Poesia da casa – Por quê?

Se não era para ficares, por que chegaste tão cedo?

Se era para partires, por que vieste um dia?

Igual uma chuva, tão desejada, mas que não dura,

Porque vem o sol que apaga todos os sinais

Ou um céu estrelado por mais lindo e admirado,

Vem o amanhecer, o dia que a faz desaparecer

Se era para acabar e causar tanta dor, por que começou?

Se era para caíres em seguida, por que alçaste esse voo?

Da mesma forma que as marcas deixadas na areia

São em seguida desfeitas pelas ondas do mar

E os frutos, tão caprichosamente concebidos na natureza

São derrubados e destruídos pelo vento insensível

Se não pretendias amar, por que o juraste em falso?

Se não era para ser amor, por que surgiu esta paixão?

Como nuvens formando as mais lindas figuras

Que não permanecem, somem à primeira brisa?

Tudo que temos são as brancas espumas do mar

Que se desfazem quando se deitam em sua amada areia

Se não era para beijares, por que me deste este abraço?

Se não pretendias me levar, por que me chamaste?

Memórias do blog – há dois anos – Lições do mar

Uma vez – era 1º de janeiro de 1986 – eu resolvi nadar da praia até a escuna,  nas imediações de uma ilha, dispensando o barquinho de transporte. Fui. Sozinha. Os grupos de nado já tinha ido mais cedo.

A certa altura minha cervical travou – imediatamente o braço esquerdo “morreu”. Eu tenho uma lesão que paralisa o lado esquerdo, desde que meu pescoço ficou embaixo de um caminhão, aos 18 anos.

Eu tentei mais duas ou três braçadas. Só o direito respondia. E também sabia que se forçasse muito, a perna esquerda também paralisaria. Já era acostumada com o problema.

Respirei fundo para clarear as ideias e dominar o pânico – se você apavorar e engolir água, vai ficar ali para sempre.

Virei de costas e comecei a boiar. Bem solta, leve, achando bom.

Era céu e mar. E eu.

Pescadores desaparecem no litoral potiguar; apenas a jangada que usavam foi  encontrada | Blog do BG

Fui rodando com a marola, para me localizar.

A praia estava muito longe. Não daria para voltar.

O barco estava muito longe. Não daria para alcançar.

Então eu fui me posicionando numa linha reta e o local onde uma família – mãe e duas crianças pequenas, que não podiam voltar nadando – esperava na praia pelo barquinho de resgate.

E ali fiquei. Uns quinze a vinte minutos, até meu pessoal, que já estava no barco, notar que eu não estava mais nadando e precisava de socorro.

Só uns quinze a vinte minutos.

Mas, sozinha, deitada sobre o mar e coberta pelo céu, eu era o nada, o nada-do-mais-profundo-nada no meio de duas imensidões – o mar e o céu, quando então o tempo toma outra dimensão.

Vinte minutos são a eternidade.

Sobrevivi.

Estou aqui.

Outra pessoa, não mais a que entrou no mar e ficou vinte minutos aguardando um escaler para ser resgatada.

Conclusão:

Aprendi, em quase vinte minutos, que não se luta com a vida. Mas, pela vida, ainda que permanecer imóvel e calma seja a única chance possível de vitória.

Sou a única responsável pela minha vida e pela minha sobrevivência. Ninguém pode lutar por mim.

O que vida me manda, aceito com alegria.

Se for amargo, bebo de uma vez e esqueço.

Se for doce, saboreio em pequenos goles, para durar mais.

A vida é o que é. Reina absoluta até que a morte nos resgate.

(Imagem do banco de imagens da internet)

Dia do beijo, hoje

Hoje, 13 de abril, é comemorado o Dia Internacional do Beijo, (que tanto pode ser comemorado no dia 13/04 quanto no dia 06/07).

Não há nada mais terno, mais gostoso, mais encantador do que um beijo.

Ninguém consegue lembrar todos os beijos que deu ou ganhou na vida.

Mas um único beijo  – ah, AQUELE beijo – esse ninguém esquece.

Anos se passam, mas de repente, num descuido da mente, quando a saudade fala mais alto, aquele beijo é lembrado. Algumas vezes num doce sorriso, outras numa dolorida saudade.

De repente, música que tocava no momento daquele longínquo beijo começa a tocar, e por mais distraído que se esteja, a alma volta voando no tempo e traz de volta aquele toque mágico do beijo inesquecível.

Sinto pena de quem não tem um beijo inesquecível, de quem não tem um beijo para recordar, para fazer sonhar.

Felizes aqueles que levam dentro de si a lembrança desse beijo inesquecível…

Para comemorar essa data, posto aqui textos de diversos autores, que falam sobre o beijo. Começo com o magistral Olavo Bilac:

Um beijo

Foste o beijo melhor da minha vida, 
ou talvez o pior…Glória e tormento, 
contigo à luz subi do firmamento, 
contigo fui pela infernal descida! 

Morreste, e o meu desejo não te olvida: 
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, 
e do teu gosto amargo me alimento, 
e rolo-te na boca malferida. 

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, 
batismo e extrema-unção, naquele instante 
por que, feliz, eu não morri contigo? 

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, 
beijo divino! e anseio delirante, 
na perpétua saudade de um minuto…

E mais Bilac

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira
E aplaque o meu desejo
Ferve-me o sangue:
Acalma-o com teu beijo.

Mensagem do Poeta - Poesias e Mensagens : 49) - Um Beijo Aapaixonado

E sigo com Dominguinhos:

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais

E ainda Martha Medeiros

Foi um beijo… 

foi um beijo onde não importava a boca
só tuas mãos quentes me apertando pelas costas
nada estava acontecendo na minha frente
e a ansiedade que havia não era pouca
teus dedos perguntavam pra minha blusa
se meu corpo acolheria um delinquente
descoladas as línguas um instante
minha resposta saiu um tanto rouca

Lladró: Porcelain sculpture "Passionate kiss" - ars mundi

E Chico Buarque

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono…

Beijo apaixonado de French Photographer

Ainda, Adélia Prado

A vida é muito bonita,
basta um beijo
e a delicada engrenagem movimenta-se,
uma necessidade cósmica nos protege.”

E encerro com Augusto Branco:

Te levarei ao inferno
para te dar um beijo ardente
E meus braços queimarão
Ao agarrarem teu corpo em brasa

Quero te ter louca, cálida,densa, inconsequente
Pra viver contigo um romance tórrido eternamente
E exorcizar de mim este sentimento que me abrasa

Te levarei ao inferno 
Pra que tu sejas meu paraíso
Te levarei ao inferno para te dar um beijo ardente…

A um passo da eternidade - YouTube

Há muito, muito, a se falar do beijo. Do abraço, da paixão e da saudade. Mas hoje passei a palavra a outros…

(Imagens do banco de imagens da internet)

Dia de poesia – Sol Holanda – Quando te encontrar

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Quando te encontrar, não vou falar nada

Vou olhar nos seus olhos

Vou cair no seu abraço,

Vou chorar nos seus braços

Quando te encontrar, não vou falar nada ,

vou deixar você tocar meu rosto,

pra enxugar as lágrimas que rolam.

Quando te encontrar não vou falar nada,

vou deixar que nossas Almas se falem, se toquem

Quando te encontrar não vou falar nada,

vou segurar sua mão e andar de mãos dadas

Quando te encontrar, não vou falar nada,

vou rir pra você e me encantar com o seu riso

Quando te encontrar, não vou falar nada

vou sentir a emoção de estar contigo

Quando te encontrar, não vou falar nada,

vou deixar que nossas almas se falem,

que nossas almas finalmente se acalmem, se alegrem ,

por finalmente estarem juntas

Quando te encontrar, não vou falar nada,

pois nenhuma palavra será capaz

de expressar o que sentimos

(imagem do banco de imagens Google)

Tempo bom

Mensagem para Quem Está Alegre | Mensagens - Cultura Mix

É verdade, houve um tempo em que éramos livres. Eu quase já me esqueci como era isso…

Viajávamos à vontade, carro, ônibus, avião, cruzeiros de navios… Podíamos nos hospedar em hotéis em qualquer lugar do mundo. Íamos livremente às lojas, havia dinheiro girando pelo mundo, bastava trabalhar e já se ganhava o suficiente para viver e, muitas vezes, o bastante para esbanjar.

Esse tempo era tão bom…

Havia doenças, claro. Doenças dos mais variados graus. Desde simples resfriados e gripezinhas, até pneumonias duplas, tuberculose, pancreatite, vários tipos de câncer. E se morria, sim, de doenças, de reações adversas a medicamentos, de complicações em cirurgias.

Os hospitais estavam sempre superlotados. Principalmente hospitais públicos. Faltavam leitos em UTIs, cirurgias eram marcadas a longo prazo, muitas vezes a doença matava o paciente antes dos exames ou da cirurgia. Era um caos. Mas éramos livres.

Podíamos até mesmo optar entre a saúde e a doença.

E, se nos sentíamos saudáveis, podíamos ir à missa, ao culto, ao cinema, ao restaurante, ao parque, à praia.

Os amigos se encontravam, as famílias se reuniam, bares e restaurantes viviam lotados, conversas, risadas, cantorias, muita alegria. Podíamos sair à noite livremente.

Ah, como esse tempo era bom. Éramos livres. Éramos saudáveis. Éramos felizes.

Um dia inventaram que todos deveriam ficar doentes.

E todos deveriam empobrecer. Morrer de doença ou de fome. Montaram um grande circo.

E começaram a tocar pânico nas pessoas. Através de notícias dadas por repórteres histéricos.

Os mesmos que, a princípio, negaram a existência da doença e insistiram em fazer um carnaval mega-enorme, logo depois passaram a acusar o povo de espalhar a doença por ter participado do carnaval.

E aproveitaram a ocasião para cassar a liberdade de todos.

E vieram o isolamento compulsório, o toque de recolher e outras medidas restritivas do direito à liberdade.

O povo, acuado, e com medo, foi se acovardando.

Até isso acontecer, vivíamos um tempo bom.

Éramos livres. Éramos felizes. Éramos saudáveis. Não éramos covardes.

E, dia após dia, mês após mês, ano após ano, foram nos limitando. Destruíram os empregos, as empresas, as famílias, os afetos.

E o povo, com medo de morrer, se deixava matar.

Verdade, você agora me fez lembrar, houve um tempo em que éramos livres. Eu quase já me esqueci como era isso… 

Texto de Emmanuel Evangelos Haji Antoniou

O príncipe e o menino

– Tio, você sabe que lugar é esse?

– Não seja impertinente garoto! Não sou seu tio!

– O que é “ impetinente”?

– É impertinente que se fala. Incômodo, aborrecido, ou como vocês dizem, chato.

– Desculpa, não quis incomodar. O senhor sabe que lugar é esse?

– Não. Parece ser uma sala de espera. Veja, aquele portão grande ali, fechado. Acho que alguém vira abrir e nos explicar como viemos aqui. Só lembro de estar dormindo e acordar aqui.

– Eu também! Fui deitar, estava com dores e cansado e acordei aqui. Já não sinto mais nada. Será que é um hospital? Tudo tão branco, tão limpo… mas o senhor faz o que?

– Eu sou um Príncipe.

– Nossa, eu nunca vi um de verdade. Só nos livros. Meu pai diz que eu sou um príncipe também, mas não de verdade né?

– Sim. O que teu pai diz é verdade! Toda criança é um príncipe ou princesa para seu pai. Então você é o príncipe dele.

– Mas não do meu padrasto. Ele diz que não gosta de mim, ele me bate e diz que se eu falar pra minha mãe ela também não vai gostar de mim.

– Seu pai não te protege?

– Ele não pode, ele e minha mãe são separados. Ele me abraça quando estamos juntos, mas não é sempre. O senhor abraça teus filhos?

– Muito menos do que gostaria. Príncipes tem protocolos, obrigações…

– Deve ser chato né? Mas aqui só estamos nós dois. O Senhor poderia me abraçar? Tenho medo…

– Claro! Venha aqui. Como você se chama?

– Henry.

– Henry? Bonito nome. Tenho um neto com esse nome! Um pouco rebelde, mas um bom homem…

– E o senhor? Como se chama?

– Felipe. Pode me chamar de tio se quiser.

– Olha tio! O portão abriu! Tem uma luz bonita lá dentro! Vamos?

– Vamos menino, vamos lá até a Luz…

Gosto de imaginar que possa ter sido assim, num Reino muito, muito distante; em uma dimensão longe daqui…