Ainda na quarentena horizontal – 125º dia

Decepção

Chego no meu 125º dia de isolamento.

Era prevista uma quarentena. Mesmo assim eu pensei que não passaria de 15 a 20 dias. Não havia justificativa.

Atônita, dou-me conta que já se passaram 125 dias da minha vida – 128 dias para quem entrou na quarentena no primeiro dia do decreto. E tudo continua igual. Pessoas sendo contaminadas. Algumas sendo internadas. E outras morrendo. Muitas morrendo de outras causas, mas sendo anotado covid 19 em seu atestado de óbito, afastando a família – morrem sozinhos em um hospital, a família não pode ver, não pode velar, os filhos não podem sequer carregar seu caixão e acompanhar o enterro. Quarentena, isolamento horizontal e uso de máscaras não adiantaram nada.

Não há vacina. Mas, a essa altura, sete meses depois da divulgação que a peste existe, impossível que ainda não se tenha nenhum tipo de prevenção. Ou não interessa ter.

Desde o momento em que, de problema de saúde, a pandemia se tornou instrumento político de poder, o que menos é levado em conta é exatamente o povo. Que sofre e morre. Porque políticos não morrem de covid 19. Estranhamente.

Hoje somos obrigados ao uso das horríveis máscaras. Que, para os alérgicos, portadores de rinite – meu caso – é uma tortura.

Tenho saudade da praia, tenho vontade de caminhar ao ar livre. Mas não consigo fazer nada usando máscara. Então fico em casa. Direto.

E o pior – ainda que sempre tenha sido uma pessoa caseira, eram várias casas. Eu ficava em uma das minhas casas. Agora, são 125 dias e noites dentro da MESMA casa. Estou criando limo. Estou mofando. Morrendo por dentro. Entediada. Enjoada. Enojada dos poderosos da vez. Estou no meu limite.

Sei que não ficarei por muito tempo nessa passividade. Apenas esperando resolver alguns problemas que dependem do correr do tempo. E tomarei meu rumo. Não sou poste nem árvore para ficar parada aqui, só porque meia dúzia de idiotas resolveram que a solução contra o vírus é o isolamento.

Por enquanto, da minha vida eu que sei.

Apenas tenho de ultimar uma reforma. Depois, nem o céu será o limite. E quem acredita em coelhinho de páscoa que continue em casa e pregue o infame “fique em casa”.

Tristemente tomo conhecimento de tantas falências, alguns suicídios. Tudo por uma insana quarentena eternizada e que não temos a mínima ideia de até quando permanecerá. Se o tribunal prorrogou o home office até dezembro e já estão falando em cancelar o réveillon e adiar o carnaval, suspeito que estaremos na mesma situação até maio ou junho de 2021.

Quem aguentará? Como ficará a economia?

O povo, pobre povo criado na beira do cocho de sal, não tem a menor noção da força que possui. E o quanto a união derruba barreiras, destrói projetos de ditadores e faz valer os direitos de cada um e de todos.

Porque, se o povo resolver exercer seu poder, constitucionalmente reconhecido, essa quarentena e essa pandemia política acabam em três tempos.

Mas a boiada, bovinamente, continuará agradecendo mansamente pelo sal que lambe.

Tudo e todos têm um limite. Isso é um princípio da física – aplique uma pressão em um corpo até o limite, porque ele não suportará indefinidamente, e, se passar do ponto, estoura.

O limite do povo está chegando. Quanto ao meu, estou em hercúleo esforço para manter mais um pouco.

Mas haverá uma explosão.

O que será depois? Isso é uma grande incógnita. Não sabemos direito a quem aproveita essa situação.

Repito, pela enésima vez: só temo vir a ter saudade dos tempos de isolamento.

Quero minha vida de volta. Por favor, podem devolvê-la a mim?

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