Dia de Poesia – Pippo Bunorrotri – Dime

Quadro Nu Feminino no Mercado Livre Brasil

Dime porque te deseo,

porque tu nombre

lava las heridas

de una daga traicionera

en la amarga noche

del ayer transeúnte

en la torpeza

de un amor

de engaños y rencor

que se ha quedado

en el campo funerario

de la amnesia.

Dime tu numen

de mis noches

desde esa nada

donde te parapetas,

en esas horas de tortura,

en las que las silabas

de mis letras, buscan

en el cogollo de su niebla

esa palabra que defina

la fragancia donde habita

el silencio

de mi sentir.

Um dia, há de ser passado

… principalmente pelas tenebrosas condições em que todos nós no encontrávamos, quando fomos surpreendidos pela cidade toda se alegrando com a esperança do fim da epidemia.    

Nada, a não ser a intervenção imediata do dedo de Deus; nada, a não ser Seu poder onipotente poderia fazer isso. O contágio ridicularizava todos os remédios, a morte atacava em cada esquina e se continuasse como estava, mais algumas semanas e a peste teria limpado a cidade de tudo e todos que tivessem uma alma.

…    

No exato momento que bem deveríamos dizer “é inútil a ajuda do homem” – digo, neste exato momento, para nossa agradável surpresa, Deus quis que a fúria da peste diminuísse, ainda que por si mesma.

…    

É impossível expressar a mudança da própria fisionomia das pessoas naquela manhã de quinta-feira, quando foi divulgado o registro semanal de óbitos. Podia-se perceber nos semblantes um espanto secreto e um sorriso de satisfação estampados na face de todo mundo. Aqueles que antes não passariam pelo mesmo lado de uma rua onde viesse alguém apertaram as mãos uns dos outros. Nas ruas não muitos largas, as pessoas abriam suas janelas e chamavam de uma casa para outra, perguntando como estavam e se ouviram a boa notícia da diminuição da peste.

…    

Em meio a sua aflição, justamente quando a cidade de Londres estava em condições verdadeiramente calamitosas, foi do agrado de Deus – através da intervenção imediata de Sua mão – desarmar o inimigo, retirando o veneno de sua ferroada. Foi maravilhoso e até os médicos se surpreenderam.

…    

Isso tampouco aconteceu pela descoberta de um novo medicamento nem por um novo método de cura ou por qualquer experiência em andamento que os médicos e cirurgiões estivessem testando; evidentemente, isso veio da secreta e invisível mão Dele que, primeiro, enviou a doença como um castigo sobre nós. … A doença perdeu seu vigor e consumiu sua malignidade; e deixai que isto venha de onde vier, deixar os filósofos procurarem razões na natureza para explicar o fato, fazendo tudo o que podem para diminuir a dívida que eles têm para com o Criador.

…    

Foi então, como disse antes, que o povo perdeu todos os seus medos muito rapidamente. De fato, não tínhamos mais medo de cruzar com um homem de boné branco na cabeça ou com um pano enrolado no pescoço, ou arrastando uma perda devido às feridas na virilha e tudo que na semana anterior era apavorante no mais alto grau. Agora, porém, as ruas estavam cheias deles e estas pobres criaturas convalescentes, dando-lhes o que lhes é devido, pareciam muito sensibilizadas pela sua inesperada salvação.    

…

Concluirei, então, o relato desse calamitoso ano com um vulgar, porém sincero verso de minha autoria, que coloquei no fim de minhas anotações cotidiana no mesmo ano em que foram escritas:    

Terrível peste esteve em Londres    

no ano de sessenta e cinco    

cem mil almas levou consigo    

mesmo assim, estou vivo!

(Um diário do ano da peste, Daniel Defoe)

Poesia da casa – Tanta saudade

Um Navio | Aventuras e Devaneios
Lembranças doces que nos perseguem
Ausência de uma paixão que se desvaneceu no tempo
Presença constante da falta que alguém nos faz
Buscar no nada uma razão para a existência
Fazer, da névoa da memória, uma companhia
Olhar para as próprias mãos, agora vazias
Ainda com o perfume do amor compartilhado
De tudo que escorreu por entre nossos dedos
E não conseguimos reter em nossa vida,
Mas não tivemos jeito de tirar do coração.
Relembrar cada momento de doçura e encanto
Ouvir de novo a voz já tão distante
Perder os contornos precisos de um vulto
e ver as cores da própria vida se esmaecendo
Como um barco que, pouco a pouco, se afasta do cais

Um pouco de maturidade

Maturidade é se segurar e não abrir o presente antes da hora.    

Maturidade é se segurar e não chorar quando contrariado.    

Maturidade é se segurar e chegar em casa com o pacote fechado…    

Hoje eu tive a prova que tenho algum grau de maturidade.    

Quando recebi, nos idos de 2013, meu primeiro livro publicado, “Alinhavando letras”, a emoção foi intensa. Senti que vivia um momento único.    

E esse momento único se repetiu… foram dez momentos únicos…    

A ansiedade para ter o livro aberto nas mãos é incontrolável. Infantil mesmo.  Você já vai abrindo o embrulho no caminho, querendo tocar o livro, ver como ficou, a ansiedade é invencível.  

Hoje, entretanto, eu me segurei e dei, a mim mesma, uma prova de maturidade.    

Vim da Editora até minha casa com o pacote de livros ao lado. SEM MEXER!    

Mas quando cheguei em casa, nem pisquei: abri o pacote, peguei um exemplar e senti a emoção intensa de mais um momento único – uma antologia, a oitava da qual participo. E aí esta: com orgulho e muita emoção nosso “Nos dias em que o mundo parou”, coordenado por Silvia Bruno Securato.    

São onze livros.

Onze emoções intensas.

Oito momentos únicos.

E um pouco de maturidade…

Ano triste

Acho que estamos vivendo o ano da tristeza.     

Depois de mais de cinco meses, volto para passar uns dias em São Paulo – não consigo entender as pessoas que dizem detestar esta cidade. Amo São Paulo. Aqui estou, realmente, em casa.     

Uma cidade viva, vibrante, animada – sempre acreditei que dizem que São Paulo não pode parar porque não tem onde estacionar.     

Ou não tinha.      

Com essa peste maldita, a cidade continua vazia.

Quadras e quadras de imóveis comerciais fechados – placas “Vende-se” ou “Aluga-se” para todo lado. Dói pensar que por trás de cada uma dessas placas, existe uma ou mais famílias sem fonte de renda… Isso é horrível, principalmente porque não conseguiram estabelecer uma relação de causa e efeito entre estabelecimentos comerciais (exceto padarias, farmácias, quitandas e supermercados) e o vírus.     

Será que o vírus é assim tão inteligente que distingue um restaurante de uma farmácia, um salão de beleza de um supermercado??? Lojas, lojas e mais lojas fechadas… muito triste…     

Hoje fui ao centro mais central da minha terra, seu coração – imediações da Praça da Sé. Trânsito livre. Como se estivéssemos em pleno janeiro e não em meados de setembro. Sem mãetoristas, quase sem táxis… e foi triste ver isso. Cada táxi a menos corresponde a uma família a mais passando privações.     

Em todos os lugares as pessoas usam máscaras. Além de danosas, ridículas. Querem nos obrigar a nos sentirmos como chineses cretinos que andam de máscaras nas ruas.

Isso é horrível.     

Mais fácil eu morrer de máscara do que de covid, em razão da minha alergia. Nunca tive uma simples gripe. Vírus não têm efeitos em mim. Mas a máscara está acabando comigo.

Feia, grosseira, ridícula, tudo de ruim.

Se fico muito em casa, não é porque “tenho medo” dessa porcaria de covid – já disse um milhão de vezes e repito – de faca, bala, pancada ou vírus, um dia terei de morrer, nem antes nem depois, mas no momento exato em que foi programado para mim – mas porque me sinto muito mal de máscara. Não sou assaltante nem pretendo ser para andar com o rosto escondido…

Há alguns dias, conversava com uma amiga e quando eu falei que queria muito dar um abraço nela, mas, por ela estar grávida, não o faria por precaução, porém queria que ela se sentisse abraçada por mim, ela, com lágrimas nos olhos me respondeu que o que ela mais estava sentindo falta durante todos esses meses, era exatamente de ser abraçada.

Um abraço é tudo de bom, de gostoso, de aconchegante. Muitas vezes, tudo o que precisamos, é apenas de um abraço apertado. Mesmo em profundo silêncio. Mas o aconchego, a acolhida de um abraço. E agora até isso está proibido.

Peste maldita!     

E, ainda por cima, além de encontrarmos tudo vazio, restaurantes e bares fechados, pessoas passando necessidades, já não nos abraçamos, e ainda perdemos todos os sorrisos – ninguém pode nos dar um sorriso por trás desses trapos nojentos…

Quo usque tandem???????