Dia de Poesia – João M C Gomes

É nas minhas madrugadas
que mais sinto a tua ausência
depois de mais uma noite
em que a solidão
dormiu na minha cama.
Na minha mão,
não sinto a tua mão,
no meu peito,
não sinto o teu braço,
e o calor da perna
que traçavas sobre a minha
é agora ausente
e parte de um sonho amordaçado.
O tempo do amor
diluiu-se nos dias de tristeza incontida,
e as luzes que nos iluminavam
deixaram morrer as flores
que trazíamos sedentas
dentro de nós.
As sombras desceram sobre a nossa paixão,
cobrindo de espanto e de dúvidas,
os dias de amor, antes fácil,
destruindo as searas que lavrávamos,
nos nossos corpos e na nossa alma.
Mas é nas madrugadas,
que te revejo e ainda te sinto presente,
sem encontrar solução
para a dor que trago no peito,
e o arrependimento de te deixar partir
deste corpo e desta mente
carente e amordaçada,
como um castelo desmoronado,
por um simples sopro de uma mulher,
que me amarrou,
nas linhas do seu cabelo,
e me deixou exausto de sede e de fome,
na solidão de um amor inacabado.