A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Por mais que se prenda um corpo, se alma for livre, nada a prenderá. Há homens livres entre os prisioneiros. E muitos que, mesmo liberados, levaram a prisão dentro de si.
Podem tolher ou mesmo destruir a liberdade de locomoção e de expressão de alguém. Mas não da alma, do pensamento, da emoção e do desejo.
Olhe nos olhos de quem tira sua liberdade. Não precisa dizer nada. Seus olhos dirão: “somos livres e assim continuaremos. Ainda que em uma escura cela solitária”.
A essência do ser humano é a liberdade. E, mesmo assim, muitos dela abrem mão por covardia ou comodidade.
Ser livre é o que se tem de mais precioso.
E quando se tem a liberdade do corpo aliada à liberdade da alma, aí, sim, é possível ser feliz. Ter alma livre. E se tornar livre na vida.
Só quem é livre pode voar. Só a liberdade permite voar mais alto.
Por isso não se devem seguir caminhos trilhados, mas fazer os próprios, para chegar a novos lugares. E não apenas pelos próprios pés.
Porque os olhos sempre podem enxergar além de onde os pés poderiam levar. E a liberdade estava além da distância percorrida.
Mas também não somente pelos olhos. Porque os sonhos vão mais longe do que os olhos podem mostrar.
Liberdade é perseguir o sonho. Sonhar é enxergar além da realidade.
Continuando a falar de amor, e só de amor, por três dias, hoje postarei um texto e dois poemas:
Vacina de ano novo
Muitos me desejaram paz e amor em 75.
Mas havendo amor, haverá paz?
Amor é o contrário radioso dela.
É inquietação, agitação, vontade de absorver o objeto amado, temor de perdê-lo, sentimento de não merecê-lo, ânsia de dominá-lo, masoquismo de ser dominado por ele, dor de não o haver conhecido antes, dor de não ocupar seu pensamento 24 horas por dia, e mais dias a pedir ao dia para ocupá-lo, brasa de imaginá-lo menos preso a mim do que eu a ele, desespero de o não guardar no bolso, junto ao coração, ou fisicamente dentro deste, como sangue a circular eternamente e eternamente o mesmo.
Amor é isso e mais alguma triste coisa.
E a tristeza incurável do tempo não passa fora de nós, passa é dentro e na pele marcada da gente, lembrando que eternidade é ilusão de minutos e o ato de amor deste momento já ficou mergulhado em ter sido.
Amor é paz?
(Carlos Drummond de Andrade)
E
Amo-te quanto em largo, alto e profundo Minh’alma alcança quando, transportada, sente, alongando os olhos deste mundo, os fins do ser, a graça entresonhada.
Amo-te a cada dia, hora e segundo A luz do sol, na noite sossegada e é tão pura a paixão de que me inundo Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com a dor, das velhas penas com sorrisos, com lágrimas de prece, e a fé de minha infância, ingênua e forte.
Amo-te até nas coisas mais pequenas, por toda vida, e assim Deus o quiser Ainda mais te amarei depois da morte…
Ontem fiz um propósito de só falar de amor por três dias – textos e poesias de amor, homenagem ao dia dos (e)namorados. E sair um pouco dos assuntos tão repetidos em todos os blogs, jornais, revistas e conversas.
Falar de amor… o primeiro nome que vem à mente, é óbvio, é Vinicius de Moraes. O Grande Poetinha. Quem mais soube falar de amor, despertar a paixão, e cantar os amantes.
E Vinicius nos ensinou os versos de amor, a declaração de amor, o pedido amor. E nos deixou, ainda, o texto, maravilhoso, PARA VIVER UM GRANDE AMOR:
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso – para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… – não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro – seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada – para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade – para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô – para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito – peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista – muito mais, muito mais que na modista! – para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs – comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto – pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente – e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia – para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que – que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada – para viver um grande amor.
Mas, eu pergunto, o que é o amor? Como defini-lo, descrevê-lo? E me socorro, então do maior poeta da língua portuguesa, Luís de Camões:
Romance de amor, de paixão, de flores e morangos com chocolate.
Romance do champagne estourando.
Semana dos namorados. Não gosto muito desse termo – namorados. Deveria ser semana e dia dos ENAMORADOS. Derivado de enamorar-se. Que significa apaixonar-se, encantar-se.
E disso a vida precisa, por ser sua essência maior: paixão, encanto.
Talvez nem fosse preciso existir esse tal dia dos namorados, porque para quem está enamorado, todos os dias são dedicados à pessoa pela qual se apaixonou. Apaixonar-se é ter a ideia fixa na outra pessoa. Amanhecer e anoitecer pensando nela. Sonhar acordado e dormindo com essa pessoa. Só sentir vivo em sua companhia.
E agora, daqui três dias, teremos o dia dos namorados aqui no Brasil. Em isolamento social. Hotéis, motéis e restaurantes fechados.
Muitos enamorados separados por milhares de quilômetros de distância sem possibilidade de pegar um avião ou um ônibus e ir ao encontro da pessoa amada.
Comercialmente um desastre (tentando driblar esse ponto, São Paulo abrirá o comércio no dia 10 e os shoppings no dia 11. Depois deverá fechar tudo de novo).
Emocionalmente, um tsunami de amargura.
Será o dia dos namorados menos comemorado desde os tempos de guerra. Mas se a paixão tiver feitiço, ela sobrevive a tudo.
Só espero que as paixões sejam fortes o suficiente para superarem todas as separações forçadas.
Para adoçar um pouco, despertar o sentido da paixão, eu me proponho a, nos próximos três dias, publicar aqui exclusivamente textos românticos, poesias apaixonadas.