Poesia da casa – Esquecer

Hoje eu resolvi esquecer você.

Vesti-me de amor, perfumei-me de paixão.

E então me recordei de toda nossa história.

Daquele beijo que foi o início e o fim

Da longa separação forçada

Da distância intransponível.

E deixei doer. Livremente.

Como se o beijo tivesse sido ontem

E sua partida tivesse sido hoje.

Não tentei, dessa vez, impedir as lágrimas.

E repassei, mentalmente, todas as lembranças

E chorei. Intensamente.

Até o dia mágico do reencontro.

E senti novamente o encanto de sua presença

Estivemos juntos esse tempo

E a paixão dominou

Agora, chega a hora de dizer adeus

Seguir cada qual o curso de sua própria história

Desapaixonar-me. E isso machuca. Dói muito.

Mas é preciso colocar esse ponto final

Em uma história que teve tantas reticências

Com a mesma ternura que começamos

Devemos nos deixar para sempre

Por isso hoje eu decidi que é minha hora de ir

E peço, com todo carinho a você:

Comece, meu amor, comece hoje

Também a me esquecer.

(Imagem: banco de imagens Google)

Uma poesia musicada ou uma vida poetizada?

A pioneira Stefana de Macedo – a mulher que ousou compor quando isso era tarefa reservada aos homens e nos trouxe essa pérola de sentimento…

Era o meu lindo jangadeiro
De olhos da cor verde do mar
Também como ele traiçoeiro
Mentiu-me tanto o seu olhar
Ele passava o dia inteiro
Longe nas águas a pescar
E eu intranquila, o seu veleiro
Lá no horizonte a procurar
Mas quando a tarde escurecia
Um sino ouvia a repicar
A badalar a Ave Maria

Via uma vela sobre o mar
Era o meu lindo jangadeiro
Em seu veleiro a regressar
E à praia o seu olhar primeiro
Buscava ansioso o meu olhar
Quando ditosa eu me sentia
Passava os dias a cantar
A ver se em breve escurecia
A hora feliz do seu voltar

Mas há na vida sempre um dia
Dia de um sonho se acabar
Este me veio em que não via
O seu veleiro regressar
Não mais voltou o seu veleiro
Não mais o vi por sobre o mar
O seu olhar lindo e traiçoeiro
Não buscou mais o meu olhar
Por uma tarde alvissareira
O sino ouvi a repicar
Era o meu lindo jangadeiro
Que ia com outra se casar

Texto de Alice (não eu!)

Há dias em que não dá para escrever. O corpo dói, a alma dói, o coração sangra… então trago um texto de Alice (não sou eu e desconheço a identidade – o texto veio apenas e singelamente assinado ALICE)… e vale a pena ser lido …

Somos beijos e abraços
Somos saudade de nós
Momentos de amor que ficam
Para quando estivermos sós.
Somos o vento e o tempo
Que nos magoa e afaga
Somos o sol e a chuva
Afecto que nunca acaba.
Somos o cheiro da terra
Onde pisamos sem medo
A maresia que guarda
O teu e o meu segredo.
Somos a alma que chora
Nas partidas magoadas
Os pés cansados de andar
As mãos que querem ser dadas.
Somos um só coração
Batendo no mesmo lugar
Almas que se procuram
Num abraço, num olhar.
Somos a fé que nos fica
Na ausência que nos mata
A solidão que caminha
Nos nós que ata e desata.

Somos sentidos
Intensos
Corações presos
Imensos.

(Imagem: banco de imagens Google)

Texto de Marco Antonio Ferreira Lima

Se tiver vontade de amar: ame.

Se sentir saudade: reveja, faça, aja!

Haja? Ah! Já?

Se quiser beijar: beije.

Os fragmentos de vontade trazem ecos perdidos na vida, já efêmera desde sua formação.

O tempo nunca aplaca o amor. Talvez na sua crueldade só o aumente.

Com a força de fazer doer.

Aflora a saudade, a vontade do beijo, o conforto do abraço…

Tempestade. Já foi desejo de chuva.

Vapor já foi apenas água que se perdeu no ar.

Semente fez flor.

A leveza da vida foi par do amor.

Monossílabo da dor. Composições curtas.

Frases tolas, sem sentido.

Por isso acho que amo.

Ridículo ao expor um coração cantado por uma nota só.

Cortado e dissecado.

Iludido.

Perdido.

Deixo o coração gritar.

Seu pulso não é o suficiente.

O verbo que já se disse intransitivo, é duro, difícil. Mas seu tempero, equilíbrio não.

Que para as favas vá a razão.

Prefiro amar, sem o juízo da simples paixão.

Vejo, distante, o chão …

Texto de Bibiana Benites

Há uma porção de coisas minhas que são difíceis de serem contadas…
Há uma porção de coisas em processo de cicatrização…
Há uma porção de sonhos que foram atropelados pelas circunstâncias do tempo…
Há uma porção de sentimentos entreabertos que esperam a hora certa de virarem fim…
Há uma porção de mim em tudo o que eu escrevo, que eu leio, no outro…
Há uma porção de coisas minhas que ninguém entenderia…
(nem eu mesma)
Passei por coisas que ninguém imagina, já fui ingênua e imatura, mas hoje sei entrar e sair de qualquer situação, tudo que vier contra mim, vai bater de frente comigo mais forte do que nunca…
Minhas antigas versões honrariam quem me tornei…
Cai menina, levantei MULHER…

(Imagem: Pinterest)