Estresse

Acho que estou ficando estressada.

Apaguei todo o texto que havia acabado de escrever para postar aqui hoje.

Em lugar de copiar, simplesmente apaguei.

A física explica – há um ponto máximo de pressão que pode aplicar em tudo antes que se rompa.

Acredito que passei desse ponto.

Para falar a verdade, tudo tem sido tão atabalhoado que às vezes penso que até gostaria que acontecesse alguma coisa que me possibilitasse entrar em quarentena. Não essa aí que aconteceu nesses quase oito meses, quando só tive sobressaltos, problemas a resolver e muita pressão.

Mas uma quarentena só para mim, onde eu pudesse não pensar, mas sim descansar, flutuar e levitar…

Quem sabe chegará, para mim, esse dia…

Mas, por enquanto, vamos lutando contra as pressões, os limites, e tentando resolver os problemas.

Mesmo que por um dia eu fique sem um texto para postar aqui.

Depois de contemplar uma lua absurdamente vermelha e maravilhosa, pensando que estava apta a me concentrar e escrever, eu me decepciono a mim mesma, apagando tudo.

Assim fica difícil manter meu desafio – hoje atinjo o 186º post seguido. Mas, se começar a apagar o que escrevo, não chego nem ao 190º….

Poesia da casa – Apocalipse

Quando se ouvirem tocar as trombetas do final dos tempos

E uma brisa varrer a lveveza do ar, como um fraco vento

Levando os amores mortos, as paixões fracassadas

Vagarão tristes os corpos descarnados dos vivos

Que chegam a desejar a morte em meio a tanto deserto

As ideias já não são, não sobreviveram à solidão

De quem ainda pensava e de alguma forma esperava

Cadáveres insepultos povoam os caminhos

Crianças abandonadas, velhos desamados, mulheres exauridas

Nesse mundo de egoísmo e violência insana

Nem mais existe a força da revolta, toda a energia foi gasta

Os homens duelaram sem armas, as palavras feriram mais

do que a faca, a cobiça matou muito mais do que as balas

Os poderosos distribuem fuzis e granadas para os fracos

Todos se tornam pasto de todos na terra arrasada

Aves de rapina dão seus rasantes ameaçadores

Cães atacam seus próprios donos e os estraçalham

Já não há ordem, as leis morreram por falta de uso

Pode-se ver o avesso do mundo, o outro lado da vida

Até que um dia um ser, esmagado de tanto sofrer,

Levantará as mãos aos céus e bradará, em nome de todos

“Piedade, meu Pai! Misericórdia, Senhor!”

Pedindo ajuda ao Deus que ele ajudou a matar.