro

Dezembro conseguiu chegar, não obstante a pandemia, a hipocrisia, a histeria e tudo o mais de ruim que dominou este ano.

Ainda que alguns políticos estejam ameaçando proibir até mesmo as comemorações natalinas familiares, não há como fazer a população ignorar a realidade: ESTAMOS EM DEZEMBRO. NATAL . REVEILLON.

Para as crianças, o significado de tudo isso é um só: Papai Noel virá trazer os presentes de Natal.

Mas para os “mais crescidinhos”, Dezembro tem outra cara: os domingos do Advento, as missas solenes, a preocupação em organizar os encontros familiares.

E, para os donos de supermercado, além do vertiginoso aumento das vendas, a inclusão de faixa única no playlist – basta apenas o Jingle Bells. A partir do final de novembro, se você entra em um supermercado, tome jingle bells. De manhã, à tarde e à noite. Quando chega o Natal ninguém mais suporta ouvir essa música. De vez em quando até variam. Com apenas outra, a Simone cantando Então é Natal…

Mas são muitas as canções natalinas. E lindas. E as gravações, antigas ou modernas, extremamente agradáveis.

Tenho a minha predileta. Ao ouvi-la sou transportada para o verdadeiro espírito natalino.

Embora avessa às comemorações forçadas, hipócritas e comerciais do Natal, trago em mim o sentido religioso da festa máxima da Cristandade. Não há Natal sem Adeste Fideles. E, em qualquer ocasião, ouvi-la me traz o Natal.

E tantas outras canções – ouvidas desde muito cedo nas missas, depois cantada junto com os grupos de jovens, e, bem mais tarde, ensaiadas com as Irmãs e as crianças que se apresentavam na Paróquia que eu frequentava. Quantos Natais na minha vida.

Mas há um acorde inicial em uma harpa, pelas mãos abençoadas de Luis Bordon, que me traz o Natal, devolve à memória o cheiro dos assados, das frutas, da grande e cheirosa árvore montada na sala…

E, principalmente, devolve-me os sons do Natal, os sons da minha casa, num tempo distante em que tudo era alegria, em que havia as risadas dos primos, as vozes de meu pai, minha mãe, avós e tios, em que havia o infalível brinde da meia-noite, em meio à maravilhosa ceia que minha mãe caprichosamente preparava, o brinde comandado pela Vovó Nenê “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados”…

Ouvir esses acordes iniciais basta para me levar de volta a esse passado, que nunca passou de tudo, e a emoção impede que continue a escrever