Memória – O preço da verdade (há dois anos…)

Qual o preço da verdade? Por que nunca admitimos nossos erros e nos recusamos a assumir a responsabilidade e pagar esse preço?     

Por mais escura que seja a noite, haverá um amanhecer luminoso. E tudo será exposto, tudo será visto, a verdade conhecida e restabelecida.     

Não adianta tentar se esconder, como a lua por trás das nuvens, porque o vento a desnudará.     

Guardamos dentro de nós comportamentos infantis, como acreditar que se cobrirmos nossos olhos com as mãos, estaremos invisíveis. Mas, nunca estivemos nem estaremos.     

Há pessoas que mal enxergam o que está à frente dos próprios olhos. Há outras que nem precisam dos olhos para enxergar. Simplesmente sabem o que está acontecendo, captando no ar o que lhe tentam esconder.     

Fugir nunca foi solução. Porque sempre se pode fugir. Mas nunca haverá um lugar para permanecer escondido.

E disfarçar a culpa é ainda pior. Porque a cara da criança que quebrou o pote mostra claramente o que aconteceu. Ainda que se tenha tentado esconder os cacos.     

Diz-se – com muita propriedade – que se pode enganar alguns por muito tempo, e muitos por algum tempo. Mas não se pode enganar todos o tempo inteiro. É verdade.

E, se alguém é enganado, isso não aconteceu porque o outro é mais esperto. Mas porque o enganado acreditou, confiou ou amou demais.     

Enganar é apenas se aproveitar da confiança e da boa-fé do outro, e não significa ser mais esperto nem mais inteligente.     

Acredito que para ser considerado adulto, o primeiro passo é assumir os erros. Ainda que o preço da verdade seja alto e implique até mesmo em rompimentos sofridos.

Mas seria uma forma de se demonstrar um mínimo de dignidade.

(Imagem: banco de imagens Google)