Hoje, a minha “cententena”

O governo decretou o isolamento.

A cidade foi parando. Os compromissos sendo cancelados ou adiados.

Os carros aos poucos deixaram de circular. O comércio baixou as portas.

Quinze dias, era o que se pensava.

Eu estava viajando. Antecipei meu retorno. Deixei tudo para daí uns vinte dias. Alguns dias depois, comecei a minha quarentena. E completo, hoje, cem dias de isolamento. Uma centena – a cententena. Interminável. Uma eternidade.

Comércio e indústria contando os prejuízos. Empregados perderam seus empregos. As coisas foram mudando de cor. Um alegre e dourado país tropical está cinzamente entristecido.

E todos se perguntam: o que restará depois que esse horror acabar? Escolas fecharão por falta de alunos. Formaturas adiadas porque os calendários letivos não foram cumpridos. Pacientes sem acesso a médicos porque clínicas fecharam.

Médicos morrendo do vírus chinês, por se tratar de moléstia desconhecida. E todos dão palpite. E ninguém sabe do que se trata de verdade.

O Brasil, tão grande, com tantas diferenças, agora igualado na desgraça de uma peste, que uniu norte, sul, leste e oeste. Desinformação, medo e mortes em todos os cantões do país.

Por vezes um iludido diz que a humanidade sairá melhor dessa situação. Por que isso aconteceria?

Quem era ruim antes do covid19 continuará ruim depois; quem era bom assim o será. Os que eram corruptos aproveitaram a deixa e roubaram descaradamente as verbas destinadas ao controle da pandemia. Os que sonhavam com golpes e ditaduras passaram a agir ostensivamente nesse sentido.

Se tudo estava complicado na vida política, piorou pelo menos 5.000%.

A democracia oscila, o mundo todo balança. A podre mídia aproveita para espalhar terror e pânico histericamente.

A tristeza de estarmos, inertes, assistindo nosso mundo desmoronar. Nada do que era antes será novamente. A insegurança total com relação a um futuro, agora mais incerto do que nunca.

Há cem dias presa nesta casa, sem nenhuma expectativa de ter minha vida de volta. Pessoas sãs desesperadas para voltarem a trabalhar. Pessoas doentes morrendo porque não é covid, mas servem para inflar as estatísticas. Pessoas se suicidando porque perderam o pouco que tinham em razão do insano e não justificado isolamento horizontal.

Muito sofrimento para pouca causa. Até agora não se apresentou uma explicação segura para justificar tudo isso. Mas a população está vibrando, até que enfim tem uma desgraça à imagem e semelhança da Europa e dos Estados Unidos, para rechear os maliciosos noticiários.

No meio de tudo isso, vejo meu povo, meu pobre povo, caminhando bovinamente rumo à miséria total.

Não consigo imaginar como será depois que isso acabar.

Mas, nesse centésimo dia de isolamento, eu tenho um medo.

Um medo absurdo de sentir, depois, saudade dos tempos de isolamento.

Descobrir que hoje estávamos em situação melhor do que estaremos no futuro…

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