Dia de poesia – Pedro Salinas – Ayer te besé em los labios

BEIJO DE LÍNGUA EMAGRECE E ALIVIA O ESTRESSE

Ayer te besé en los labios.
Te besé en los labios. Densos,
rojos. Fue un beso tan corto
que duró más que un relámpago,
que un milagro, más.
El tiempo
después de dártelo
no lo quise para nada
ya, para nada
lo había querido antes.
Se empezó, se acabó en él.

Hoy estoy besando un beso;
estoy solo con mis labios.
Los pongo
no en tu boca, no, ya no
—¿adónde se me ha escapado?—.
Los pongo
en el beso que te di
ayer, en las bocas juntas
del beso que se besaron.
Y dura este beso más
que el silencio, que la luz.
Porque ya no es una carne
ni una boca lo que beso,
que se escapa, que me huye.
No.
Te estoy besando más lejos.

Saudade de meu pai

Às vezes a saudade vem atropelando todos os outros sentimentos, tirando nosso sono e nosso chão. E algumas saudades são invencíveis, situações e pessoas irrecuperáveis.

São tantas saudades sem volta. São tantas pessoas que se foram para sempre.

E a alma dói. O coração sangra. Mas nada se pode fazer. Apenas olhar as antigas fotos, lembrar das circunstâncias em que foram tiradas. E chorar.

Nada melhor do que chorar para amainar a dor de uma saudade.

Mas esse pranto não é um choro qualquer. É um choro sentido. De quem sabe que não terá como recuperar a pessoa ida e perdida. Perder alguém em vida dói. Mas perder para a morte, é irremediável.

Assim choro meu pai. Eu o perdi para a morte. Ao mesmo tempo que agradeci aos céus ter cumprido minha missão de filha, e eu o acompanhei até seu túmulo, a falta e a saudade dele são terríveis em minha vida.

Ah, meu pai, quanto mais o tempo passa, mais sua falta eu sinto…

São dezesseis meses de sua partida para a casa do Pai. E sua falta, diária. Uma vontade indescritível de ouvir sua voz, e, mais ainda, de seus conselhos e conceitos sobre todo esse horror em que nosso mundo se transformou.

Eu queria, meu pai, que o senhor me dissesse como agir, o que pensar, o que esperar dessa pandemia, desse isolamento que não tem fim. Como ajudar nossos irmãos que sofrem privações, fome, e tanto medo e insegurança por causa disso tudo.

Sua opinião serena e ponderada. E, pai, o mais importante, ter a confiança de apenas segui-lo. Saber que se deixasse o senhor ir na frente, meu caminho seria seguro e me levaria onde devo chegar. Porque o senhor nunca se enganava, nunca deixou um filho sozinho, entregue à própria sorte. O senhor estava ali, ao lado, com seu amor inabalável e sua presença firme, a nos dar segurança.

E hoje, pai, sua falta doeu de forma mais aguda. Machucou, pai, quando eu vi nossa linda afilhada, Denise, surgir na primeira prova de seu vestido de noiva. Linda como nunca. E pensei no senhor, no seus olhos amorosamente verdes, e no seu sorriso emocionado, quando o senhor visse nossa querida “dona Dê” entrar na igreja, com seu vestido branco, seu sorriso lindo, e toda nossa emoção e nossa bênção.

De onde estiver, pai, abençoe nossa afilhada. E olhe por nós, que a saudade nos consome. Que um dia possamos novamente nos reunir. Seja em qualquer dimensão. Mas que eu possa, novamente, estar a seu lado.

Nosso amor

No aconchego do teu peito

Seus olhos – faróis que me dão norte,

Seus braços – o meu berço de aconchego

Seu corpo – o real porto seguro

Você – meu amor, minha paixão.

E neste leito de êxtase ardente

Mesclado de desejo e de carinho

Nós, que tanto nos queremos, nos amamos.

E, quando feliz entre beijos de ternura,

Inclinada em teu peito me recosto,

Em paz, finalmente, adormeço.

De novo, é primavera!

When & Where to See the Tulips in Holland (the Netherlands). Just 30 minutes from Amsterdam

Amanhecemos na primavera.

Dia escuro, de vento, baixa temperatura… típico de mudança de estação. Era o inverno tentando resistir e ficar mais um pouco. Mas o equinócio não permite. É hora de acabar o inverno e começar a primavera.

Que estará conosco até dia 21 de dezembro, quando o solstício trará o verão.

E, por ser primavera, quero mais cores na minha vida, que tem sido muito cinza, muito bege, muito triste.

Quero as cores quentes, as cores variadas, de um alegre jardim florido.

Sair do casulo no qual passei o inverno e ganhar o mundo.

Andar nas praias, dançar nas praças, cantar nas madrugadas.

Primavera é a estação do namoro, do beijo apaixonado, das mãos dadas sem destino.

Na primavera quero amar. Ser amada. Descobrir novos lugares, provar novas comidas, apreciar novas bebidas.

Porque é primavera, renovação da natureza, quero também me renovar. E inovar.

Limpar as asas que o prolongado inverno enferrujou, e tirar o peso da bagagem excessiva que o início desse ano complicado adicionou à minha carga original.

E ir.

Talvez para sempre.

Porque será para ficar.

Dia de poesia – Arlene Paiva – Eu gosto

Eu gosto do amor que sobra!
Aquele amor que se derrama,
Sem economizar.
Amor que
Se espalha,
Enraíza,
Só de olhar.
Amor que dá sentido,
que faz sentido,
A tantas formas de amar.
Gosto daquele amor
cheio de intenção,
Que faz o coração acelerar.
Amor que dá água na boca,
E depois secura,
Para depois molhar.
Gosto do amor,
Remanso, calmaria,
Um pouco de rebojo,
Vento brando, sem assustar.
Amor tempestade de verão,
Chuva forte passageira, aroma de terra molhada no ar;
Chuva fina com a sensação de vai-e-vem,
Sem garoar.
Gosto do amor sentido,
Que alivia, mas tempera,
Sem hora para acabar.
Eu gosto do
amor límpido, translúcido, farto,
Sem medida ou receio de errar.
Eu gosto do
amor com jeito,
cara e cheiro de amar.
Amor que enobrece, cuida, dela,
Amor para enfeitiçar.
Amor que mata de rir,
Que faz viver feliz,
E meio sem querer
Faz chorar.
Amor atrevido,
Que se faz presente,
Para depois desembrulhar.
Eu gosto daquele
amor que pode-se chamar de “meu”,
Sem medo de gritar.
Amor frequente, que extasia,
Amor da gente.
Amor que faz (des)confiar.
Eu gosto daquele
amor que te puxa para o lodo
e cochicha em meu ouvido, com voz rouca, dizendo:
Meu bem, vem cá!
Eu gosto daquele amor que usa, abusa
E lambuza
Com as mais diversas forma de amar.
Eu gosto de amor farto, Sem resíduo.
Para que economizar,
Se amor é para viver de amar?
Eu gosto!