O que eu quero

A paz do Pai pela fé no Filho - Universal.org - Portal Oficial da ...

Quero a beleza do amanhecer na floresta, com o ruído das folhas ao vento

Misturados à algazarra animada dos pássaros e às cores do dia que surge.

Não posso ficar indiferente a tanta beleza, a tanta alegria da natureza

Que nesse altar se revigora todas as manhãs, e renova a vida, o céu e a terra.

Mas também quero o silêncio do longo anoitecer no lago da montanha

Com suas cores exóticas, brisa amiga, longos pios do longe dentre as árvores

E a água se vestindo de ouro, de azul, de prata, de cinzas vários até enegrecer

E cair a noite, cálida e amiga, despertando os corações para novas paixões.

E não quero viver longe da cidade grande, com seu caos organizado, sua vida

Pulsante que nos provoca sempre – sobreviver é a proposta, viver é o desafio

Onde tudo é difícil, mas maravilhoso, tudo longe, mas compensador e vibrante

E ali, na madrugada que se esvai, então dormir com a certeza de um novo dia.

Mas preciso do mar, meu amado mar, de tantas vestes diferentes e humor variado

Nas horas sem fim, que passo a mirar as águas, as ondas vadias que me chamam

Ouvir seu canto infinito, sua eterna canção de me ninar nas noites insones

Apenas estar. Sentir. Não pensar, não sofrer, voltar às origens da vida sem dor.

Tudo isso eu quero, ver a vida de tantas e diferentes janelas, nunca ficar parada

Ter a certeza de que em algum lugar alguém me espera com ansiedade, sabendo que irei

Porque nunca estou, sou vento, sou chuva, apenas passo e não me detenho.

Voltarei pelo seu amor: não posso parar, sou ave de arribação. Espera por mim!

Onde há heróis?

Na vida não existem heróis. Quando muito, alguns atos de coragem. Não apenas coragem de subir num penhasco, de mergulhar no mar, de segurar um cão que ataca uma pessoa. Nem sempre a coragem demanda uma demonstração física. Também há atos de heroísmo de coragem intelectual, de atitude, de postura, de firmeza de caráter. Que se traduzem em se manifestar onde todos se calam. De defender o que acredita ser o certo e o melhor quando todos estão na contramão.

A História nos mostra que pensar fora da manada fez mártires. Pela Cruz e pela espada. Fuzilados. Queimados. Guilhotinados. Assassinados. Esfaqueados. Estranhamente acidentados.

Mas, mesmo mortos, esses heróis sem capa nem espada transformaram o mundo. Pela palavra. Simplesmente tiveram a coragem de expressar seu pensamento divergente daquele dominante. Sem medo de enfrentar quem se considerava poderoso e inatingível.

Muitas vezes a palavra que cala é a mais perigosa. Porque quando o outro não tem contra-argumento para sua afirmação, a tendência é vencer pela força. Que é o argumento do ignorante.

Então se sua palavra cala aquela do seu adversário, prepare-se para o ataque. Desde sempre jornalistas são mortos por serem firmes em suas posições. Às vezes dentro da nossa própria família, como foi o caso do meu bisavô, jornalista João de Moura.

Políticos honestos são eliminados fisicamente diante da impossibilidade de serem vencidos pelo voto popular. Professores que não recuam de sua firme vocação para formar mentes são atacados covardemente.

E, agora, em tempos de internet, onde impera a ignorância travestida de verdades, pelos doutores em nada, especialistas em tudo, está ainda mais difícil. Difícil separar a verdade das notícias falsas. Difícil separar o que é científico, comprovado, das alegações tendenciosas e distorcidas, para servirem a grupos mal-intencionados.

Os opositores são rotulados, ridiculizados, desrespeitados dentro de um ambiente anárquico e inculto.

Da mesma forma, é exatamente esse mesmo caldo boçal, descontrolado, que possibilita a aparição de “heróis”. Basta uma pessoa falar o que a maioria quer ouvir e logo será incensado e blindado. Mesmo que seja um idiota completo e acabado. A que leva a falta de cultura, de escolas organizadas e de educação concreta…

De outra parte, entretanto, vemos surgirem vozes que desafiam toda essa situação. Que dizem as verdades doídas e que muitos preferiam ver escondidas sob o tapete da infâmia, da corrupção, da falta de compromisso com a sociedade.

Essa coragem – de dizer e defender a verdade, o certo – pode ser causa de destruição ainda hoje, em pleno século XXI. Porque a humanidade não evoluiu nada em termos de respeito aos semelhantes.

Entretanto, de nada vale um herói morto. Será chorado pela família e logo esquecido por todos.

Talvez por isso tantos se calam e não têm coragem de expor seus pensamentos, acabando, de certo modo, dominado pelo pensamento comum, torto e muitas vezes criminoso.

O homem moderno tem toda a proteção – contra as intempéries, contra os animais selvagens, contra a violência física etc.

Então precisa de heróis da palavra. Que têm a coragem de falar.

Pena que, a cada dia, menos pessoas se dispõem a assumir esse papel. E também se calam.

Nenhuma semelhança é mera coincidência…

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Isso levou à suspensão das manufaturas para exportação na maioria das regiões da Inglaterra, com exceção dos portos externos; e até nestes, logo foram suspensas, já que todos, por sua vez, tinham a peste. Embora isso fosse sentido em toda a Inglaterra, a paralisação dos negócios da city foi muito pior, com o fim repentino de todo intercâmbio de mercadoria para consumo interno, principalmente daquelas que costumeiramente circulavam através das mãos dos londrinos.   

Todo trabalho manual, na city etc. os artesãos e os mecânicos, como disse antes, ficaram sem trabalho e isso provocou a dispensa e demissão de um número incontável de diaristas e operários de todos tipos, visto que nada se fazia com seus ofícios, a não ser o que se poderia chamar de absolutamente necessário.  

Isso gerou uma multidão de solitários sem recursos em Londres, além de famílias cuja subsistência também dependia do trabalho dos chefes de família. Digo que assim foram reduzidos à extrema miséria e, devo reconhecer para a honra da cidade de Londres, o que será por muitas eras, enquanto isso for algo a ser comentado: a população foi capaz de, por caridade, oferecer provisões para as necessidades de muitos milhares que mais tarde ficaram doentes ou estavam desesperados; assim, pode-se afirmar com segurança que ninguém morreu de fome, pelo menos ninguém que tenha chegado ao conhecimento das autoridades.   

Esta estagnação do nosso comércio manufatureiro no interior colocaria o povo em dificuldades muito maiores, mas se os mestres de ofícios, os tecelões e outros continuassem fazendo suas mercadorias até o esgotamento de seus estoques e forças, acreditando que a epidemia diminuiria logo, em seguida eles teriam uma demanda rápida, proporcional à queda de seus negócios naquele período. Como porém nenhum – a não ser os patrões ricos – podia fazer isso porque muitos eram pobres e incapazes, o comércio de manufaturas da Inglaterra sofreu enormemente e os pobres foram espoliados em toda a Inglaterra pela calamidade só da city de Londres.

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(Um diário do Ano da Peste, Daniel Defoe)

Universo

Um grão de areia. Tudo pode se resumir a um grão de areia.

Um único e pequenino grão de areia viaja por todos os cantos do cosmos. Vejo-o, agora, ao pousar sobre minha mesa. Brilha como o cristal. É duro como a rocha. Mais leve do que uma pluma. Levado pelo vento, logo poderá não estar mais aqui.

Com todo o cuidado e respeito, eu o pego e guardo no fundo da minha mão. Acaricio com delicadeza aquele pequeno viajante. E lhe pergunto: “- de onde vens? Das praias do sul, dos desertos da África? De onde o vento te traz até mim? A qual Universo pertences?”

Ele demora a responder. Está cansado demais para falar. Percebo que vem de muito longe.

Já estava aqui antes do começo e estará depois do fim.

Esse grão de areia já esteve em todos os lugares, mesmo os desconhecidos. Do fundo do mar à poeira das estrelas.

Escondido em uma ostra, deu origem a tão rara pérola, que foi usada para encimar diadema de uma rainha e depois o cetro de um rei, simbolizando o poder absoluto sobre os demais homens. Liberado, foi conhecer os outros mares, e os desertos. Na bagagem dos nômades atravessou mundos. Viu a miséria e a riqueza. Viu o sol nascer na África e também se por no Pacífico.

Navegou nos veleiros, voou nos aviões e foi lançado em foguetes.

As eras se sucediam incessantemente e o pequeno grão viajava o mundo.

Esteve na cabana dos lavradores, nas carroças e nas bagagens em que foi para as vilas e cidades. Entrou nos palácios e nos templos.

Nunca o grão de areia conseguiu parar em um só lugar. A mínima brisa, o vento e os furacões o levavam de um lado para o outro, indefeso e frágil em sua dureza e unidade.

Sabe tudo sobre o amor e sua diferença da paixão. Foi usado por tristes amantes como desculpa para as lágrimas que escorriam pelas faces.

Esteve no berço dos recém-nascidos e conheceu o túmulo dos falecidos.

Vedou olhos de cruéis guerreiros e decidiu batalhas.

Fundiu-se à poeira dos anéis de saturno. Repousou nas crateras lunares.

Sabe as distâncias que separam as pessoas próximas e as milhas e anos luz que separam as nações e os planetas.

Esquentou-se ao calor do sol e gelou na neve das montanhas – o sol não o queima e o frio não o pode congelar. Sua matéria é mais que o calor e o gelo.

Conheceu a música e a poesia dos artistas. Participou das provas em Atenas e das lutas em Roma.

Esteve em todas as guerras e se molhou em todos os sangues.

Mergulhou em todos os rios e mares. Voou por sobre todas as terras.

Nada, nada há que não tenha visto ou conhecido.

Esse tão pequeno grão de areia conhece a alma humana, seus sonhos mais secretos. Entrou na casa de todos os homens. Participou de todos os rituais e presenciou todas as alegrias.

Como um pequeno nada, ignorado por tantos, ele viajou por todos os mundos conhecidos e presumidos.

Ele se assemelha a um pequeno caco de cristal no fundo da palma de minha mão. Parece sorrir para mim.

Então ele fala: “- o que é o Universo? Um todo, um nada, uma soma de muitos? O Universo está em você, porque você é seu próprio Universo, e cada célula sua é um Universo próprio. Cada ser, cada pedra, cada molécula de ar é seu próprio Universo. O que vale para um, vale para todos. O que perturba o individual, transtorna o conjunto. Tudo isso junto forma o grande Universo, que não é nada mais que todos os universos harmonicamente agrupados. Quando há desarmonia, o Universo se abala e se parte. Se se rompe, deixa de ser Universo. Porque a essência do universo é ser uno e indivisível.”

E termina: “- se você me entender, terá decifrado todos os enigmas do mundo. Porque terá de me entender inteiro. Não pode ir me conhecendo aos poucos, não posso ser partido em pedaços. Eu sou um Universo!”

Minhas dores

As minhas dores são tantas…

São dores que estão seladas:

As dores do corpo são chagas,

Da alma são mágoas passadas.

 

Diante da dor sinto medo

Mas me mantenho serena;

A dor me torna tão frágil,

O medo me faz tão pequena.

 

Sempre juntas nessa vida,

Das dores não me separo,

Assim eu vou caminhando:

 

Com minhas dores vivendo,

Eu, minhas dores cantando,

Em mim, minhas dores doendo…

Texto de Cândido Arouca

Cair não é sinônimo de fraqueza.
Cair é uma virtude que só têm os que arriscam e investem.
Cair não pode ser encarado como um fracasso ou um falhanço.
Cair é em si mesmo um ato de coragem.
Cair é, só por si, uma atitude de quem ama a vida e arrisca tudo para ser feliz.
Cair tem uma enorme virtude que caracteriza um vencedor; permite que ele se levante sempre mais fortalecido, esclarecido e conhecedor das suas capacidades para vencer!
Quem nunca caiu nunca arriscou.
Quem nunca caiu nada fez em toda a vida para sequer tentar ser feliz.
Quem nunca caiu não conhece o verdadeiro sabor da vitória porque essa só se consegue após muitas tentativas falhadas!
Não tema, caia e levante-se tantas vezes quantas as necessárias para alcançar a felicidade!