Questões nada filosofais

PESQUISADOR SERGIO LUIZ RIBEIRO-DA-SILVA / EDUCAÇÃO, ANTROPOLOGIA,  SOCIOLOGIA E CIÊNCIA POLÍTICA

Talvez eu esteja enganada. Mas viver já foi mais divertido.

Houve um tempo em que o riso era mais fácil. E rir não ofendia ninguém.

Talvez nesse tempo as pessoas (ao menos aquelas com as quais convivíamos) eram mais inteligentes. Por isso entendiam brincadeiras e levezas.

Hoje o mundo está tomado por uma raça desgraçada de pessoas sérias e muito sabidas. Dominam todos os assuntos, sentem-se no direito de apontar o dedo para todos, querem mostrar o conhecimento que não têm.

Assim, para disfarçarem a própria ignorância e superarem o terrível complexo de inferioridade que os domina, inventaram o politicamente correto.

Que transformou a realidade num porre.

Em seguida, a tremenda judicialização da vida e da sociedade.

Desenvolveram uma suscetibilidade exacerbada, e tudo os ofende e os melindra.

Em todos os sentidos. Até na alimentação.

A humanidade come pão há mais de 4.000 anos. Agora, os frescos e maricas são alérgicos a glúten. E têm intolerância à lactose. Precisam de alimentos batidos e liquidificados, porque têm sensibilidade e não conseguem mastigar.

Não ingerem açúcar porque faz mal. Restringem tanto a alimentação que vivem de mal humor.

São obcecados pela forma física, e não percebem que o cérebro está em péssimo estado de conservação. Podre.

Não educam os filhos para que não fiquem traumatizados. E parentes e vizinhos devem suportar os monstrenguinhos.

Tratam cães como filhos e acham que todos devem considerar essas criaturas como humanas, ainda que só sirvam para fazer cocô e latir, incomodando a vizinhança inteira.

Acham que roupa cara faz as pessoas melhores, então desprezam solenemente até mesmo aquelas que os servem, porque são “inferiores”.

E se acham “apenas o máximo”.

Todos têm de apresentar um mesmo padrão de pensamento, expressão, linguagem, gestual, trajes…

Acabou a espontaneidade, a alegria, a conversa despreocupada.

Haja paciência para conviver.

Um comentário em “Questões nada filosofais

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