Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida – 12 – Lara de Lemos

Órfã de pai e de mãe aos cinco anos de idade, Lara Fallabrino Sanz Chibelli de Lemos foi criada pela avó em Caxias do Sul. Pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ela se diplomou em História e Geografia (1945), em Pedagogia (1951) e em Jornalismo e Comunicação Social (1958). Lemos ainda se graduou em Direito, pela Universidade Candido Mendes no ano de 1975. Além disso, especializou-se em literatura inglesa na Southern Methodist University, nos Estados Unidos.

A estreia de Lara de Lemos como escritora se deu em 1955, na Revista do Globo, para a qual escreveu contos, entre os quais “Homem no bar” e “Mulher só”. Em 1958, Lemos passou a colaborar para o Correio do Povo, mais tarde, para muitas outras publicações, tais como Última Hora, Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa. Participante das causas políticas da época, ela escreveu, ao lado de Paulo Cesar Pereio o Hino da Legalidade, em 1961, defendendo a posse de João Goulart. Contudo, foi obrigada a interromper sua carreira jornalística por causa do regime militar, tendo ela própria e sua família sido presos.

Tendo se mudado para o Rio de Janeiro, Lemos trabalhou para o Ministério da Educação, como inspetora de Ensino Superior e técnica em Assuntos Educacionais. Lecionou História Geral no ensino público do Rio Grande do Sul e foi professora-assistente de Economia Política na Universidade Candido Mendes.

Por muitos anos, Lara de Lemos residiu em Nova Friburgo. (Fonte: Wikipédia)

Como se nunca, 
terrena e submissa, 
recolhesse do amor 
o fruto sazonado.

Como se os abraços 
não fossem para 
o homem e suas dores 
acalanto e regaço

Como se não houvesse 
riso e pranto 
noite escura e dia 
a canção e os mortos

Só. Como se o muro 
surgisse inexplicável 
e eu tivesse nascido 
do outro lado.

Matura idade

Já não receio 
meu avesso de medos. 

Distingo as coisas 
em sua proposta exata 
e sei – cada ser 
possui justa medida. 

Já não almejo 
o que me foi negado. 

Prossigo a caminhada 
colhendo o que 
me coube, consoante 
o chão lavrado.

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