Solitária caminhada

Cómo se explica la “luz al final del túnel” - VIX

Solidão.

Tão assustadora para muitos, tão companheira para poucos.

A bem da verdade, poucas pessoas realmente a conhecem. Porque a nós, humanos, não nos é dado sermos solitários e desde muito cedo nos fazem esquecer da nossa vocação solitária.

A solidão soa como um defeito a ser sanado. Não se pode deixar ninguém sozinho, essa é a regra.

Então as pessoas estão sempre acompanhadas de outra, de outras, de algo. Mas nunca sozinhas.

Se todos soubessem como é bom ser sozinho! A liberdade e a alegria que decorrem da própria solidão…

Por isso nascemos sozinhos. Ainda que tenhamos sido gerados junto com outro ser, ainda que tenhamos dividido não apenas um útero, mas até mesmo uma placenta, nascemos sozinhos.

Porque na hora exata do nascimento, estávamos sozinhos.

Saímos sozinhos de um mundo de paz, calor, escuro e quietude para o caos, o frio, a luz e o barulho. E o fizemos sozinhos. E sozinhos vencemos esse primeiro momento traumático que inaugura o viver.

Fomos obrigados a receber cuidados e companhia. E, com o tempo, quase todos fomos nos esquecendo da maravilha do tempo solitário que antecedeu o nascimento.

Muitos desenvolvem até mesmo um efetivo medo da solidão. Pânico de ser sozinho. Pavor de ser solitário.

E assim se cercam de interesseiros, de aproveitadores, e pensam que estão cercados de amor.

O que é o amor? Um sentimento egoísta, que faz querer abduzir a alma do outro e submeter esse outro a seu horário, a seu desejo, a seu mundo, como se o outro não tivesse uma existência própria e solitária antes de ser amado por alguém.

Se não for possível amar sem se quebrar, não é amor. Mesmo amando, temos de continuar a preservar nossa solidão, nossa integridade emocional. Se não soubermos ficar sozinhos, como amar?

Sem perceber, na verdade, passamos sozinhos as emoções da vida. As boas e as ruins.

Por exemplo, na hora da dor.

Todas as vidas têm muitos momentos de dor. Dor verdadeira. Seja emocional, seja física.

Nossas dores emocionais nos fazem procurar um cantinho quieto, escuro, e… solitário. Ali choramos nossa intensa mágoa, ali sonhamos com o que será depois da dor, ali planejamos um futuro para a vida nova que nascerá dessa dor.

E a dor física, é possível dividi-la? Nunca. Podemos até ter companhia enquanto sentimos as intensas dores físicas, por doenças, acidentes, seja a origem que for, mas a dor é só nossa. Ninguém a sente por nós. Não partilhamos a dor. Enfrentamos sozinhos as dores que a vida traz.

A emoção das conquistas, também não dividimos. O prazer do sucesso é nosso, não é possível dividir. Nosso prazer é só nosso. Nossa emoção não pode ser sentida por outra pessoa.

Estamos sempre sozinhos. Ainda que cercados de pessoas.

E no grande e solene momento, que coroa a vida de todos, também há a mais profunda solidão.

Porque, ainda que no meio de muitas pessoas, morreremos sozinhos. Ninguém morrerá por nós nem conosco.

Ainda que outros morram a nosso lado, no mesmo instante, cada um tem sua própria morte.

Não é possível dividir a morte com ninguém.

A vida, é portanto, uma solitária caminhada rumo à solidão da morte.

É melhor nos acostumarmos…