Poesia da casa – De um passado

Quando pele contra pele em perfeita concha adormecemos,

Almas felizes, paixão satisfeita, tudo mais que perfeito;

A Terra girava em seu exato eixo, o mundo se acalmou,

A mansa chuva lavava os céus, o ar, nossas almas sedentas,

Tudo, todos e cada um ocuparam seu devido lugar,

A felicidade se fez e inundou a noite com sua paz.

O tempo, passou, cruel, separando quem se queria junto,

A vida, implacável, seguiu seu curso de angústias e dores

Como um rio cujas águas não podem ser contidas nem represadas,

E consigo tudo arrasta, separa, esparrama e desfaz…

Pouco a pouco apenas recordações se fazem presente

Nessa vida de repente tão sem brilho, tão vazia de você,

Meus braços, agora, só encontram o vazio para enlaçar.

Somente as lembranças hoje se deitam a meu lado

E tenho, por única companhia, apenas a sua ausência.

Poesia da casa – Ausência

Sentir nas mãos o perfume de outras mãos

Manter na pele o toque de outra pele

Trazer no corpo o relevo de outro corpo

Ouvir com a mente a voz que já se calou

 

Andar de mãos dadas com mãos ausentes

Dormir nos braços que já se foram

Ter vivos os carinhos encerrados

Esse é o retrato da saudade

 

A saudade que restou de uma ausência

Que já impede de contar estrelas

Apagou dos olhos o brilho do olhar

E tirou da alma a vontade de viver

 

Ausência – a falta absoluta

De quem não poderia ter partido

Quem se foi, mas deixou na outra alma

Toda a ternura que havia em tanto sonho