Dia de poesia – Renata Pallottini – Noite afora

  A quem devo dizer que em tua carne
 se sobreleva o tempo e o duradouro,
 mancha de óleo no azul, alaga e intensifica
 o contratempo a que chamei amor?
  
 A quem devo dizer dos meus perigos
 quando, o corcel furioso olhei ao longe
 e não vi mais limites que o oceano
 nem mais convites que o das ondas frias?
  
 Como antepor o corte nas montanhas
 – Liberdade – ao dever que a si mesma impõe a terra 
 de estender-se conforme o espaço havido?
  
 Malícia do destino, ardil composto outrora...
 Arde a grama da noite em que te vais embora,
 e essa chama caminha, essa chama, essas vinhas,

 essas uvas, cortadas noite afora.