De esperar

O tempo passa, ora lentamente, ora assustadoramente rápido demais. (Foto: Getty)

Assim eu espero por você

Seu nome murmurando como uma prece

Lembranças escorrem em meu ser

A saudade tortura hora após hora

E eu espero. Espero por você

Sei da alegria que sentirei no reencontro

Da vontade de nos fundirmos em um só

Tanto amor, tanto carinho represado em mim

Guardados para o momento de sua volta

O momento que eu espero. Espero por você.

E sua volta me compensa tudo o que sofri

Toda a angústia, toda a insegurança

Por estarmos tão longe, tão separados

Você é pura harmonia em meu viver.

Por isso eu espero. Espero por você.

Seu sorriso aquieta minha alma

Seus beijos secam minhas lágrimas

Sua calma é o meu sossego

Seu amor, o porto em que me ancoro

Então eu espero. Espero por você.

Sei do sofrimento que teremos

Quando novamente você partir

Do calvário da saudade e da vontade

Das horas em que estivermos separados.

Mesmo assim eu espero. Espero por você.

Você chega. Sorri para mim e me abraça

A alegria transforma o momento em festa

Ok Em uma explosão de paixão e ternura

E nosso amor se faz em puro encanto

Para isso esperei. Esperei por você.

Esperei você toda a minha vida

E esperarei todas as vezes que precisar

Meu amor é maior do que qualquer distância

E eu sou feita, hoje, da essência de esperar.

E minha saudade é maior que o tempo.

Eu esperarei. Toda a vida eu esperarei por você.

Dia de poesia – Mia Couto – Para ti

Um beijo molhado - Mensagem de sacanagem - Paixão


Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Ventos de agosto

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Pipas no ar, em um céu sem nuvens

Tom de azul, do mais profundo azul

Pleno inverno, as árvores se despem

E as folhas brincam e correm nas ruas

Ruidosamente em secas risadas.

O mundo descansa quase em plena paz

Acreditando no poder do vento

Em levar consigo toda tristeza

Em varrer o pó de todos amores

Em limpar da vida o que não fica

Em trazer de volta a chuva que falta.

Dando adeus ao passado, as árvores

Balançam os galhos agora sem ninhos

Os pássaros, em bandos já se foram

Aves de arribação, fugiram do frio;

Velhos amores também se foram

Deixando abertos os corações em sangue

Pulsando na espera de novas paixões.

Venta, agosto, venta, que é sua missão

Ventar limpando a terra e a vida,

Deixando limpos os caminhos e atalhos

Para tantas novas caminhadas,

Novos amores, novos sorrisos,

De mãos dadas pela vida afora

Seguindo o vento que a todos levará

Ao final que em algum ponto espera.

Redemoinhos de vento na terra

Luzes no céu, estrelas no nada

São os ventos do mês de agosto

Prenúncio de nova primavera

Amor tardio

O amor é como o sarampo: quanto mais tarde chega na vida, mais perigoso é. (Douglas Jerrold).

Nunca é tarde para amar, se o coração permanecer jovem.

A qualquer momento da vida pode-se descobrir envolvido em uma paixão arrebatadora, porque sentimentos não envelhecem jamais.

Quantas vidas foram desperdiçadas em compromissos que se pretendiam eternos, mas o tempo os desgastou, tornaram-se âncoras e jaulas. E assim o amor morreu e a paixão desapareceu. E as pessoas, por hábito, covardia, ou até comodismo, morrem em vida e imaginam que ainda vivem.

E qual a idade-limite para buscar nova vida, novo amor, outra paixão?  Não há. Enquanto há um brilho no olhar, o coração está pronto para o amor.

Quando ainda somos jovens nossos relacionamentos não são duradouros. Sempre temos mais motivos para o rompimento do que para a conciliação. O sentimento de imortalidade e o egoísmo nos tornam insensíveis aos sentimentos do outro, agimos por impulso.

Na juventude a paixão leva a atos impensados, cometemos loucuras em nome de um sentimento que não dominamos nem domamos.

Na maturidade, o sentimento e o arrebatamento são os mesmos. Mas domesticados.

Controlamos as emoções. E então nos tornamos livres para sentir.

Valorizamos o sentimento, o momento e o companheiro.

Mas estamos – nós mesmos – em primeiro lugar. Quando na vida há mais passado do que futuro, quem é capaz de abrir o coração para o amor, será feliz, muito feliz.

Aprendemos, ao longo do caminho trilhado, a nos amarmos. Por isso esse amor “tardio” é sereno e maduro. Um amor sólido. Uma relação sem dependência, mas guiada pela vontade de amar. Esse amor se torna uma corrente de fortes elos, prende a si mesmo, mas não prende o outro. Não há gaiola fechada. Mas queremos ficar.

Antes de amar o outro, amamos a nós próprios. Damos valor apenas ao que é mais importante.

E, principalmente, resgatados por tudo o que sofremos e suportamos na vida, somos, finalmente, livres para amar.

Texto da escritora Vera Melo – Cem dias de solidão

Como foi possível chegar a esta marca?

A minha impressão é que ninguém, antes do decreto, já distante e indiscutivelmente desagradável em sua imposição de isolamento, poderia imaginar o quanto seria doloroso chegarmos à marca de 100 dias em solidão quase absoluta…

Esta é a minha situação nesta data – cem dias – e torna-se inevitável pensar em Gabriel Garcia Marques e seu lindo romance: Cem Anos de Solidão, bem como da terrível tempestade que insistiu em castigar toda aquela população! E nestes 100 dias nós nem tivemos chuva! Apenas a solidão e seca… É verdade que ela, a solidão, foi bastante amenizada pelas conversas por telefone, encontros virtuais pela internet sem, contudo, o abraço dos filhos e do neto… À ausência do abraço, faltou tudo.

A impressão que tenho é de estarmos, todos, atravessando o inferno e agora é impossível não lembrar da frase de atribuída a Winston Churchill: “Se está atravessando o inferno, continue caminhando…”

Não podemos voltar, nem parar por nenhum motivo, tristeza, revolta ou saudade podemos apenas seguir em frente, isolados mas todos numa mesma direção, trabalhando de forma precária ou em prisão domiciliar… Tivemos, isto sim, momentos de revolta motivados por decisões das autoridades constituídas e que consideramos questionáveis pelos mais variados motivos, o principal deles é vermos tantos de nós sofrendo dessa solidão crônica, futuro nebuloso, distantes de parentes e amigos, caminhando para a depressão…

E aquela grande parte de brasileiros desempregados, sem casa ou dinheiro para atravessar a tormenta? Quantos naufragarão e quantos chegarão ao final da jornada?

Não tivemos a tempestade de Garcia Marques, o que não evitou que estejamos em plena tormenta psicológica, procurando a saída. Muitos de nós, entre os que caminham nessa busca e já atravessaram o inferno, sabem que no final encontraremos a saída, com tempestade ou não.

Entretanto, eu já resolvi há algum tempo: cem dias é o meu limite… Amanhã recomeço a viver o mais normalmente possível, tanto quanto me permite o uso obrigatório de máscaras, a falta de abraços, a ausência dos filhos e do neto. Amanhã estarei, feliz, de volta ao meu local de trabalho e seja o que Deus quiser!

Amém…

(Em 23/06/2020)

QUERIA

Queria ser o bálsamo para curar suas dores,

Ser a canção mansa que acalma seu coração.

Queria, com suas lágrimas, umedecer meus lábios,

E que meus braços fossem sempre seu repouso,

Queria dissipar seu cansaço da vida, sua tristeza

Que em meu corpo você encontrasse seu ninho

Queria que meu amor tivesse o poder da luz

E a meu lado nenhum medo do futuro existisse

Queria ser para sempre sua fonte de carinho

E a ternura doce que você sonhou encontrar

Queria, depois que eu partir, ser a lembrança alegre

Ter feito a diferença da felicidade em sua vida

Queria ter a certeza da eternidade do nosso amor

E que esta paixão fosse, então, infinita…