Ano triste

Acho que estamos vivendo o ano da tristeza.     

Depois de mais de cinco meses, volto para passar uns dias em São Paulo – não consigo entender as pessoas que dizem detestar esta cidade. Amo São Paulo. Aqui estou, realmente, em casa.     

Uma cidade viva, vibrante, animada – sempre acreditei que dizem que São Paulo não pode parar porque não tem onde estacionar.     

Ou não tinha.      

Com essa peste maldita, a cidade continua vazia.

Quadras e quadras de imóveis comerciais fechados – placas “Vende-se” ou “Aluga-se” para todo lado. Dói pensar que por trás de cada uma dessas placas, existe uma ou mais famílias sem fonte de renda… Isso é horrível, principalmente porque não conseguiram estabelecer uma relação de causa e efeito entre estabelecimentos comerciais (exceto padarias, farmácias, quitandas e supermercados) e o vírus.     

Será que o vírus é assim tão inteligente que distingue um restaurante de uma farmácia, um salão de beleza de um supermercado??? Lojas, lojas e mais lojas fechadas… muito triste…     

Hoje fui ao centro mais central da minha terra, seu coração – imediações da Praça da Sé. Trânsito livre. Como se estivéssemos em pleno janeiro e não em meados de setembro. Sem mãetoristas, quase sem táxis… e foi triste ver isso. Cada táxi a menos corresponde a uma família a mais passando privações.     

Em todos os lugares as pessoas usam máscaras. Além de danosas, ridículas. Querem nos obrigar a nos sentirmos como chineses cretinos que andam de máscaras nas ruas.

Isso é horrível.     

Mais fácil eu morrer de máscara do que de covid, em razão da minha alergia. Nunca tive uma simples gripe. Vírus não têm efeitos em mim. Mas a máscara está acabando comigo.

Feia, grosseira, ridícula, tudo de ruim.

Se fico muito em casa, não é porque “tenho medo” dessa porcaria de covid – já disse um milhão de vezes e repito – de faca, bala, pancada ou vírus, um dia terei de morrer, nem antes nem depois, mas no momento exato em que foi programado para mim – mas porque me sinto muito mal de máscara. Não sou assaltante nem pretendo ser para andar com o rosto escondido…

Há alguns dias, conversava com uma amiga e quando eu falei que queria muito dar um abraço nela, mas, por ela estar grávida, não o faria por precaução, porém queria que ela se sentisse abraçada por mim, ela, com lágrimas nos olhos me respondeu que o que ela mais estava sentindo falta durante todos esses meses, era exatamente de ser abraçada.

Um abraço é tudo de bom, de gostoso, de aconchegante. Muitas vezes, tudo o que precisamos, é apenas de um abraço apertado. Mesmo em profundo silêncio. Mas o aconchego, a acolhida de um abraço. E agora até isso está proibido.

Peste maldita!     

E, ainda por cima, além de encontrarmos tudo vazio, restaurantes e bares fechados, pessoas passando necessidades, já não nos abraçamos, e ainda perdemos todos os sorrisos – ninguém pode nos dar um sorriso por trás desses trapos nojentos…

Quo usque tandem???????

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