7 de setembro de 1822 – qual a verdade?

Independência: conheça histórias de antes e depois do grito - GAZ -  Notícias de Santa Cruz do Sul e Região

Dizem (já havia cronistas sociais aqui em 1822), que Dom Pedro I subia vagarosamente a serra no lombo da mula, quando, ao chegar à colina do Ipiranga, nas margens do citado regato, já no planalto, entrando na cidade de São Paulo, recebeu uma carta de José Bonifácio, o patriarca da Independência.

A carta avisava que o o velho Rei d. João VI, que voltara para Portugal, exigia a presença do filho – o Príncipe d. Pedro, no além-mar e, ainda que fora determinada a prisão dele, José Bonifácio, e, portanto, diante de tais fatos, era chegada a hora de o Príncipe tomar uma atitude firme a respeito desses fatos.

Sacando da espada, D. Pedro teria lançado seu brado heróico e retumbante, cantado na primeira estrofe do Hino Nacional: “Independência ou Morte!”

Pensando a respeito, suspeito que não tenha sido esse o grito. Mesmo porque, ainda que existissem fofoqueiros e colunistas sociais já naquela época, não existiam gravadores nem filmadoras, então cada um colocou na boca do príncipe valente e decidido o grito que quis. Aliás, a mula usada para subir a serra de Santos a São Paulo virou um fogoso cavalo no quadro de Pedro Américo que imortalizou o momento histórico. Portanto, se transformaram a mula em cavalo, pode ter sido diferente o que, de fato, ocorreu lá na beira d’água, onde pararam por conta do piriri do príncipe que comeu alguma coisa estragada na sua estadia em Santos (vem de longe esse problema…)

Talvez a carta fosse de seu primo, que avisava da morte de um amigo comum, a quem crescera um enorme calombo na cabeça. Assustado com a notícia, d. Pedro ficou desesperado, e quando lhe perguntaram do que se tratava, gritou: “Excrescência ao Norte!”…

Ou a carta era de seu alfaiate. Contando que o ajudante, por pura incompetência, estragara o fraque que o príncipe encomendara e usaria logo mais à noite, na ópera. Nervoso, o grito, na verdade foi: “Incompetência é Forte!”.

Também pode ter sido a carta de seu procurador, avisando que o principal credor do príncipe, na época bastante endividado, sustentando várias mulheres e muitos filhos, havia morrido. E que ele, procurador, conseguira de um magistrado a declaração de que os títulos usados para as cobranças eram inconsistentes. Portanto, o príncipe nada devia a ninguém. Feliz, saltitando por ter conseguido se safar das dívidas, o príncipe gritou: “Inconsistência ou Sorte?”

Mas, – e esta dizem as más línguas da época – a carta era de uma amante do príncipe, afirmando que foram contar a seu marido que mantinha um romance secreto com o príncipe, o que poderia ser constatado todas as vezes em que, durante as viagens do marido, a mula do príncipe, guardada por quarenta pajens, passava dias e noites a fio pastando no jardim do casal. Ela jurara ao marido que eram fofocas dos vizinhos invejosos porque o príncipe muito honrava a casa com suas visitas, sempre a procura do marido para trocar umas ideias, ainda que nunca o encontrasse. Vendo que o povo falava demais, o príncipe se irritou com o fato e gritou: “Maledicência é esporte!”

Para outras más-línguas a carta era de outra amante do príncipe, que estava preocupada com a ameaça da cozinheira, que falou que não mais obedeceria as ordens da madame, e que faria o que quisesse na casa e ninguém mandaria mais nela senão iria contar para a princesa, futura imperatriz, o que acontecia naquele endereço. Era preciso cortar essa escrava da criadagem da casa, pois o escândalo seria terrível e ela não sabia como obrigar a cozinheira a obedecer. Então, danado de raiva, o príncipe gritou: “Obediência ou corte!”

Há ainda uma outra versão, que a carta era do chefe de polícia, afirmando que havia muitos malfeitores pelo reino, que um grupo começava a se organizar para protestar contra o reino e contra o príncipe, e que os parlamentares da época pretendiam proibir todos os súditos de portarem armas, para evitar um ataque aos nobres. Mas o chefe de polícia temia que, sem armas, todos se tornassem presas fáceis dos assaltantes e saqueadores, que a violência iria se espalhar de uma forma nunca vista, e o povo morreria nas ruas nas mãos de bandoleiros, que o príncipe não podia concordar com o desarmamento dos súditos. Então, preocupado com esse estado das coisas, de que já ouvira comentários no Rio de Janeiro, d. Pedro gritou: “Violência ou porte!”

O Cronista da época, compadre de José Bonifácio, imortalizou a frase “Independência ou Morte”, não porque tenha sido esta a que foi gritada, mas sim porque se o compadre se tornasse o Patriarca da Independência quem sabe sobraria também para ele – o cronista – um lugarzinho na História do país…

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