Dia de Poesia – José Ribeiro Borges – Quando eu morrer

Quando eu morrer,
Morrerei em paz,
Humildemente,
Longe de toda a gente,
Longe de tudo o mais.

Me despedirei da vida
Como de um sonho que se esvai.
Não direi: Chorai.
Direi, apenas,
Não tenhas pena
De mim, minha mãe;
Não tenhas pena
De mim, meu pai.

Morrerei, simplesmente,
Obscuramente
Sem adeus adrede
De quem se despede,
De quem se vai.
Como vivi, morrerei:
Pobremente,
Sem um ai.
Como uma flor que murcha,
Como uma gota que cai.
(Imagem: foto de stock no Vecteezy, banco de imagens Google)
 

Memória do blog, há um ano – Escola

As escolas começaram com um homem embaixo de uma árvore, que não sabia que era professor, discutindo suas percepções com uns poucos que não sabiam que eram alunos.(Louis Kahn)

Interessante essa ideia da origem da escola – e do professor e do aluno.

Em que momento surgiu a escola, ou a ideia de escola, se, desde o primeiro momento da vida se começa a aprender – e há alguém a nos ensinar?

Ou escola é só aquela formal, quando o professor se propõe, como missão de vida, a ensinar a vários alunos?

Todos somos alunos e somos professores nessa vida.

A mãe é a primeira e grande mestra. Praticamente ensina ao filho, desde seu nascimento, tudo o que ele precisa saber para viver nesse mundo hostil fora de seu útero.

Então já nascemos alunos.

Mas ensinamos à mãe o que é o amor de um filho, o que é a alegria de um lar. Daí nos tornamos professores.

Os irmãos se ensinam. Tudo. Desde amizade, camaradagem, agressão e defesa pessoal, até as mais difíceis equações da matemática.

Entre irmãos somos professores e alunos.

A pessoa mais simples, com menos estudo possível, poderá ser sábia, e nos dar grandes lições de vida e resiliência. Mais sabedoria que muito professor titulado.

E tudo o que sabemos, ainda que pouquíssimo, poderemos ensinar àqueles que sabem ainda menos do que nós.

Às vezes um pequeno gesto ensina mais que muita profusão de estudos e palavras complicadas.

Aprendemos com as pessoas, na família, no trabalho, no ponto de ônibus, na praia…

Ensinamos por todos os lugares pelos quais passamos. Podemos até mesmo ensinar o que nem sabíamos saber.

De que adianta aprender e saber se não for para ensinarmos?

Qual a finalidade de se guardar tudo o que se aprende?

E, quanto mais ensinamos, mais aprendemos.

Quanto mais dividimos o que sabemos, mais adquirimos saber.

Hoje não há mais escolas. Cada um pega seu computador e vai para um canto. Não sabemos se os denominados alunos estão aprendendo. Só avaliaremos essa situação daqui uma década ou duas, quando esses alunos forem os profissionais de amanhã.

Mas aquele homem, aquele primeiro homem que resolveu formalmente dividir suas dúvidas com seus amigos, estava personificando a mais nobre ação que um ser pode desenvolver: ensinar.

(Imagem: foto de Miguel Angelo Barbosa)

O silêncio

O que é o silêncio?

Apenas a ausência dos sons?

A falta de ruídos?

O silêncio é concreto ou abstrato? Necessário ou indesejado?

O silêncio não apenas nos cobre, mas nos invade. Toma nossa alma e a faz refém.

Não da calma, mas da calmaria que antecede a tempestade.

Não do sol que aquece, mas do calor que abrasa e destrói.

O silêncio pode ser a companhia ideal em certas situações, mas pode ser o opressor que tortura em tantas outras.

Quando resulta do abandono, do descaso, da solidão dolorida de uma ausência, o silêncio é dor, faz sangrar.

Na madrugada é bem-vindo, mas nos domingos é aflitivo.

Na hora da oração é necessário, mas na hora na qual deveria haver cantos e alegria, é cruciante.

A saudade é feita de longos e cruéis silêncios.

Quantas vezes o silêncio é torturante, mais ensurdecedor do que qualquer barulho.

O silêncio é a foto que congela as ondas do mar sem seu canto, as águas tombando na cachoeira sem seu estrondo, a alegria dos pássaros depois da chuva, sem sua algazarra…

Tão antagônico, tão contrário a si mesmo é o silêncio, e, neste exato momento, tão amado e tão dolorido para mim…

(Imagem: foto de Marina Maggioni)

Ele sempre volta

Ele sempre vai embora. Não consegue ou não pode ficar.    

Às vezes discretamente, outras com grande estardalhaços.

Às vezes se vai mais cedo, outras fica enrolando e demora para ir.   

Mas ele sempre se vai.    

Sabe que deixará saudade, sua volta será ansiosamente aguardada.  

E então tudo escurece, perde o brilho, o calor, e sua ausência é lamentada.   

E chega a hora mais escura da noite, a hora mais fria da madrugada, a natureza em completo repouso, parece que está tudo perdido, que tudo acabou de vez.

Então ele volta.   

Surge, quente e imponente, em cores deslumbrantes, anunciando o novo dia. 

E volta a luz, a claridade, o calor e a própria vida. 

Porque o sol volta, ele sempre volta.

(Imagem: foto de Maria Alice)

21 de março – Dia Mundial da Poesia

Luar na mata, raio de luz

Ruído de água, canto do vento

Terra sonhada, sol que aquece

Alma encantada, som de desejo

Corações em sintonia, mãos que acarinham

Olhos nos olhos, palavras de ternura

Lágrimas de emoção, penas e angústia

Tudo o que importa na vida,

Sonho de amor, paixão infinita,

Poesia.

(Imagem: foto de Maria Alice)

Dia de Poesia – Sol Holande – Saudade

E bateu uma saudade...
Saudade do teu abraço...
Saudade do nosso abraço...
Do teu cheiro...
Saudade do nosso cheiro...
Do som da tua voz...
Saudade do som das nossas vozes, 
misturadas...
Saudade do seu sorriso
do seu olhar de "interrogação"...
Saudade de você...
Saudade de andar de mãos dadas,
Saudade daquele café na padaria,
numa manhã qualquer de domingo...
Saudade da gente...

(Imagem: banco de imagens Google)