Segredos

Mon âme a son secret, ma vie a son mystère.

(A.-Félix Arvers)

Os segredos de cada um. De cada alma. De cada amor…

Pelo menos uma vez na vida cada um de nós guarda um segredo. Quanto mais inconfessável, mais secreto. Quanto mais segredos, mais perigos. Sejam os próprios, sejam os alheios.

Embora se diga que um segredo só existe enquanto apenas uma pessoa o conhece, temos de admitir que algumas pessoas não conseguem manter um segredo. Têm uma necessidade inexplicável de confidenciar.

Outras, no entanto, guardam seus segredos não como mistérios, mas como verdadeiros tesouros, sabendo que baú aberto não se presta a isso. E acabam sendo depositório dos segredos alheios. E, da mesma forma que não revelam os próprios, são capazes de morrer carregando segredos alheios. Jamais traem a confiança de quem foi capaz de se abrir e trazer o que de mais escondido tinha na alma.

Saber guardar segredos e, portanto, uma forma de lealdade.

E, se alguém não é capaz de ser leal consigo mesmo, com quem o será?

Para Racine, não há segredo que não seja o tempo não revele.

Pode ser. Mas não exatamente o tempo. Algumas pistas, algum fio solto no passado…

Ou mesmo uma forma de vingança.

Porque revelar segredos alheios, ou os próprios, mas que envolvam terceira pessoa, é uma forma de vingança. Cruel. Cortante.

Ser traído dessa forma é ser apunhalado.

Não há dúvida que o segredo – ainda que desconhecido, apenas suspeitado – desperta uma curiosidade incontrolável. Especialmente nos fofoqueiros profissionais.

E não revelar é, também, uma forma de vingança contra essas pessoas inconvenientes.

Se eu tenho segredos? Sim. E Muitos. Meus. Alheios. Que envolvem outras pessoas…

Mas nem sob tortura eu os revelo. Nenhum. Não dou pistas. Recolho todas as pontas exatamente para que não possam ser puxadas. São tantos, tantos… mas estão aqui, trancados na minha alma, nos mistérios da minha vida…

Dia de Poesia – Sílvia Schmidt – Tatuados

Quadro Artesanal Casal Deitado 70x100: Amazon.com.br: Casa

Hei de deitar-me um dia no teu leito,

Hei de te olhar nos olhos, a sorrir,

Hei de dizer – sem medo e sem fingir –

De quantos sonhos meu amor é feito

 

Tu me olharás, ardendo-te em desejo,

E atraíras meu corpo para o teu

Hei de sentir-te finalmente meu

Hás de sugar-me a alma com teu beijo

 

Nós perderemos a noção do tempo,

Nós ouviremos o soprar do vento,

Cantando nosso amor em prosa e verso

 

Seremos força viva no presente

Seremos água e sede eternamente,

Tatuados para sempre no universo

Conversa com meu avô n° 12

Aqui estamos, de novo, meu avô, para mais uma de nossas conversas. Mas não me pergunte muito, porque não saberei responder. As coisas aqui estão ruins de uma forma que nem sei o que dizer ao senhor.

É verdade, vô, continuamos em isolamento social. Eu sei – e claro, todos os políticos sabem, que o desemprego, o número de falências, a pobreza, a fome serão quase invencíveis quando isso tudo acabar, mas nada podemos fazer.

Como assim, o Presidente da República não faz nada? Que isso, vô, até o senhor, tão lúcido, está entrando nessa dos comunas???????

Os sinistros do supremo tribunal federal tiraram das mãos do Presidente da República todas as ações que visam controlar o coronavírus. Ou seja, governadores e prefeitos mandam, fazem o que querem, superfaturam compras, enterram caixões vazios, mandam anotar covid 19 (nome oficial do bicho) em TODAS as certidões de óbito, para inflar os relatórios e assim conseguirem extorquir mais verbas da União. E o senhor diz que o Presidente que não age????

Só se ele mandar um jipe com um cabo e dois soldados para fecharem aquele bordel…

Exatamente, ele trocou o ministro da saúde. Quanto a isso, estávamos vendo que o ministro não estava muito à vontade para enfrentar essa crise da pandemia. Mas ele nomeou um cara que aparentemente tem condições de tocar o barco.

O ministro da justiça, que era aquele juiz de direito que todos admiravam, realmente não se saiu bem no cargo. Mais de um ano e nada foi feito. Ele apresentou um projeto de lei que foi desfigurado e completamente “aleijado” no congresso e ficou por isso mesmo. Parece que a autoridade dele como juiz não veio junto para o ministério.

Não, que isso, vô, perda nenhuma. Pense num tabuleiro de xadrez – só o rei não pode cair nem ser substituído. Todos devem dar a vida para protegê-lo até o fim da batalha. Ou da partida. Com o tabuleiro da política ocorre a mesma situação – nós elegemos o Presidente da República. Só ele não pode cair nem ser substituído. Todos os outros são peões. Uns fazem mais falta quando caem (a dama, o bispo, por exemplo), outros fazem um favor quando se vão.

Nos últimos 20 anos já tivemos perto de cem ministros. O país sobreviveu à demissão de todos.

E o imbróglio com o chefe da polícia aconteceu porque o sinistro que acha que é xerife queria um cara da confiança dele para diretor lá. Esquisito, não é mesmo? Quem governa o país (e os Estados e os municípios) atualmente é a justiça. Metem o nariz em tudo mas não entendem nada.

Impeachment? Não sei, vô. Tudo pode ocorrer nesta terra de ninguém chamada Brasil. Aqui tem muito cacique para pouco índio, todo mundo manda e ninguém obedece. Não há ordenamento jurídico fixo, eles vão mudando as leis, os entendimentos, a jurisprudência a cada caso, dependendo do interesse pessoal deles, dos familiares, dos sócios, dos amigos…

Rasguei meu diploma da faculdade e joguei fora, vô. E vou tacar fogo na minha biblioteca jurídica. Não servem para nada. Aqui só os amigos dos reis que mandam e têm direitos.

Concordo, vô, eu estudei muito, sempre fui muito dedicada aos estudos, sempre quis entender para saber. Mas tudo aquilo que o senhor sempre me viu estudar não tem mais serventia. Se eu fosse esposa de um sinistro do stf, daí seria diferente, porque só pegaria causas de lá (até hoje não explicaram como certas pessoas irrelevantes, joão-ninguém, ladrãozinho ordinário, têm foro perante essa corte. São jabuticabas, vô, sabe aquele tipo de coisa que só existe no Brasil?) Pois é…

Ah, sim, agora entendeu mais ou menos o que aconteceu nesses quinze ou vinte dias? Eu não sei, vô, onde está a verdade. Isso é algo que nunca saberemos, se precisa ficar em casa, se trabalhar mata, se o vírus foi feito em laboratório, se apenas um vírus sofreu repentinamente uma mutação terrível e está matando meio mundo… mas se a ordem é ficar em casa, estamos em casa. Manda quem pode, obedece quem tem juízo ou, é amigo do rei, aí faz o que quiser, vai a festas, não tem limite.

Simples assim.

No mais, tudo bem, vô. Vamos aguentando as pancadas e esperando que tudo melhore.

Para Senna, 26 anos depois

 

Hoje, 26 anos de uma das cenas mais tristes que nenhum brasileiro jamais esquecerá – aquele terrível acidente em uma curva em Ímola, GP da Itália, 1994.

Ali se encerrava a notável carreira do piloto Ayrton Senna, brasileiro, paulista, Corinthiano.

Nunca mais as madrugadas com respiração suspensa na frente da TV acompanhando sua coragem, seu desempenho inigualável.

Nunca mais a pequena Bandeira do Brasil tremulando sobre o cockpit na volta de mais uma vitória. E nosso orgulho explodindo ao ver seu sorriso no degrau mais alto do podium, lugar que era seu por direito e destino.

Tudo já se falou. Pouco a falar desse rapaz extraordinário, seja como piloto, profissional, filho, brasileiro…

Senna, nosso piloto maior, “sua” música nos emociona até hoje…

Je t’offre un muguet de bonheur

RANDO DU MUGUET A St FLORENT DES BOIS | Association ECLA

Flores, os adornos da natureza, são, também, símbolos nas relações humanas.

São ofertadas no dia dos namorados, dia das mães, aniversários, estão nos buquês de noivas, nas coroas dos velórios, ornamentam casamentos, lapelas…

Uma mulher que nunca recebeu uma flor, um buquê de flores ou um arranjo de flores, nunca será uma mulher completa, feliz. As flores dizem mais que joias ou qualquer presente caro.

Rosas, cravos, camélias…

Algumas têm significados especiais. Por exemplo, a pequena e rara edelweiss. Cujo ato de ofertar significa mais que o amor, a coragem do rapaz que escalou escarpas para colhê-la, tradição alpina da região do Tirol, de onde é símbolo.

E, na França, temos a singela muguet-du-bois. A pequenina e delicada florzinha branca. A flor da sorte. E também a flor da felicidade.

Essa flor é oferecida no dia 1º de Maio. Por isso também chamada, lá nas terras de Balzac, de Flor de Maio. De início, diz-se que no século XVI, era colhida para festejar e enfeitar as noivas, no início dos dias mais quentes, depois dos rigorosos invernos europeus.  

Durante o reinado de Charles IX, alguém lhe ofereceu um ramo de muguet-du-bois, em um dia 1º de Maio. Encantado com o gesto, o rei ordenou que todo dia 1º de Maio deveria ser dada essa flor a todas as moças solteiras do reino. Verdade? Lenda? Não há como saber. Ele ficou conhecido como “maluco”, responsável pelo terrível massacre da Noite de São Bartolomeu. Difícil acreditar que se emocionasse com uma singela florzinha branca.

De qualquer forma, seja qual for a origem do gesto, este perdurou e no dia 1º de Maio as delicadas muguets-du-bois são oferecidas entre os franceses.

Por ser também comemorado o Dia do Trabalho no dia 1º de Maio, os trabalhadores adotaram a troca dessas flores como símbolo do trabalho.

Assim, passando de um significado para outro, persiste, ainda, o costume – lindo, diga-se de passagem, de se ofertar um muguet-du-bois, agora chamado muguet de bonheur nesse dia.

Por isso, a todos, franceses e brasileiros que cultivam tradições, ofereço a cada de um de vocês, para esse 1º de Maio, desejando que tenhamos um mês novo, livre, feliz, , um ramo virtual de muguet du bonheur:

Molinard : Tous les produits et les avis consommateurs - Beauté ...

 

Para esquecer você

Amantes doces abraçam a silhueta - Baixar PNG/SVG Transparente

Um dia eu quis esquecer você…

Para tentar esquecer, comecei a lembrar

tudo aquilo que eu precisava esquecer.

Lembrei-me então desse seu olhar

que sempre me atravessava e enxergava

o que ninguém mais via em mim.

Esses olhos profundos, esse olhar firme

esse brilho de paixão que nenhum outro tem.

E então eu me lembrei do seu sorriso, tão meigo

tão amigo, animador. E lembrando agora essa boca

como não pensar naquele primeiro beijo

e na paixão que explodia como estrelas de fogo.

Para esquecer sua boca, pensei em seus braços,

em suas mãos, no abraço apertado em seu peito…

e me lembrei de noites de amor, de manhãs floridas

de tantas loucuras sonhadas, de verdades confessadas, 

de alguns segredos partilhados, de desejos realizados

de muitas risadas e até de algumas lágrimas…

e assim, ao tentar esquecer, mais e mais eu me lembrava

E senti saudade, muita saudade, de tudo que vivemos

Lembrando de você ao tentar esquecer, eu percebi

o quanto, para mim, você é inesquecível…