Órfãos no Natal – e ele fazendo falta Naquela mesa…

Como os órfãos conseguem enfrentar o Natal? aquele lugar sempre vazio em todos os dias, fica ainda mais vazio na mesa de Natal, festa que ele tanto apreciava e fazia questão de reunir a família… aquele lugar sempre vazio na vida, aquele abraço que não vem mais, aqueles olhos que não se iluminam mais ao ver você chegar, aquelas mãos firmes que já não apoiam nem sustentam… que saudade, meu pai, como a vida ficou triste depois de sua partida…

“O que fiz por ele, fiz e não digo. O que fez por e de mim, foi um tudo. Me lembro: jamais me mentiu. Era capaz de esbofetear um mentiroso, apenas pela mentira. Fosse de que gravidade.

De tudo que me ensinou, certo ou errado, hoje, dentro dos meus já então parcos e paupérrimos preconceitos, retiro, inapelavelmente, uma solução, uma saída, uma parada para pensar, um pouco de coragem para enfrentar, muita coragem para não “aderir” – na última das hipóteses, um sofisma, uma frase feita – estamos conversados!


Aos 37 anos de idade, descrente e exausto, sem Deus nem diabo, é que posso afirmar: Jacob Pick Bittencourt foi mais do que um pai. Do que um amigo. Do que um Ídolo. Foi e é, para mim, um homem.

Com todas as virtudes, fraquezas, defeitos e rastros de luz que certos homens, que ainda escrevemos com “agá” maiúsculo, souberam ou sabem ser. E homem com H maiúsculo, para mim é Gênio.

Tenho certeza e assumo: não sou nada, porque, de fato, não preciso ser. Me basta ter a certeza inabalável de que nasci do Amor, da Loucura, da Irrealidade e da Lucidez de um Gênio.

(Texto de Sérgio Bittencourt sobre seu pai, Jacob do Bandolim, para quem compôs a canção “Naquela mesa”)

Poesia da casa – Tanta saudade

Lembranças doces que nos perseguem
Ausência de uma paixão que se desvaneceu no tempo
Presença constante da falta que alguém nos faz
Buscar no nada uma razão para a existência
Fazer, da névoa da memória, uma companhia
Olhar para as próprias mãos, agora vazias
Ainda com o perfume do amor compartilhado
De tudo que escorreu por entre nossos dedos
E não conseguimos reter em nossa vida,
Mas não tivemos jeito de tirar do coração.
Relembrar cada momento de doçura e encanto
Ouvir de novo a voz já tão distante
Perder os contornos precisos de um vulto
e ver as cores da própria vida se esmaecendo
Como um barco que, pouco a pouco, se afasta do cais

(Imagem: banco de imagens Google)

No centro da espiral

e vieram as máscaras. Inúteis, horrorosas 
e impostas mediante violência.
e veio a violência. E o pânico. 
então veio o isolamento. O fique-em-casa 
e o cala-a-boca.
e 24 horas por dia de notícias escatológicas 
incentivando a neurose coletiva.
Assim, submissos, submetidos e humilhados, 
mascarados e confinados, 
viveram por mais de um ano...
então veio a vacina. Que não imunizava 
mas era obrigatória
e os menos esclarecidos a disputaram a tapas
e gloriosamente postavam nas redes
fotos do momento da vacinação... 
e depois pegaram a doença
e a indústria da mentira foi 
fartamente alimentada
e as pedras voavam na direção 
dos que não tinham medo
porque o grande crime 
passou a ser não ter medo
eram os “negacionistas”
porque é preciso pôr um rótulo...
apenas negavam a eficácia da vacina
não a existência da doença
nem o perigo que representava...
agora, toda a farsa veio à tona
a vacina que ameniza 
mas não imuniza
a doença que poderia ser controlada
a estabilização – ou amenização
natural do vírus nas novas cepas
e a ameaça de tudo recomeçar
pânico, fica-em-casa, cala-a-boca
máscara e vacinação compulsória
porque agora eles negam as evidências
os artigos científicos
e as verdades expostas
quem são os novos negacionistas
porque tudo se repete, 
como uma espiral 
a população achando lindo
pensar que teremos nova pandemia
vibrando com a possibilidade
de não precisar trabalhar...
quando vier a fome
derramarão lágrimas de sangue
por um dia de serviço bem pago
mas então será tarde
muito tarde
para sentir

(Imagem: banco de imagens Google)

Hoje é Fado! – Carminho – Meu amor marinheiro

Tenho ciúmes
Das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar
Teu corpo erguido às marés

Tenho ciúmes
Do vento que me atraiçoa
Que vem beijar-te na proa
E morre pelo convés

Tenho ciúmes
Do luar da Lua cheia
Que no teu corpo se enleia
Para contigo ir bailar

Tenho ciúmes
Das ondas que se levantam
E das sereias que cantam
Que cantam para te encantar

Ó meu amor marinheiro
Ó dono dos meus anelos
Não deixes que à noite a lua
Roube a cor aos teus cabelos

Não olhes para as estrelas
Porque elas podem roubar
O verde que há nos teus olhos
Teus olhos, da cor do mar

Ó meu amor marinheiro
Ó dono dos meus anelos
Não deixes que à noite a lua
Roube a cor aos teus cabelos

Não olhes para as estrelas
Porque elas podem roubar
O verde que há nos teus olhos
Teus olhos, da cor do mar

Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 10 – Alceu Wamosy

Alceu de Freitas Wamosy (Uruguaiana, 14 de fevereiro de 1895 –  Santana do Livramento, 13 de setembro de 1923, foi um jornalista e poeta brasileiro.

Filho de José Afonso Wamosy, de origem húngara, e de Maria de Freitas, foi poeta simbolista. Publica seu primeiro livro Flâmulas, poemas, em 1913, quando já escreve para o jornal A Cidade, fundado por seu pai em Alegrete, Rio Grande do Sul.

Adquire em 1917 o jornal O Republicano, no qual permanece até a morte. No ano de publicação do seu Coroa de Sonhos, no qual enfeixa um dos mais belos sonetos da língua pirtuguesa(“Duas Almas”), envolve-se ardentemente na Revolução de 1923, sendo ferido a bala e vindo a falecer em um “hospital de sangue” na companhia da mãe e da esposa, com a qual casa-se “in extremis”.

É Patrono da Cadeira n° 40 da Academia Rio-Grandense de Letras; aclamado patrono da Feira do Livro de Porto Alegre de 1967. (Fonte Wikipédia)

Duas Almas

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua…
Hás de levar contigo uma saudade minha…

Idealizando a morte

Morrer por uma tarde assim como esta tarde,
fim de dia outonal, tristonho e doloroso,
quando o lago adormece e o vento está em repouso,
e a lâmpada do sol no altar do céu não arde.


Morrer ouvindo a voz de minha mãe e a tua
rezando a mesma prece, ao pé do mesmo santo,
vós ambas tendo o olhar estrelado de pranto,
e no rosto e nas mãos palidezes de lua.


Morrer com a placidez de uma flor que se corte,
com a mansidão de um sol que desce no horizonte,
sentindo a unção do vosso beijo ungir-me a fronte
— beijo de noiva e mãe, irmanados na morte.


E morrer… e levar com a vida que se trunca,
tudo que de doçura e amargor teve a vida:
o sonho enfermo, a glória obscura, a fé perdida,
e o segredo de amor, que não te disse, nunca!

Noturno

Tu pensarás em mim, por esta noite imensa
e erma, em que tudo é um frio e um silêncio profundo?
Tu pensarás em mim? Por esta noite, enfermo,
tendo os olhos em febre e a voz cheia de sustos,
eu penso em ti, no teu amor e na promessa
muda que o teu olhar me fez e que eu espero.

(Que dor de não saber se tu pensas em mim!)

Sob a tenda da noite estrelada de outono,
que eu contemplo através os cristais da janela,
junto ao manso tepor da lâmpada que escuta
— antiga confidente — os meus sonhos e as minhas
vigílias de tormento, eu penso em ti, divina.

(E tu talvez nem te recordes deste ausente!)

Penso em ti. Penso e evoco o teu vulto adorado.
Penso nas tuas mãos — um lis de cinco pétalas —
que, em vez de sangue, têm luar dentro das veias;
nos teus olhos, que são Noturnos de Chopin
agonizando à luz de uma tarde de sonho;
na tua voz, que lembra um beijo que se esfolha.
Penso.

(E nem sei se tu também pensas em mim!)

Talvez não. No tranquilo altar da tua alcova,
onde se extingue a luz de um velho candelabro
como uma lâmpada votiva, tu adormeces
sorrindo ao Anjo fiel que as tuas pálpebras fecha
para que tu não tenhas sonhos maus.

E eu penso
em ti, sem sono, a sós, angustiado e febril,
em ti, que nem eu sei se te lembras de mim...

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de Poesia – Luís Lavado – Que seria de mim

Que seria de mim...
Sem esta loucura que carrego...
Sem este mar de sargaço... 
Que percorre o meu corpo...
Sem a espuma salgada... 
Das minhas vontades...
Sem os barcos que dançam!!!
Na bruma do meu horizonte...
Mergulham destemidos!!!
No nevoeiro incerto dos meus sonhos...
Que seria de mim sem os mil sois!!!
Que brilham dentro do nosso Amor...
Sem as melodias das nossas noites invernais...
Sem a estrela cadente...
Que ilumina 
os meus dias mais impuros...
Tenho os pés na terra nua!!!
Adormecido...
vivo neste sonho desfeito...
Entre lumes e vozes...
Entre beijos mudos e pálidas mãos!!!
Caricias sonhadas nas maçãs rosadas do teu rosto...
Porque no meu silencio...
És a luz doce... 
És esta espera...
Que o nosso Amor amadureça...
És o desejo ardente...
De um beijo sôfrego...
Teus lábios vermelhos...
Abraço sentido...
Do vento que trespassa...
Meu rosto ferido...
Na véspera das lágrimas!!!
Mas eu continuo aqui... 
Permanente aqui...
Firmemente aqui...
No teu cheiro...
Ao sabor dos beijos que sonho...
Que tenho...
Que vivo...
Com os olhos "vidrados"!!!
Apreciando a curva tenra do teu dorso...
Neste desejo quase incontrolável...
De ter os teus joelhos no chão encerado...
Das minhas vontades...

...Amo te tanto...
Meu Deus....
como te Amo...