De amor, em três dias, parte 03 No Dia dos Namorados

E, mais uma vezes nesta vida apaixonante de uma eterna apaixonada, novamente é Dia dos Namorados… tantas lembranças, tantas saudades…

Vou trazer, em revival, o que aqui postei, por esta época no ano passado, porque, para mim, nada mais romântico que uma carta de amor…

                               

No dia dos namorados

Queria uma carta de amor

Uma carta escrita com carinho

Cheia de palavras de amor;

Que viesse em um papel delicado,

Com letra tremida de paixão,

Tinta carregada de ternura

E perfume de muita saudade.

Que aquecesse meu coração,

Alegrasse minha existência

E que me provocasse

Na boca um terno sorriso,

Enquanto dos olhos escorresse

Uma lágrima de emoção;

Trazida com muito cuidado

No bico de um rouxinol.

Mas se não puder mandar a carta

Se não gostar de escrever

Se não tiver esse papel, nem essa tinta

Se não souber essa letra e nem tiver

De emissário um rouxinol, não faz mal

Venha então pessoalmente

Para me dizer essas palavras

Com voz de muita paixão

E nos olhos muita ternura

Nas mãos não quero flores

Nem mesmo quero presentes

De nada que há em lojas eu preciso

Quero apenas mãos trêmulas de desejo

E um abraço que mate toda essa saudade.

e, para arrematar os três dias de romance, dois poemas, o primeiro de nosso Poeta da paixão

SONETO DO AMOR TOTAL

 

Amo-te tanto, meu amor… não cante 
O humano coração com mais verdade… 
Amo-te como amigo e como amante 
Numa sempre diversa realidade 

Amo-te afim, de um calmo amor prestante, 
E te amo além, presente na saudade. 
Amo-te, enfim, com grande liberdade 
Dentro da eternidade e a cada instante. 

Amo-te como um bicho, simplesmente, 
De um amor sem mistério e sem virtude 
Com um desejo maciço e permanente. 

E de te amar assim muito e amiúde, 
É que um dia em teu corpo de repente 
Hei de morrer de amar mais do que pude.

(Vinicius de Moraes)
 
 
E
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É ASSIM QUE TE QUERO, AMOR

Chegastes à minha vida

com o que trazias,

feita

de luz e pão e sombra, eu te esperava,

e é assim que preciso de ti,

assim que te amo,

e os que amanhã quiserem ouvir

o que não lhes direi, que o leiam aqui

e retrocedam hoje porque é cedo

para tais argumentos.

Amanhã dar-lhes-emos apenas

uma folha da árvore do nosso amor, uma folha

que há-de cair sobre a terra

como se a tivessem produzido os nosso lábios,

como um beijo caído

das nossas alturas invencíveis

para mostrar o fogo e a ternura

de um amor verdadeiro.

(Pablo Neruda)