Em testamento

COMO ASSIM? Menina de 18 anos se prepara para casar com seu próprio pai  após dois anos de namoro - Conexão Três Pontas

Comigo eu trago mais de 23.000 ontens,

por isso sei que me restam poucos amanhãs

Fiz muitos de meus caminhos – nem sempre segui

aqueles já traçados por outros pés, porque

eu não queria atingir só os mesmos pontos de

chegada que outros, antes, já alcançaram

Viajei países, conheci o céu e, solitária,

atravessei o inferno; a tudo sobrevivi.

Foram tantas vírgulas nesta minha vida

tantos pontos finais e outros de interrogação…

Tive tantas perguntas sem conseguir respostas

Contei tantas estrelas, para esquecer logo depois

Mas sei que chegará, em breve, a hora de partir

para uma última viagem – esta, sem volta

Enfrentarei. Com coragem e sem lamentos.

Passei na vida por todos os ângulos vistos:

Agudos, retos, obtusos e rasos

Aparei muitas arestas pontiagudas

Escalei montanhas feitas de pura areia

Mergulhei em águas gélidas, rodei em tantas

correntezas, feri-me em pedras e sequei ao sol.

Junto de tantas linhas retas e duras que desafiei

também vi as curvas do mar e do infinito

ao se encontrarem no ponto mais distante do olhar

A mim, me foi dado contemplar o belo,

Ouvir os pássaros e o som dos violinos

E me emocionar com a arte, com a perfeição,

Conhecer o amor e viver a paixão infinita,

E, dentre todos – retas, ângulos e curvas,

nada eu amei mais, ou me fez mais feliz

do que o encontro sempre perfeito e ideal

de nossos côncavos e convexos se completando

nas curvas de um abraço tão apaixonado

no aconchego de nossas noites de amor.

Minha solidão é só minha

Prisão - Joana D'arc

Quem é minha companhia, que nunca me abandonou?

Quem anda comigo na vida, não se afasta e não me deixa?

Aonde vou, vai a meu lado, onde paro, ali faz morada?

Porque nunca vou só – ela, a solidão me acompanha.

Eu não temo a solidão – ela é a mais fiel companheira

Ensina-me do amor, ensina-me do amar, ensina-me do sofrer

Porque a solidão conhece todos os segredos da vida

Andou pelo mundo todo, passou por todos os corações

Esteve em todas as festas, acompanhou todos os enterros

E, desde sempre, não me deixa sozinha um instante sequer.

Por isso sigo tranquila, a solidão estará sempre a meu lado

E não, eu não tenho medo da solidão.

O que temo, nesta vida,

Do que realmente eu sinto medo, não é, e nunca foi da solidão

Na verdade, eu só tenho medo é do abandono…

Ideias sem fios

Fios soltos, pensamentos emaranhados e sentimentos desalinhados...: Fios  Soltos...

Olho-me no espelho e penso:

Enquanto outras mulheres

Envelheceram loiras,

Eu fiquei grisalha…

No brilho de uma estrela

saudade viva de uma paixão

Lembranças são apenas

saudades de quem partiu

Se você viver até 2083, poderá testemunhar duas estrelas colidirem

No risco do lápis

Na palma da mão

A rota do amor

Poesia e paixão

A Mão Da Quiromancia Ou Da Quiromancia Com Sinais Dos Planetas E O Projeto  Tirado Dos Sinais Do Zodíaco Mão Preto E Branco Isolar Ilustração do Vetor  - Ilustração de mão, preto:

Os lábios beijados

Guardaram o gosto.

Se foram os beijos

Restou só desgosto.

A UM PASSO DA ETERNIDADE (1953) | Cinema & Debate

Dia de Poesia – Manuel Bandeira – Desesperança* / Consoada**

As dores da Alma | Orelhas de Vidro

*

Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.

Como dói um pesar em cada pensamento!

Ah, que penosa lassidão em cada músculo…

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento

que dá medo… O ar, parado, incomoda, angustia…

Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,

Quando a vida acabar e, astro apagado, a Terra

Rodar sobre si mesma estéril e vazia

O demônio sutil das nevroses enterra

A sua agulha de aço em meu crânio doído.

Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra

**

Quando a indesejada das gentes chegar

(Não sei se dura ou caroável),

Talvez eu tenha medo.

Talvez sorria, ou diga:

– Alô, iniludível!

O meu dia foi bom, pode a noite descer.

(A noite com os seus sortilégios.)

Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

A mesa posta,

Com cada coisa em seu lugar.

Chuva

Eu vi a chuva chegar.

Desejada, sonhada, ao cair da noite ela veio.

Mansa tal como uma criança que pede carinho.

Assim ela chegou.

Bateu nos altos galhos das grandes árvores, correu pelos telhados, escorreu pelos muros e paredes.

E molhou a terra. Molhou os caminhos, encharcou os gramados.

E no ar pairou o cheiro da chuva.

Então saí.

Para ver a chuva que chegou. Para receber em mim essa bênção dos céus.

Para que ela corresse pelos meus cabelos e escorresse pelo meu corpo.

Queria sentir esse carinho de amante esperado, esse abraço improvável.

Eu senti o cheiro da terra molhada a me inebriar os sentidos.

E senti o frio gostoso que a água da chuva provoca.

Então caminhei.

Andei na chuva, como a andarilha sem destino que se contenta com o simples caminhar.

Porque não há para onde ir. Só há o ir.

Como também não há para onde voltar.

O passado acabou.

A chuva veio. E lavou os caminhos.

Agora, basta escolher um e por ele seguir.

Para nunca voltar, para jamais chegar.

Questões nada filosofais

PESQUISADOR SERGIO LUIZ RIBEIRO-DA-SILVA / EDUCAÇÃO, ANTROPOLOGIA,  SOCIOLOGIA E CIÊNCIA POLÍTICA

Talvez eu esteja enganada. Mas viver já foi mais divertido.

Houve um tempo em que o riso era mais fácil. E rir não ofendia ninguém.

Talvez nesse tempo as pessoas (ao menos aquelas com as quais convivíamos) eram mais inteligentes. Por isso entendiam brincadeiras e levezas.

Hoje o mundo está tomado por uma raça desgraçada de pessoas sérias e muito sabidas. Dominam todos os assuntos, sentem-se no direito de apontar o dedo para todos, querem mostrar o conhecimento que não têm.

Assim, para disfarçarem a própria ignorância e superarem o terrível complexo de inferioridade que os domina, inventaram o politicamente correto.

Que transformou a realidade num porre.

Em seguida, a tremenda judicialização da vida e da sociedade.

Desenvolveram uma suscetibilidade exacerbada, e tudo os ofende e os melindra.

Em todos os sentidos. Até na alimentação.

A humanidade come pão há mais de 4.000 anos. Agora, os frescos e maricas são alérgicos a glúten. E têm intolerância à lactose. Precisam de alimentos batidos e liquidificados, porque têm sensibilidade e não conseguem mastigar.

Não ingerem açúcar porque faz mal. Restringem tanto a alimentação que vivem de mal humor.

São obcecados pela forma física, e não percebem que o cérebro está em péssimo estado de conservação. Podre.

Não educam os filhos para que não fiquem traumatizados. E parentes e vizinhos devem suportar os monstrenguinhos.

Tratam cães como filhos e acham que todos devem considerar essas criaturas como humanas, ainda que só sirvam para fazer cocô e latir, incomodando a vizinhança inteira.

Acham que roupa cara faz as pessoas melhores, então desprezam solenemente até mesmo aquelas que os servem, porque são “inferiores”.

E se acham “apenas o máximo”.

Todos têm de apresentar um mesmo padrão de pensamento, expressão, linguagem, gestual, trajes…

Acabou a espontaneidade, a alegria, a conversa despreocupada.

Haja paciência para conviver.