Eterna espera

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E eu esperei.

Com a paciência de um pescador,

 Sentei-me à beira-mar e esperei.

Por todos os séculos que você não voltou.

Assim eu esperei

Com a alegria de uma criança

Em meio a tantos brinquedos

Por todos os anos que você não voltou.

Então eu esperei

Com a confiança de uma mãe,

De madrugada no canto da sala,

Por todas as noites que você não voltou.

E eu ainda espero

Com a perseverança de uma mulher

Que apaixonada acredita em amar

Eu para sempre esperarei

Por todas as noites, anos e séculos,

Esperarei eternamente pela sua volta

Descobertas e invenções

Um ano depois, republico esse post…

Estou pensando nas maiores descobertas e invenções da humanidade – do meu estrito e pessoal ponto de vista. Para muitos – quase unanimidade, as maiores descobertas foram os movimentos da Terra, as leis do movimento, a seleção natural, dentre outras. Já as maiores  invenções foram as ferramentas básicas, a roda, a bússola etc. e tal. Não concordo nem discordo, mas tenho minha própria lista a respeito.

Acho que as maiores descobertas – aquelas que mais benefícios trouxeram à humanidade são, em primeiro lugar, o domínio do fogo. Como imaginar a vida sem um macarrão ou uma pizza, com o queijo derretendo do calor do fogo? Daí decorre que, dominado o fogo, nada melhor que a descoberta da pipoca – até o nome “pipoca” já induz à ideia de alegria. Impossível viver sem.

Depois, vem a descoberta do ciclo da lua – o que possibilitou inventar a semana (não muito interessante) mas, principalmente, o FIM DE SEMANA. O que seria de nós, meros mortais, sem sábados e domingos?

Para alegrar nosso fim de semana, a descoberta da possibilidade de banho de mar – sábado que se preze, se passa à beira-mar, com longas caminhadas e alguns mergulhos.

Mas, sozinho não tem graça, então, depois da paixão, e para a existência dela, a maior descoberta foi que dar flores é garantia de uma companhia para os fins de semana. Porque namorar é muito bom, e não há namorada que não ame receber flores.

De outro lado, quais seriam, para mim, as maiores invenções da humanidade?

Vamos lá:

De início, a maior de todas invenções foi a rede. Uma rede resume tudo o que precisamos para viver preguiçosamente – ela nos balança como um berço, ela nos acolhe e nos abraça, na rede dormimos, lemos, bebemos nosso whisky em paz e, para quem tem sorte, da rede dá para ver o mar.

Para o segundo lugar, acho que a maior invenção da humanidade foi o indispensável e ultrademocrático chinelo havaiano. Porque são bárbaros, confortáveis, coloridos, leves, calçam todos igualmente – ricos e pobres, feios e bonitos, altos e baixos… maravilha do mundo moderno.

Temos, ainda, na minha lista, a bola. Não a roda nem o círculo (cuja invenção eu louvo, mas acho a bola mais importante). A bola é objeto usado desde o berço até os últimos dias no hospital. Seja para brincar, correr atrás, fazer ginástica, até uma pequena para cuidar de artroses e movimentos. É o brinquedo-utilidade que acompanha a humanidade sempre.

Outra invenção maravilhosa foi o livro. Não só a escrita, mas o livro físico, aquele “amarrado” de papel que levamos para todo lado. Quer ser feliz? Una a rede, a pipoca e o livro… nada mais é preciso. Um livro pode ser muita coisa na nossa vida – viagem, conhecimento, descoberta, paixão, romance, drama, terror, suspense… nada mais poderoso que um livro para abrir a mente.

Há ainda o cinema – ou filme – que também nos transporta para outro mundo e dá um sabor todo especial ao dia.

Aí está a minha lista. Nem todos concordariam, mas avisei que era lista pessoal.

E você? Na sua opinião, quais as maiores descobertas e invenções da humanidade?

Última lágrima

Une larme pour nous…

Una lacrima per noi…

A tear for us…

Una lagrima para nosostros…

RAZÃO DE VIVER....

Era a imagem da solidão. Era a própria solidão.

Única, sem par, sem companhia.

Corria, solitária, seguindo seu caminho

Sabia que a qualquer momento não mais estaria

Porque não ia em busca de lugar nenhum

Apenas descia, quente, em sua trilha gelada

E morreria antes de chegar a qualquer lugar

Jamais seria acolhida, jamais seria bem-vinda

Apenas passava. Sem nada trazer, levar nem esperar.

Como as nuvens que flutuam no azul infinito

Como as águas que correm nos rios apressados

Como o vento que geme entre as folhagens tristes

Não sabia quantas a precederam, nessa trilha

E muito menos se outras tantas viriam no depois

Conseguiu ir um pouco mais além em sua sina

E se desfez, voltando ao nada que sempre fora

Solitária, trilhara seu caminho, cumprira seu destino:

A única lágrima que ainda escorreu daqueles olhos

Como começa o caos

O “Catecismo do Revolucionário”, elaborado por Nietcháiev e seu grupo, exige que o revolucionário “coíba com a paixão fria da causa revolucionária” os sentimentos normais da pessoa humana, inclusive o sentimento de honra, porque “nossa causa é a destruição terrível, implacável, completa e geral”. Aos militantes cabe lançar mão de “atitudes brutais” com o fim de levar o povo a “uma rebelião inelutável”, para o que é necessária a união “com o selvagem mundo dos bandidos, esse único e verdadeiro revolucionário na Rússia”. O “Catecismo…” sugere ainda o comprometimento permanente de um grande número de “canalhas” de alta projeção política e social, para transformá-los em “nossos escravos e com suas mãos desestabilizar o Estado”. (Um romance profecia – Paulo Bezerra, em “Os Demônios”, de Dostoiévski, pág. 689, 1ª ed., 2004, Editora 34, tradução de Paulo Bezerra)

Caos Desenho por Roberto Riolo | Artmajeur

                   A utopia da igualdade entre os homens jamais morrerá. Se bem resolvida, sempre há de levar à melhoria nas condições de vida dos menos favorecidos, fomentando o bem comum.

                   Porém o que vemos é seu uso para o mal comum e o bem particular. Assim aconteceu em todos os países em que o comunismo já se tornou governo, sempre instalado através da força e mantido através de ditadura violenta e sangrenta.

                 No Brasil não conseguiram através da força, ainda que tenham tentado – mas a indolência atávica do povo nem sequer foi capaz de dar sustentação às – tão cantadas – pretensões de estabelecer o regime do povo e realizar o bem comum.

                   Tentaram na guerrilha urbana, tentaram na guerrilha rural, tentaram, tentaram, mas desistiram de lutar. Preferiram o caminho moderno da mentira, do marketing, da enganação, do puro engodo.

                  Para tanto, nada melhor que um bom publicitário, bem treinado para enganar a população, levando o povo a consumir o que não quer, a comprar o que não precisa. E seu principal instrumento, claro, é a TV. Entram, assim, descaradamente e sem convite em todos os lares. E mentem.

                   E mentem.

                   E mentem.

          Para eleger o eterno candidato sempre derrotado inventaram-lhe até uma família feliz, deram-lhe uma esposa dedicada (nas trocentas campanhas anteriores ninguém viu família, ninguém viu esposa – apenas uma filha exposta pelos adversários de maneira desrespeitosa e atrevida).

                   Pintaram o diabo de cor-de-rosa e o fizeram passar por anjinho-de-procissão.

                   Mas, uma vez tomado o poder, os meios de agir se mostraram logo que a única intenção era o caminho para a ditadura e havia apenas e tão-somente um projeto de poder. Não um projeto de governo.

                   Navegando em calmos mares com muito vento a favor, resultado de uma conjuntura dos astros que poupou o mundo, por mais de seis anos, de qualquer crise econômica mais séria e aqui, particularmente, resultado de uma política séria adotada pelo governo anterior, em parte mantida descaradamente por seus opositores, para quem os fins justificam todos os meios, conseguiram alguns resultados.

                   Instituída a esmola governamental, fizeram os miseráveis se sentirem apenas pobres. Levaram ao maior endividamento privado da história.

                   Mas há um grande obstáculo: resultado da constituinte de 88, encontraram as instituições fortemente solidificadas.

                   Uma a uma necessitam demolir. Para isso, usam todos os meios.

                   O parlamento já foi desmoralizado, através da compra de parte de seus integrantes baratos, os quais estavam à venda.

                   Dezenas de milhares de cargos de confiança foram criados e se adonaram de todas as grandes empresas públicas e mistas, num aparelhamento sem paralelo.

                   Mas duas Instituições bravamente resistem: o Judiciário e o Ministério Público.

                   Seus membros não estão à venda. Ainda que a maior corte do país se encontre atualmente semi-aparelhada, uma vez que seus ministros ali são colocados por critérios estritamente políticos, não necessitando sequer de maiores conhecimentos jurídicos, não é o que acontece fora da “corte”.

                   Isso porque, cá embaixo, somente através de sério concurso público de provas e títulos dá-se o acesso a essas carreiras. E aqui não tem afilhado. Não tem compadre. Não tem política. Embora o dono-da-pátria anterior tenha dito que concurso público não é justo porque só aqueles mais bem preparados conseguem passar (ele desconhece a finalidade do concurso, exatamente de filtrar os mais bem preparados para o exercício das funções relevantes), é de ser reestudado o modelo atual, pois ainda vigente a vergonha do quinto constitucional nos Tribunais, mero resquício da Constituição de 1934, do milênio passado, e mais que ultrapassada.

                   Então só resta uma saída: vendo que esses vocacionados e inteligentes eles não cooptam, enquanto que os tolos nos quais cavalgam não conseguem penetrar nessas carreiras, o único jeito é criar leis espúrias de destruição das instituições, através da retirada imoral de suas prerrogativas e cassação de seus poderes de agir.

                   Claro que, para tanto, contam com a ignorância da população, assim mantida através de programas de (des)ensino básico e (des)educação sistemática.

Aparentemente conseguimos uma discreta virada de rota, mas ainda é cedo para acreditar que nos livramos dessa praga da esquerda. Talvez só estejamos numa pausa técnica, entre a marola e onda furiosa que dará outro rumo a nosso país.

                   Caminha, ainda hoje, minha amada pátria para um abismo escuro e profundo, de onde – estremeço ao pensar – não sairá jamais…

(Ilustração: Caos, por Roberto Riolo)

Texto de José Saramago – Quantos anos tenho?

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.

Quantos anos tenho? Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas…

Valem muito mais que isso

O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!

O que importa é a idade que sinto.

Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.

Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios. Quantos anos tenho? Isso a quem importa?

Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto.