No 125º dia de quarentena

E assim se passaram 125 dias.

E continuamos em isolamento horizontal.

Está a maior bagunça, pessoas simplesmente ignorando a obrigatoriedade de isolamento e de uso de máscaras.

Pessoas simplesmente exercendo sua profissão para evitar que os filhos morram de fome, ainda que temendo a doença… o poder público, inerte e autoritário simplesmente se restringe a usar o isolamento como única forma de combate ao covid 19.     

As escolas fechadas. As crianças soltas nas ruas como cães abandonados – inclusive dentro dos condomínios.     

Festas e pancadões na periferia.     

Aviões parados.     

Empresas falindo.     

Miséria batendo na porta.     

Mas “fique em casa”.     

A população está chegando no seu limite, como um tanque de gás prestes a explodir. 

Criminalidade doméstica aumentando.

Consumo de bebidas alcóolicas batendo recordes.     

Mas, “fique em casa”.     

“Até quando?”, se perguntam, “até quando, meu Deus?”     

Na Inglaterra é verão. Londres acabou com o isolamento. Chocantes as cenas de garotas caídas nas ruas completamente embriagadas e/ou drogadas.

O isolamento prolongado destrói o sentimento ético. Destrói o autorrespeito. Desconstrói a vontade de viver. As pessoas se desacostumaram da liberdade.

Poucos conseguem se manter livres mesmo quando encarcerados. A maioria simplesmente se deixou abater e se sentiu um animal na jaula.

Agora, livres, terão de reaprender a responsabilidade sobre seus atos e as formas de viver em sociedade.     

Enquanto os outros países enxergaram que isolamento não é tratamento contra vírus, nosso atualmente tristonho Brasil insiste em manter essa insanidade.     

Em alguns lugares a moda é aplicar multa a quem estiver sem máscara, a quem estiver em aglomeração na praia.     

Aliás, praia é para caminhar e praticar esporte individual.

Nada de guarda-sol, cadeira, toalha, de família…

Pista de praticar cooper.     

Tudo tão ridículo, tão sem sentido, que não conseguimos mais argumentos para acreditar que há alguma lógica nessa quarentena que já dura 125 dias.     

Há, paralela à peste chinesa, uma epidemia de depressão. E muitos casos de suicídio.     

Tanto tempo isolado, sem trabalhar, sem perspectiva de futuro, que as pessoas se sentem esvaziadas. Nada mais de bom, de positivo, têm a esperar na vida. Então preferem partir.     

Isso é muito, muito triste.     

Ainda que o julgamento dos homens falhe, tudo isso pesará nas costas dos atuais prefeitos e governadores. Eles serão, aos olhos da História, e do Pai, os únicos responsáveis pelas mortes, pelo sofrimento, pela doença se espalhando velozmente.

Porque se limitam em receber verbas e manter o povo em estado de terror.      

Quando algumas pessoas saem em defesa da população em geral, apontam a bandalheira, simplesmente são neutralizadas – processos, prisões arbitrárias, um poder absoluto que não se sabe de onde se originou.     

Estamos num barco à deriva. Não sabemos até quando será possível aguentar sem o comércio funcionando, as indústrias abertas com o povo trabalhando. Os profissionais liberais e prestadores de serviço simplesmente desesperados porque não têm como manter a própria família.     

Mas, “fique em casa” e o Estado, impessoal, garante seus agentes para que mantenham o povo bovinamente aquietado.

A cada dia que passa mais nos sentimos vazios.

Vazios de vontade, de civismo, de civilidade.

Estão destruindo o pouco da nosso ânimo, que conseguimos preservar nos anos esquerdos. Tudo isso, aparentemente, porque não conseguiram digerir o resultado da eleição.

Mas, “fique em casa”, continue em casa, morra dentro da sua casa….     

E há quem acredite que tudo voltará a ser como antes.     

E, os mais bobos, acreditam que o mundo sairá melhor desse horror…

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