Nada

Nuvens sem fim, escuridão

O céu desaparece e o nada é imensidão

Luz sem vida de estrelas mortas

No âmago da inconstância

Indefinidas formas se encontram

A vida, finita por natureza

Não pode conter infinitos

Amores também nascem para morrer

Tudo o que floresce, fenece

Das correntes nos libertamos

Para nos atirarmos dos rochedos

E morrer no mar

Nada permanece, nada é eterno

Cada minuto diminui sessenta segundos de vida

Só insensatos não entendem essa realidade

A sede de viver é proporcional à consciência da morte

Certeza absoluta nesse oceano de incertezas

Quando chega um momento certo

Verdes e azuis se tornam marrons e cinzas

E até a natureza parece soçobrar

De tudo aquilo que fomos, vimos e amamos

Então nada restará