Tenho ciúmes Das verdes ondas do mar Que teimam em querer beijar Teu corpo erguido às marés Tenho ciúmes Do vento que me atraiçoa Que vem beijar-te na proa E morre pelo convés Tenho ciúmes Do luar da Lua cheia Que no teu corpo se enleia Para contigo ir bailar Tenho ciúmes Das ondas que se levantam E das sereias que cantam Que cantam para te encantar Ó meu amor marinheiro Ó dono dos meus anelos Não deixes que à noite a lua Roube a cor aos teus cabelos Não olhes para as estrelas Porque elas podem roubar O verde que há nos teus olhos Teus olhos, da cor do mar Ó meu amor marinheiro Ó dono dos meus anelos Não deixes que à noite a lua Roube a cor aos teus cabelos Não olhes para as estrelas Porque elas podem roubar O verde que há nos teus olhos Teus olhos, da cor do mar
Mês: dezembro 2022
Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 10 – Alceu Wamosy
Alceu de Freitas Wamosy (Uruguaiana, 14 de fevereiro de 1895 – Santana do Livramento, 13 de setembro de 1923, foi um jornalista e poeta brasileiro.

Filho de José Afonso Wamosy, de origem húngara, e de Maria de Freitas, foi poeta simbolista. Publica seu primeiro livro Flâmulas, poemas, em 1913, quando já escreve para o jornal A Cidade, fundado por seu pai em Alegrete, Rio Grande do Sul.
Adquire em 1917 o jornal O Republicano, no qual permanece até a morte. No ano de publicação do seu Coroa de Sonhos, no qual enfeixa um dos mais belos sonetos da língua pirtuguesa(“Duas Almas”), envolve-se ardentemente na Revolução de 1923, sendo ferido a bala e vindo a falecer em um “hospital de sangue” na companhia da mãe e da esposa, com a qual casa-se “in extremis”.
É Patrono da Cadeira n° 40 da Academia Rio-Grandense de Letras; aclamado patrono da Feira do Livro de Porto Alegre de 1967. (Fonte Wikipédia)

Duas Almas
Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada…
A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.
E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua…
Hás de levar contigo uma saudade minha…
Idealizando a morte
Morrer por uma tarde assim como esta tarde,
fim de dia outonal, tristonho e doloroso,
quando o lago adormece e o vento está em repouso,
e a lâmpada do sol no altar do céu não arde.
Morrer ouvindo a voz de minha mãe e a tua
rezando a mesma prece, ao pé do mesmo santo,
vós ambas tendo o olhar estrelado de pranto,
e no rosto e nas mãos palidezes de lua.
Morrer com a placidez de uma flor que se corte,
com a mansidão de um sol que desce no horizonte,
sentindo a unção do vosso beijo ungir-me a fronte
— beijo de noiva e mãe, irmanados na morte.
E morrer… e levar com a vida que se trunca,
tudo que de doçura e amargor teve a vida:
o sonho enfermo, a glória obscura, a fé perdida,
e o segredo de amor, que não te disse, nunca!
Noturno
Tu pensarás em mim, por esta noite imensa e erma, em que tudo é um frio e um silêncio profundo? Tu pensarás em mim? Por esta noite, enfermo, tendo os olhos em febre e a voz cheia de sustos, eu penso em ti, no teu amor e na promessa muda que o teu olhar me fez e que eu espero. (Que dor de não saber se tu pensas em mim!) Sob a tenda da noite estrelada de outono, que eu contemplo através os cristais da janela, junto ao manso tepor da lâmpada que escuta — antiga confidente — os meus sonhos e as minhas vigílias de tormento, eu penso em ti, divina. (E tu talvez nem te recordes deste ausente!) Penso em ti. Penso e evoco o teu vulto adorado. Penso nas tuas mãos — um lis de cinco pétalas — que, em vez de sangue, têm luar dentro das veias; nos teus olhos, que são Noturnos de Chopin agonizando à luz de uma tarde de sonho; na tua voz, que lembra um beijo que se esfolha. Penso. (E nem sei se tu também pensas em mim!) Talvez não. No tranquilo altar da tua alcova, onde se extingue a luz de um velho candelabro como uma lâmpada votiva, tu adormeces sorrindo ao Anjo fiel que as tuas pálpebras fecha para que tu não tenhas sonhos maus. E eu penso em ti, sem sono, a sós, angustiado e febril, em ti, que nem eu sei se te lembras de mim...
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de Poesia – Luís Lavado – Que seria de mim
Que seria de mim... Sem esta loucura que carrego... Sem este mar de sargaço... Que percorre o meu corpo... Sem a espuma salgada... Das minhas vontades... Sem os barcos que dançam!!! Na bruma do meu horizonte... Mergulham destemidos!!! No nevoeiro incerto dos meus sonhos... Que seria de mim sem os mil sois!!! Que brilham dentro do nosso Amor... Sem as melodias das nossas noites invernais... Sem a estrela cadente... Que ilumina os meus dias mais impuros... Tenho os pés na terra nua!!! Adormecido... vivo neste sonho desfeito... Entre lumes e vozes... Entre beijos mudos e pálidas mãos!!! Caricias sonhadas nas maçãs rosadas do teu rosto... Porque no meu silencio... És a luz doce... És esta espera... Que o nosso Amor amadureça... És o desejo ardente... De um beijo sôfrego... Teus lábios vermelhos... Abraço sentido... Do vento que trespassa... Meu rosto ferido... Na véspera das lágrimas!!! Mas eu continuo aqui... Permanente aqui... Firmemente aqui... No teu cheiro... Ao sabor dos beijos que sonho... Que tenho... Que vivo... Com os olhos "vidrados"!!! Apreciando a curva tenra do teu dorso... Neste desejo quase incontrolável... De ter os teus joelhos no chão encerado... Das minhas vontades... ...Amo te tanto... Meu Deus.... como te Amo...

Para ouvir – o belo é atemporal…
Dia de poesia – Anjo Travesso – Pedaços de mim

Sem que percebesse, o teu olhar
Me tocou profundamente…
Senti-me levitar
Enquanto invadias a minha mente…
Não sei se fiquei serena ou inquieta.
Sei apenas, que me senti invadida,
E de uma maneira discreta
Me senti ser despida.
Com o corpo coberto,
Mas a alma a nu…
Sem saber ao certo
Quem eras tu!
Porém afirmo, com toda a convicção,
Que nossas almas, se reconheceram
Naquele breve instante…
Senti parar meu coração…
Palavras em silêncio se leram,
No brilho de um olhar fulminante!
Afastei meu olhar, timidamente,
Pelas imagens que poderias ler,
Amor de alma a gente sente…
Sem nunca o conseguir descrever.
Um sorriso delicado se desenhou,
Ao perceber que foi reconhecida
A alma que tanto amou
Em mais do que uma vida!
Toque singelo e singular,
Fez meu corpo estremecer
Sabendo que já foste meu lar…
E que eu já fui tua mulher…
Penetrante olhar me despia,
Pois há muito me conhecia!
Quando não souber o que fazer
Quando não souber o que fazer…
Quando não souber o que fazer, apenas respire e agradeça.
Confie, não ceda ao medo ao medo.
Há sempre outra maneira de ver o que está acontecendo com você.
Não ceda ao medo, ao pânico. Não lhe dê poder. Fique quieto… Solta… Deixe ir…
Qual seria a pior coisa que pode acontecer com você?
O medo é a coisa que mais mata no mundo.
Apenas respire… devagar e profundamente… vá para dentro… ao silêncio… à paz…
Pare de lutar, aceite o que quer que esteja acontecendo com você… mas não resista…
Apenas foque na sua respiração… abandone toda a intenção de querer ter razão… mergulhe na sua paz, na sua calma…
A única coisa que machuca são os pensamentos.
Se pararmos por um instante de pensar em algo.
Já não nos afeta.
Nós lutamos contra as coisas, os conflitos e tudo o que fazemos é engordá-los.
Nossa mente não resolve eles… e pouco a pouco nos sentimos consumidos.
Mude… entregue-o ao universo e desentenda-se…
Entregue-se à verdade, que é…
Reconheça que você não sabe, portanto…
Nada você vai conseguir.
Há em você uma verdade que é e transcende tudo e só te diz… Confie em mim.
Você não precisa confiar em você, nem saber como, quando, onde… Apenas confie.
É tudo.
Há sempre uma saída.
Tudo passa.
- DESCONHEÇO A AUTORIA