Dia de poesia – Hoeppner Dutra – Canção

Em meus dias meigos 
só de venturas, 
tu és o carinho. 

Em meu céu plúmbeo 
só de borrascas, 
tu és a bonança. 

Em meu desejo 
sempre a sonhar, 
tu és o beijo. 

Em minha vida 
só de silêncio, 
tu és a canção. 

Em meu ardor 
só de lirismo, 
tu és a divina. 

(Imagem: Nymphe endormie, quadro de Alphonse Osbert, banco de imagens Google)

Memória – Vou pular a fogueira, e você (20.06.2019)

Eu pedi numa oração / Ao querido São João

Que me desse um matrimonio / São João disse que não

São João disse que não / Isto é lá com Santo Antônio …

E junho chegou.

Festa para todo lado. No fundo o brasileiro gosta mesmo é dessas festas populares, quermesse na praça da Matriz, tudo genuíno, tudo de uma singeleza histórica ímpar.

Penso que todos conhecem essas típicas festas juninas, homenageando os três santos do mês: primeiro o casamenteiro Santo Antonio, que abre as festas no dia 13; depois São João, com a noite mais longa do ano, no dia 24 e finalmente vem São Pedro, no dia 29, fechando o mês e as festas com suas chaves.

Para quem é, mora, foi ou morou na roça, tudo isso tem um sabor especial.

Lá na roça a festa começa bem antes.

Escolhe-se o local, o terreno é aplainado – sem dança não é festa junina.

Faz-se o buraco da fogueira, que fogueira que se preza, fogueira de verdade não é do chão para cima, ela começa a ser montada lá no fundo e é de dentro do buraco que sai a armação que sustentará o fogo.

Estende-se o oleado – a não ser que já exista um bom barracão, daqueles de guardar tratores e máquinas, que então é desocupado e varrido, e nesse lugar ficará a mesa.

Não é uma mesa. Nem uma mesinha.

É uma respeitável mesa, compridíssima – geralmente uns quatro metros pelo menos, e é feita com pranchas de madeira sobre cavaletes, num improviso que se repete em todas as festas.

Cadeiras ao redor, algumas mesas de apoio, tudo simples, tudo bonito, enfeitado com flores e ramos, sem maiores gastos.

As lâmpadas – ou lamparinas de querosene, depende das instalações, são providenciadas.

O mastro.

A madeira para a fogueira é cortada e durante algum tempo os homens terão uma folga. A não se que queiram montar balões.

As crianças recebem a tarefa de recortar e colar no barbante milhares de bandeirinhas coloridas, que depois os homens estenderão e pregarão sobre o local da festa.

As mulheres, na cozinha, preparam a comida. E que comida! E que fartura!

Um bom caldo – de preferência uma canja feita com o galo velho do terreiro, porque o frio é intenso.

E além de bolachinhas diversas, pé-de-moleque, paçoca, cuscuz, milho assado, frangos (que nunca faltam na roça), arroz-doce, canjica, curau, pipoca, pamonha, bolo de milho, amendoim torrado, maçã caramelizada – a deliciosa maçã do amor, pinhão e, o que não pode faltar, o quentão, e, modernidade, o vinho quente com especiarias.

As roupas são preparadas com todo o cuidado.

A fogueira é acesa um pouco antes para estar bonita quando os convidados chegarem.

E chega a hora da festa. A vizinhança vai chegando, muitos pratos são trazidos para aumentarem a fartura à mesa, casais vão se formando e outros, já vem formados, a maioria se separa: homens para um lado, conversando assuntos da roça e mulheres do outro, trocando receitas e olhando as crianças.

A festa começa com a reza do terço – geralmente o padre já está no local, de batina e tudo.

Depois o mastro é levantado. Começa a diversão. O Santo do dia é homenageado.

E então entra em cena o sanfoneiro. Não existe festa junina sem sanfoneiro. Podem inventar televisão, vídeo-cassete, DVD, vitrola, toca-discos, CD Player, Home Theater, nada anima uma autêntica festa junina. Mas, no primeiro chorado do acordeom, o sanfoneiro põe fogo no recinto.

As músicas – ainda que sempre as mesmas, divertem e todos conhecem as letras.

Muitas vezes tem o casamento, geralmente o noivo só entra no recinto depois da noiva e com o pai e os irmãos desta armados com espingardas escoltando o “feliz” nubente.

Dança-se a quadrilha – arremedo dos minuetos franceses de outros séculos, porém mais divertida.

É balão subindo, é criança correndo com bombinhas para se assustarem na brincadeira, é rojão quase derrubando os dorminhocos das cadeiras.

No final tem padre dançando, idosos cantando, todos se divertindo numa confraternização saudável e tradicional.

Nestas ocasiões fica mais que comprovado que alegria é contagiante.

E, depois de bastante quentão servido, tem outra diversão: pular a fogueira. Em criança eu ficava apavorada ao ver os homens dando a corridinha e saltando por sobre o fogo.

Depois de grande, quando talvez até arriscasse eu mesma pular uma fogueira, não tem mais fogueira de São João, nem de São Pedro, nem de Santo Antonio.

Mas um dia – quem sabe – encontro os três juntos lá para onde eu for, e aí pularei quantas fogueiras quiser.

(Imagem: banco de imagens Google)

Texto de Luis Miguel

Nem toda a mulher é “maluca”, mas, sem dúvida, as mais interessantes são…
São “malucas”o suficiente para serem elas mesmas…
São “malucas” o suficiente para darem ar à sua essência, mandando às malvas o julgamento alheio…
São “malucas” o suficiente para, assim do nada, abraçarem quem amam independentemente da hora, só porque sim, com aquela espontaneidade própria de quem ama e se sente feliz!
São “malucas” o suficiente para não deixarem para amanhã o que podem dizer ou fazer hoje…
Essa mesma “loucura” dá-lhes a perfeita noção de que o momento é sempre agora, e a perfeita consciência de que o amanhã, é a nossa maior incerteza de hoje…
São “malucas” o suficiente para ignorarem tudo aquilo que em nada as acrescenta, deixando o coração livre somente para os bons sentimentos, aqueles sentimentos que vão transbordar na curva mais bonita do corpo de qualquer mulher:
O seu sorriso !
São “malucas” o suficiente, acima de tudo, para darem voz e forma ao que lhes vai na alma e no coração, tendo a plena consciência que vivem num mundo onde, dar voz ao coração, se tornou algo digno disso mesmo, de gente “maluca”…

(Imagem: banco de imagens Google)

Talvez amor

“Talvez o amor não passe de uma deliciosa ilusão que se realiza em momentos sagrados, raros. Quando ele acontece é aquela felicidade imensa, aquela certeza de eternidade. Ah! Como os apaixonados desejam sinceramente que aquela felicidade não tenha fim! Mas o amor, pássaro, de repente bate as asas e voa… Brincando, faz tempo, eu sugeri que um casamento que se baseasse no amor teria de ser efêmero – porque o amor é sentimento, e os sentimentos não podem ser transformados em monumentos.” (Rubem Alves)

Conversa com meu avô n°14

Pois é, vô, quanto tempo!!!!!! Ao mesmo tempo em que o tempo não passa desde que começou essa doença e até hoje não conseguimos voltar ao que era o nosso normal, o tempo está passando muito depressa… paradoxal. Mas verdadeiro.

Já passamos da metade do ano. Ontem foi feriado de Corpus Christi, e o senhor sabe, passou esse feriado, pode começar a desembaraçar os fios do pisca-pisca da árvore de Natal…

Eu sumi? Eu? E, por acaso, o senhor, tem vindo conversar comigo? O senhor não queria mais notícias daqui de baixo, alegando que eu só falava de tristeza, corrupção, crime… Mas sempre o senhor ensinou a falar a verdade sem rodeios, e aqui é só isso.

Na verdade, algumas alegrias acontecem na nossa abençoada família – mais um casamento, com uma linda festa, e mais quatro bebês neste ano. Nem sei o que seriam – filhos de seus bisnetos… Na linha que o senhor nos legou, a família continua crescendo.

Ah, o senhor quer saber da doença da pandemia (e depois eu que falo em coisas ruins, kkk) – pois é, o tal covid continua assombrando a humanidade.

Até três anos atrás, no outono, havia uma virose sazonal que atormentava principalmente as patroas e as mães de crianças pequenas – todo mundo “pegava virose”. Ia ao consultório de um sujeito paramentado de branco, que havia feito seis anos de medicina, dois de residência, mais dois de especialização e ele dizia: “é virose. Tome bastante líquido e faça repouso.” Nunca foi pedido um teste nem exame de laboratório.

Agora, o povo tem a mesma virose e a primeira coisa que o médico faz é pedir teste de covid.

E mais nenhum.

Se o virótico teve contato com o vírus, o teste de vírus vai confirmar a presença do vírus. Mas não afirmar que o paciente está com covid… mas já é considerado “covidoso” e, heroicamente, entra para as estatísticas do covid. Se fizer o teste da influenza vai dar também, se fizer do rotavírus, norovírus e o diabo-a-quatro.

Mas o pânico ainda domina e todo mundo acha lindo falar que está com covid.

É isso, vô, o que está acontecendo para fazerem de conta que a pandemia continua e assim lucrarem mais um pouco em cima da doença – que realmente existe e teve uma fase bem grave. Mas, por outro lado, nunca uma doença gerou tanto lucro para uma parcela do empresariado e uma miséria tão esparramada para a grande maioria da população.

A eleição? vai ter, sim. Em outubro. Mas o presidente e seus coligados ainda estão proibidos de fazer campanha. Só os adversários podem antecipar. Por isso o senhor não vê nem ouve nada dos candidatos mais sérios. Logo começará tudo.

Eu? não, vô, eu não vou me empenhar em nenhuma campanha, não estou disposta a continuar trabalhando em e com política. Minha vida está muito complicada para eu me envolver com isso. Eles que façam suas campanhas. Espero que não tenha facada desta vez.

Pela primeira vez em décadas, vou ignorar a política.

Claro que irei votar. Não estou falando em omissão. Mas em não-envolvimento com a campanha.

Está bem, se for preciso eu poderei colaborar em alguma campanha. Mas vamos esperar chegar mais perto das eleições e então conversaremos a respeito, pode ser?

Já? Como assim, já está tarde? O senhor anda muito ocupado aí do outro lado, pensei que passaríamos a tarde conversando hoje…

Está bem, eu vou esperar o senhor me chamar de novo qualquer dia destes para continuarmos esta conversa. Até…

Dia de Poesia – Roberto Ferrari – Oceano

Este infinito amor que tenho por ti
É maior do que o tempo, maior que a vida
Este amor que é real, profundo
Habita nossas almas e nossos corações.

Este amor que surgiu de repente
E que dentro das nossas solidões
Foi o bálsamo, foi o encontro
De duas almas sofridas e carentes.

Este amor meu é como o oceano
Um oceano noturno, infindável
A beijar as areias pela eternidade.

E que em sua profundidade me leva
Iluminado de paixão e desejo
Para no horizonte infinito te encontrar.

(Imagem: foto de Maria Alice)