Que venha 2021 e seja bem-vindo

Champanhe deve ser servido em taça inclinada, comprova estudo - 27/12/2010  - UOL TILT

Aos trancos e barrancos chegamos nas últimas horas desse ano esquisito.

2020, o ano que não vivi. Isso não é só o título de meu último livro, mas o sentimento que trago desse ano desanado e não vivido. Não foi um ano. Não usamos, não desfrutamos, não aproveitamos.

Esperei muito a virada 2019-2020.

Porque 2019 foi um ano muito difícil, muito triste, de intensas e sofridas perdas. Então, de frente para o meu mar, vendo a magnífica queima de fogos, em minha varanda rezei, pedindo que 2019 passasse de vez, não deixasse nada para trás e eu pudesse voltar a viver.

E pensei que seria assim, um janeiro de gratas surpresas e alegrias.

Fevereiro, mês quente no clima e morno na vida, travado pelo carnaval.

Quando entrou março, cheio de promessas, somadas alegrias – nos três primeiros meses participei de seis concursos literários e fui premiada nos seis – de repente surge a peste chinesa, premiações, eventos, encontros, tudo cancelado. Passagens aéreas perdidas, amizades distantes, tudo se desfazendo no ar.

E acabou o ano.

Não existiu de abril a dezembro. Simplesmente evaporou-se em março. E desapareceu.

Acrescente-se a isso sérios e graves problemas de ordem pessoal e familiar, e temos o meu ano de 2020. O pior de minhas muitas décadas.

Vejo, com alívio, a chegada dessa noite de 31 de dezembro. Depois de alguns dias de intensas chuvas e uma noite de tempestade arrasadora, com granizo, vendaval, desabamentos, arrancamentos, e hoje mais um dia estranho, de chuva fria, nesse momento anoitece suavemente, entre azuis e lampejos de algum sol que vigiou a terra por cima das nuvens o dia todo e agora mostra alguns raios. Amainados pelos temporais, mas que sabemos existir e temos certeza de que um dia voltará a brilhar, soberano e imponente.

E que venha 2021.

Que nos traga desafios. Nós os enfrentaremos.

Mas nos traga alegrias e adições.

Chega de tristezas e perdas.

Que venham novos dias, e sejam de paz. De saúde.

Feliz ano de 2021 a vocês, meus leitores, amigos e incentivadores.

Dia de Poesia – Roberto Ferrari – Amor que transcende

Romantic Home - Êxtase

Quero acordar ao teu lado

Depois de uma noite de amor

E te fazer a mais linda jura

Em forma de poesia.

Quero te contar um segredo

Que está bem guardado

Escondido num cantinho

Do meu coração.

Vou acariciar teus cabelos

Olhar para teus olhos

Sentir nosso amor

E te beijar com paixão.

Nunca se arrependa

Do que fomos, do que somos

E de tudo o que vivemos

Vamos guardar na memória

Todos os nossos lindos momentos.

Desejo que até o último dia das nossas vidas

Possamos viver nossa bela história de amor

E que uma parte nossa acredite que ela foi

E sempre será uma linda história

Tudo isso porque nosso amor transcende o tempo.

(Roberto Ferrari – todos os direitos reservados)

Sonhar acordada

Je voudrais que tu sois là / que tu frappes à la porte et tu me dirais c’est moi / Devine ce que j’apporte Et tu m’apporterais toi. (Boris Vian – Berceuse pour les Ours qui ne sont)

An Old Wooden Door is Arkivvideomateriale (100 % royaltyfritt) 8929027 |  Shutterstock

Atire a primeira flor quem nunca sonhou com essa cena.

Com essa chegada ou com esse retorno.

Vivemos na eterna espera da realização da paixão, essa força vital que nos mantém vivos e respirando.

Quando tudo naufraga, tudo afunda dentro e em redor de nós, a que nos agarramos? À paixão que segura nossa cabeça fora d’água e nos faz querer continuar vivendo. Para que? Para realizar essa mesma paixão.

A mais leve esperança de viver plenamente a paixão é a senha para o sonho, para a realidade, para a motivação vital.

A potência motriz de nossa existência é, simplesmente, a paixão.

Por tudo e por alguém.

E não existe o lado negativo em tudo isso?

Claro que existe.

A paixão nos torna saudosos, fantasiosos, gulosos, impacientes, destemidos, atrevidos, por vezes insones ou angustiados. Tudo bem. Faz parte.

Talvez a pior parte seja, mesmo, a saudade. Porque é a única que não depende exclusivamente de nós para ser aniquilada.

E, pela saudade que corta mais do que faca afiada, nos tornamos sonhadores.

Sonhamos acordados com o momento encantado do reencontro.

Apaixonar-se é encantar-se. E encantar-se é ser enfeitiçado.

Paixão é feitiço.

Tudo o que se quer é ter, frente a frente, ao alcance do abraço, a pessoa pela qual nos apaixonamos. A distância é a tortura do apaixonado.

Então, a cena modelo da realização de nosso sonho está nas palavras de Boris Vian, “Eu queria que você estivesse ali, que você batesse na porta e você me diria Sou eu. Adivinha o que te trago. E você me traria você”

Dia de poesia – Florbela Espanca – Oração de joelhos

Bendita seja a mãe que te gerou!
Bendito o leite que te fez crescer!
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama pra te adormecer!

Bendito seja o brilho do luar
Da noite em que nasceste tão suave,
Que deu essa candura ao teu olhar
E à tua voz esse gorjeio de ave!

Benditos sejam todos que te amarem!
Os que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão, fervente, louca!

E se mais que eu, um dia te quiser
Alguém, bendita seja essa mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!

Na pausa para o segundo turno

Reconheço: sou “bicho do mato”.

Não gosto de final de ano nem das festividades de final de ano e muito menos das comidas de final de ano.

Pronto, falei.

O Natal já foi, ufa!

Agora aguentar uma semaninha mais ou menos, tipo meia-boca e chega o réveillon, ou a conhecida “passagem do ano”.

Que não passa nada. Passamos nós.

Alguns, de tanto beber, passam mal.

Outros, de tanto comer, passam ainda pior.

E muitos, simplesmente, na bebedeira, levam um “passa fora!”.

Festinha mais sem-vergonha esse tal de réveillon.

Deveria se chamar revelão, porque revela muita coisa sobre muitas pessoas.

Por exemplo, como uma pessoa encantadora pode se tornar inconveniente e chata quando bebe além da conta.

Eu ainda não entendi qual a necessidade de se beber tanto na noite do réveillon.

E se tem alguém que gosta de whisky, de vodca, de champagne… esse alguém sou eu.

Mas sempre fiz questão de sair das festas andando sozinha sobre meus saltos 12. Controlo perfeitamente a bebida.

Segredo: alternar álcool com água (com ou sem gás), nunca beber antes de comer algo sólido e jamais beber qualquer álcool misturado com açúcares em geral.

Além das chatíssimas, inconvenientes e intermináveis festinhas de fim de ano da firma – vergonha compartilhada, há as “despedidas do ano” em família.

Voltam os dois dias de hipocrisia já vencidos no Natal.

Véspera e dia.

Novamente os parentes chatos, os amigos nem tão amigos assim, e as piadinhas batidas e sem graça dos últimos cem anos.

E as perguntas indiscretas. E os messiânicos com seus conselhos que ninguém pediu.

É tudo tão igual, mas tão igual, que se você foi, pela primeira vez, no colo da sua mãe, ainda bebê, e em mais três ou quatro quando começou a crescer, não precisa ir mais.

Já viu tudo.

Já ouviu tudo.

Já entendeu tudo.

Não há necessidade de estar junto nem nada para se festejar. Juro que ficar sozinho nessas ocasiões pode ser maravilhoso.

Claro, se você for uma pessoa maravilhosa. Nada melhor que estar com pessoas maravilhosas, por isso muitas vezes prefiro estar sozinha.

Sério, pessoal, melhor coisa nessas épocas é sumir.

De verdade.

Desaparecer dia 15 de dezembro e ressurgir, assoviando, com cara de quem só foi até ali na esquina ver se a padaria estava aberta, no dia 05 de janeiro.

Tentem, depois me contem (já fiz isso mais de uma vez e foi muito bom).

Por ser, de novo, Natal

Então, de novo é Natal.

Nada mais do que se ter de volta dois dias de hipocrisia explícita, sorrisos forçados, abraços enojados…

E a humanidade imagina estar cumprindo seu papel.

Estão as pessoas dentro da ilha da própria existência, enredados na teia de aranha chamada família, por isso não enxergam a ilha nem se dão conta da própria miserabilidade existencial.

Diz-se que (essa expressão sempre me leva de novo ao paraíso Ilha da Madeira, que saudade!) nessa vida o homem põe e Deus dispõe.

Eu acredito.

Pensei ser dona da minha vida e assim vivia, até Sua mão se manifestar e começar a comandar minha existência de forma completamente inesperada. E para a qual, confesso, estou completamente despreparada.

Mas abaixo a cabeça e aceito a manifestação do Meu Senhor na minha vida.

Há alguns dias estava desesperadamente sozinha.

E perguntava: – Por que, meu Deus? Para que? O que ainda tenho de aprender?

Depois de muito rezar e meditar, a paz voltou.

Consegui encontrar comigo mesma, aquela eu de alguns anos atrás, e aguardo, ansiosa os rumos que virão, para onde a vida agora me levará. Vou remar, com alegria, e Ele conduzirá o barco. E chegarei em algum porto a mim destinado. Com segurança.

Vejo, nas redes sociais, que recebo dezenas de votos de Feliz Natal. Alguns absolutamente mentirosos, de pessoas que nada desejam para mim. A todos respondo. Mesmo a esses últimos. Afinal, por bem ou por mal, a pessoa se lembrou de mim. Envio boas vibrações.

Recebo, também, dezenas de fotos de encontros familiares. De algumas pessoas sinto muito saudade, outras me são indiferentes.

Copos brindando… e eu, aqui, da mesma forma que na canção Champagne, também brindo sozinha, … Mi sembra una pazzia, brindare solo, senza compagnia…

Só lamento não estar em um local onde pudesse estalar o dedo e comandar: … Cameriere, champagne…

Em outras fotos, fartas mesas à espera da imediata destruição da elaborada decoração.

Todos sorriem.

Ou devem estar sorrindo, porque, por graça ou tentando disfarçar o medo, alguns usam máscaras, mesmo para encontro doméstico em família, talvez sintam asco pelos familiares e, tentando ser engraçados, aproveitam o vírus chinês para manter o isolamento.

Outros se apresentam em trajes de centro cirúrgico, que na verdade, ainda que tentem ser engraçados, mostram uma covardia inominável. Que medo da hora final!!! Que pecados e temores esse povo carrega no escuro da alma?

E eu me pergunto: o que é isso???????? Confraternização dos medrosos?

Não é obrigatório passar o Natal em família ou com outras pessoas, nada de ruim acontece a quem fica na própria casa, sem nenhuma confraternização, mesmo porque, depois que todos estiverem bêbados estarão sem máscaras, dando beijos na boca e respirando uns na cara dos outros. Ou bêbado não pega covid?

Estou aqui, de peito aberto, coração valente, enfrentando local onde o contágio – caso realmente exista – é de altíssimo risco – e não temo o covid. Penso até que essa maldição deveria ser como a nuvem de gafanhotos da praga bíblica: pegar todos os que devem morrer dela e já resolver a questão em poucos dias e ir embora. Deixar o mundo em paz. Porque faremos o rescaldo e voltaremos à vida. Apenas os fracos tudo temem e se rendem. Não se reerguem, não renascem das cinzas de uma desgraça, pessoal ou coletiva.

Não tenho medo nem do covid nem da morte, seja ela por praga, vírus, bala, punhal ou pancada. Na hora em que ela se apresentar a mim, a olharei nos olhos e direi: – “Vamos, esperei a vida toda por esse momento, que era minha única certeza!”

Apenas odeio essa maldita peste chinesa que travou minha vida e destruiu a realidade, com a ajuda de governador canalha com seus malditos decretos lastreados na vontade perversa dos guardiães da constituição em destruir o país e o beneplácito da horda de políticos sevandijas que o povão ignaro e arrogante insiste em reeleger.

Sejam todos – chineses, magistrados e políticos amaldiçoados para sempre.

Mas, é Natal.

Então, de novo é Natal, por esse motivo todo mundo pendura esse trapo na cara, sorri – ou não – e fala “FELIZ  NATAL”