Livros e mais livros

Olho à minha volta e vejo livros. 

Livros no escritório, livros na sala, livros na mesinha de  cabeceira no quarto…(e na cozinha alguns livros de culinária). Moro em mais de uma casa, e, ao todo, são milhares de livros. Que sempre fazem falta na casa em que não estão. 

Além de ler preciso TER os livros. Preciso de sua forma, seu cheiro, seu toque, sou altamente viciada em livros. Por vezes leio um livro, fico em êxtase, volto à livraria para comprar mais cinco e seis para dar de presente. 

E, com alguma apreensão, volta e meio tenho notícia a tentativa da limpeza étnica que pretendem fazer com relação aos livros, substituindo-os pelos – atualmente – e.books – já houve outros nomes, em tentativas que não deram certo. 

Ainda menina nova assisti a um filme aterrador: Fahrenheit 451. Esse é o grau de destruição na escala Fahrenheit, e era sobre uma sociedade totalitária onde a leitura era proibida e os livros queimados. Saí do cinema em estado de choque, só de pensar que um dia poderia vir a ser verdade (quantos filmes de ficção hoje são pura realidade?), e havia no filme a terra dos homens-livros, que decoravam os livros e pretendiam republicá-los quando não mais fosse crime. 

Nunca me dediquei a decorar um livro (não decoro nada – de tanto ler algumas poesias ficaram gravadas em minha mente, como seres vivos que ali se alojaram, mas não por esforço de decorar) – porque decorar um livro não me satisfaria – preciso do livro de papel para segurar, para sentir. 

Quando estou terminando um livro que tenha particularmente me agradado, de preferência grosso, começo a sentir uma nostalgia do livro que se finda, da saudade que terei dos personagens que ficarão dentro daqueles papéis depois que o fechar e o devolver à estante.

Por isso sofro só de pensar em uma sociedade onde não mais teremos livros de papel, mas maquininhas de leitura. 

Não sobreviverei. Tenho certeza.

Personal killer – escrito em 20.06.2012

 – Faz mais uma vez…

– Só mais três…

– Só mais dois…

– Aguenta mais um pouquinho, só trinta segundinhos (como se existissem segundões, segundos e segundinhos)…

E assim Fabrício – o personal killer – vai me alongando…

Acho que depois de cada sessão de ginástica fico um pouquinho mais alta…

É um tal de puxa daqui, segura dali, respira fundo, solta o ar devagar, contrai musculatura de um lado, sente puxar musculatura do outro…

E vamos mais uma vez, começa tudo de novo.

– Agora equilíbrio…

Pensam que é fácil se exercitar sobre uma perna, trabalhar a outra perna no ar, quase flutuar, pensar que conseguirá voar um dia???

– Sentiu a perna? então inverte, agora com a outra…

E agachamento… sentar sem cadeira…

– Vamos lá, vamos fazer vinte repetições hoje. Segura mais tempo na última, respira fundo.

– Ótimo! (que delícia ouvir esse Ótimo! – significa que aquela parte do matadouro foi superada).

– Trabalhando o adutor, força no adutor.

Êita músculo difícil de ser alongado…

– Só mais um segundinho, vamos lá…

– Sentiu puxar?

E assim eu sigo, semana após semana, alternando a ginástica com as diárias caminhadas, que é a parte aeróbica e que eu mais gosto.

Mas além de brasileira sou corinthiana, por isso não desisto nunca.

E, depois de um bom banho relaxante, a sensação é que, além de crescer um pouco, alguns gramas me abandonaram, fico mais leve.

Só não consigo entender pessoas que dizem detestar ginástica. Não sabem o que perdem…

 

É primavera!

Exatamente hoje, às 4h50, iniciou-se a primavera. A mais romântica estação do ano.

Por que hoje? Por que às 4h50? Quem marca esses dados? Algum instituto, onu, nasa, ongs? Não. O início da primavera é marcado pelo famoso desconhecido equinócio – definido como “momento em que o Sol, em seu movimento anual aparente, corta o equador celeste, fazendo com que o dia e a noite tenham igual duração.”

Ou seja, põe fim às longas noites do inverno.

Precisamos do inverno. A terra repousa, a temperatura cai, a natureza se recolhe. O sol – especialmente no hemisfério norte – já não é tão frequente. Mas, por mais que se aprecie o tempo do inverno, sem dúvida alguma também necessitamos que ele acabe e o calor volte, a terra renasça e a natureza se torne exuberante.

Esse o equilíbrio do clima. Esse é desenrolar natural da vida.

E então entramos na primavera. Com muitas promessas no ar – novas chuvas, novas safras, novas paixões. A vida renascendo em todos os sentidos.

E a poesia das flores e dos pássaros a enfeitar a natureza.

Ela não dura para sempre. Chega a seu fim, inexoravelmente, em 22 de dezembro, para dar lugar ao verão.

E quando acabará a doce primavera? No domingo, 22 de dezembro, à 1h19. Quando ocorrerá o solstício – “na astronomia, solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador.”

Mas o mais romântico da primavera, na minha opinião, são os fenômenos que a delimitam: a primavera se inicia no equinócio da primavera e vai ate o solstício de verão.

Sua efêmera duração é de um equinócio até um solstício. Isso, por si só, é poesia.

Construindo a saudade

A saudade paira no ar como paina depois da florada. Cada um carrega em si suas próprias saudades. Mas o caminho para as possuir é igual para todos – temos de construir as memórias para então surgir a saudade.

Plantamos uma árvore e dela cuidamos com dedicação. Um dia ela amanhecerá florida inundando nossos olhos com tanta beleza. As flores cairão, mas na nossa mente, para sempre, ficará a lembrança da explosão de beleza que nossa árvore nos proporcionou.

Assim é a saudade. Ela só surge depois que fomos felizes. Depois que uma paixão explodiu no peito. Que um amor ardente foi vivido. Não há saudade do triste, do luto, da infelicidade. A saudade fica do que nos tocou no campo das emoções, como cordas de violinos, tirando os sons mais celestiais.

E ainda tem de haver distância. Não temos saudade do que nem de quem está próximo. Precisamos que um tempo se passe desde que tudo aconteceu para que surja a saudade. Precisamos que as pessoas amadas se afastem e se distanciem para então sentirmos saudade.

Feliz de quem tem saudade. Feliz de quem tem do que ter saudade.